quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Nuvem de Esperança



Nuvem de Esperança


Leves e soltas, as nuvens flutuam,
Por um céu límpido e sem destino,
Lentamente, elas procuram,
O coração, no olhar de uma criança;
Em outras formas se exibiam,
Brincando com a imaginação,
Uma nuvem era girafa,
Outra nuvem, um leão,
Uma nuvem era um circo,
Outra nuvem, um balão;
E assim, elas passam,
Disfarçadas na inocência da ilusão,
Às vezes, cantam trovoadas,
Outras vezes, nos abraçam na proteção;
Quem sabe, serão os pensamentos,
Que se libertam e voam,
E da alma tornam-se fragmentos,
Dos momentos serenos,
De um tempo de sonhos,
Que existe na tranquilidade,
Do olhar de uma criança,
E que hoje, em meu olhar de homem,
São suaves nuvens, de esperança.


Horacio Vieira

(publicado em 23/11/2007 – São Paul/BN)
                 Ctt : doc.. 0742-07

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A mulher que vier



A mulher que vier


Que me venha essa mulher fogosa,
Linda, sensual e estonteante,
Que minha boca a sinta gostosa,
Em cada beijo de nossos lábios amantes,

Que eu deslize meu corpo,
Pelo corpo dela e perca todos os receios,
Entre o som e tom de um amor louco,
Na medida da harmonia de seus seios,

Que ela me chegue feito nuvem de verão,
Rápida, incerta, tranqüila e tempestuosa,
Que venha da surpresa da gota ao cair no chão,

Que me ame na poesia e despreze a prosa,
Arranhe minha pele, revele minha alma,
Que me consuma na fúria, e me devolva a calma...

Horacio Vieira

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Poema da Paz Sublime



Poema da Paz Sublime


Minhas mãos, entrelaçadas a minha frente,
São mãos de promessas e de rezas;
São as mãos de quem as fez em semelhança,
Por isso teimam em se enlaçar,
E se mesclar, em uma só esperança,

Uma voz, delicada, em minha alma,
O som do universo, em silêncio me alcança;
E na solidão que me rodeia, uma lágrima me acalma;

Minhas mãos, tão firmes e fortes,
Se apertam e se abraçam feito dois amigos,
Se unem e se tocam, como dois amantes,
Enfrentam a vida e desprezam a morte;
Nesse momento de prece, o tempo desaparece,
Sou eu em Deus, que me enxergo assim,
E por fim, encontro esse Deus, vivendo em mim;

O Deus dos poetas, dos loucos e das meretrizes,
É o mesmo Deus dos Santos, o Deus que nos guia
nos instantes, nos quais sangram as nossas cicatrizes;

Então, na oração que se inicia,
Temo a inconsistência do meu ser,
Em ser, talvez, pretensioso com os desejos,
Que de reis, em meus tormentos,
Tornam-se mendigos, humildes pedintes pensamentos;
Em meu olhar, lampejos de sussurros ensaiam,
As palavras titubeiam entre os meus lábios,
Que dizem apenas: ”Paz, meu Pai!”

E à luz, que então me cega, peço que me ilumine,
Pois sei que na escuridão do que não compreendo,
Somente ela me aquece, acolhe e me redime...


Horacio Vieira

(publicado em 09/02/2008 – São Paul/BN)
               Ctt : doc.. 0137-08

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O meu silêncio



O meu silêncio


O meu silêncio não se cala,
E o meu silêncio, não consente,
É um silêncio consciente,
De um vazio constante,
Por onde desbravo calado,
A solidão do meu ser;
O meu silêncio sente,
Mesmo dormente,
Cada vibração do som,
Do tom de cada palavra,
Que ainda não disse,
Mas que penso em dizer;
O meu silêncio é inerente,
Aos que buscam a verdade,
Que transpiram sinceridade,
E que se calam na certeza,
Frente à incerteza dos erros,
Na vontade sublime de ser;
O meu silêncio pode ser indecente,
Mas é decente no sorriso discreto,
Tímido no palco descoberto,
Aonde protagoniza no olhar,
A realidade distorcida,
Daqueles que gritam, sem nada a falar;
O meu silêncio é agressor,
Das provocações sem sentido,
Dos comentários indecisos,
E das mentiras soberanas,
O meu silêncio não se aquieta,
Não se ajoelha e nem reverencia,
Os senhores da injustiça;
Que o meu silêncio, seja assim,
Um desprezo anarquista,
Daqueles, que de um nada sem fim,
Acabe por me inspirar á toa,
E me faça escrever, baixinho,
Como se cantasse contemplando,
A poesia que no meu peito é rebeldia,
Mas que de mansinho, vou rabiscando...

Horacio Vieira

(publicado em 17/11/2007 – São Paul/BN)
             Ctt : doc.. 1256-07

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Vem



Vem


Vem, toca-me novamente,
Permita-me sentir teus dedos,
Desenhando a minha face,
Percorrendo o meu corpo,
Que se arrepia todo, nessa espera;
Nessa expectativa sem destino,
Sem querer saber aonde eles vão;
Importa-me, somente perceber,
Que por mim, sua mão se eleva,
E leva seus dedos a flutuar por minha pele;
Mãos, que curam as mágoas passadas,
Que me libertam das correntes pesadas,
Do medo de amar e de me sentir amado;
Vem, e me preenche de coragem,
Chegue feito uma esperança teimosa,
Aquela, disfarçada de saudade de momento,
Que discretamente pousa no coração,
E deixa a alma da gente manhosa,
Florescendo a alegria, semeada no tempo;
Descanse suas mãos, dispostas e sem segredos,
Sobre o meu peito, aberto e de um jeito,
Que desperte toda a volúpia,
A incendiar de insanidades meus pensamentos,
E a deixar arder, obsceno, em meu olhar,
Todo o desejo que ainda me restar;
E nessa expedição sem mapa,
Em que os sentidos se orientam,
Pelos pontos cardeais em meu corpo,
É que pouco a pouco,
Suas mãos vão descobrindo a verdade,
Ao desnudar toda a angústia contida,
Nos dias em que vivo sem você.
E em meio a tanta ansiedade, desmedida,
É que entrego, a cada toque seu,
O meu amor, que será teu, por toda a vida!


Horacio Vieira

(publicado em 01/11/2007 – São Paul/BN)
              Ctt : doc.. 1074-07

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Poema de um Anjo



Poema de um Anjo


Assim aconteceu, em uma noite fria e escura,
Estava eu, triste, sozinho e escrevendo.
A inspiração calava nas palavras que não vinham;
E então, uma luz branca e forte foi aparecendo,
E dessa luz, surgiram as asas de um anjo,
Que ternamente foi me envolvendo,
E com um olhar maternal e repleto de compreensão,
Em minha direção, ele veio flutuando,
Com seus braços suaves, ele me abraçou,
E ao ler, minha alma no olhar,
Em meus ouvidos, ele sussurrou...

“Poeta, que pareces estar perdido,
Não sabes que é por ti que o amor fala?
E se, o que encanta na poesia, hoje cala,
É porque há tristeza demais em teu olhar;
Vim, para te contar,
Que as estrelas, somos nós, anjos,
Que esperam a noite chegar,
Para que, uma a uma, virem te sussurrar,
Toda a inspiração, que o amor lhe traz;
E quando, poeta, você se retrai,
E alimenta a tristeza, que lhe tira a paz,
O céu estremece só de pensar,
Que o seu menestrel, já não será capaz,
De doar-se na poesia,
Que faz brilhar as estrelas do céu,
Que vivem por te inspirar!
Então, poeta que nessa vida és,
Saiba que o escuro da noite,
É o branco do papel;
E por cada letra das palavras que escreves,
Sorri cintilando, uma estrela no céu;
E fazemos dos teus versos, as nossas asas,
A bater, agitando o coração de cada ser,
Que acredita ser, a poesia,
A fonte da esperança, de todo novo dia;
Meu poeta,
É preciso o sono para que se crie o sonho,
É preciso um sonhador, para que se faça a poesia,
É preciso a poesia para que se entendam os sonhos,
E assim, os deixem viver, no olhar de um coração;
Em tuas mãos, a voz de um anjo canta,
E tenta sempre renovar o amor,
A pulsar, tão descrente,
Na vida, sofrida, de tanta gente
Que passa a fazer da solidão, a eterna vertente,
Das amarguras, nascentes das lágrimas.
Portanto, meu amado poeta,
Sorria, pois lhe foi concedido,
O dom do amor e de amar,
E se sofres em algum momento,
É porque, entre um verso e outro,
Entre a alegria do sorriso,
E a tristeza do lamento,
A coragem e o medo vêm para lhe afrontar.
Não desanimes, jamais, meu poeta!
Nessa batalha, sempre serás o vencedor,
Pois carrega dentro do seu peito,
Cravada em beijos, em tua alma,
A marca dos anjos, que por ti, falam de amor!”

Ele partiu, e eu dormi.
Ficou o sono, um sonho,
um perfume de jasmim no ar,
E uma vontade, poética, de amar!

Horacio Vieira

(publicado em 31/10/2007 – São Paul/BN)
               Ctt : doc.. 0926-07


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Adeus Incondicional



Adeus Incondicional


Não me diga do amor que não tive,
Sei bem das verdades que deixei escapar,
Por entre as veredas de um orgulho ferido;
Talvez tenha deixado a vida me levar,
E não olhei ao lado, nem para enxergar,
A angústia, que tanto maculava meu peito;

Não me venha dizer que não te escutei,
Por te escutar demais é que sofri,
E como recompensa por tanto amor;
Ficaram cicatrizes dos cravos de tua língua,
Que ao me crucificar, nem ao menos pensou,
Que aquele, que ali estava, foi quem lhe amou;

Não julgue esse amor que te deixou,
Pois você, nunca o desejou sinceramente,
Mentiu por tanto tempo que se enganou,
E assim, sentiu o gosto da cicuta a lhe envenenar
A consciência - se é que sabes o que é isso -
E a alma, que agora é uma lata de lixo;

Não ouse pensar que agora me ama,
Pois não me resta um pingo de sentimento,
E o que existia, esvaiu-se nos lamentos,
Por entre as lágrimas perdidas, no chão aonde piso,
E se em meu olhar, houver ainda o brilho da esperança,
Não se iluda - pois não é por você - não mais lhe preciso;

Não sei, afinal, se me compadeço de mim,
E por extrema coragem, ainda creia que exista,
Em algum lugar a mulher a quem devo amar;
A você, restará na calada da noite,
Uma saudade ardida, que irá lhe amortecer os lábios,
Sedentos dos meus lábios, a lhe devolverem a vida;

E quando deitar na cama sentirá, que distante,
Estarei eu a amar outra mulher, loucamente,
E não será você a sentir os abraços do meu corpo quente;
E essa outra mulher, ao me amar tanto e tão intensamente,
Haverá de me conceber entre suas coxas e braços,
Resgatando um amor, que não mais é seu - felizmente!

Horacio Vieira

(publicado em 28/10/2007 – São Paul/BN)
          Ctt : doc.. 0870-07




segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Resistência



Resistência


Nesses caminhos mal traçados,
Que a tristeza deixou em meu rosto,
Existem segredos bem guardados,
Que trazem consigo o desgosto,
Das derrotas que sofri nessa vida;

E quanto deixei de mim nas lágrimas,
Contidas na esperança, que pensei perdida,
A cada passo que dei no sentido inverso
De cada derrota que pareceu ser um abismo,
A minha frente, eu mudei o meu destino;

E tantas vezes quanto muda o universo,
Que se acomoda ao desejo do desatino,
Vivendo em uma plenitude sem nexo,
Assim, eu alterei calado meu caminhar,
E bebi das emoções que ainda viviam em meu olhar;

Aprendi que não se deve falar,
Das fraquezas do que se teme perder,
O quanto é descartável o ser verdadeiro,
E o quanto se faz de vaidade a verdade,
No jogo podre da ascensão insensata;

E eu, que pensei ser o espectador,
Era o protagonista sem ser o ator,
E mesmo caído no tablado, desse palco de picadeiro,
Eu me ajoelhei, e insisti, em vencer cada desventura,
E a não ceder aos enganos da solidão que me tortura;

E em silêncio, andar novamente em direção,
Ao tudo o que sou antes do que me fizeram ser,
E hoje, ao primeiro passo de cada manhã,
Mesmo sabendo que não me deixarão vencer,
Por ferir a razão de uma inquisição qualquer,

Eu perpetuo a minha alma em cada letra a escrever,
Pois cada palavra sobreviverá ao tempo em todo lugar,
Pois sempre será minha, essa inspiração a mostrar,
Ao mundo, que da poesia que me fortalece,
Ninguém, jamais conseguirá me afastar...


Horacio Vieira

(publicado em 25/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 0231-07

sábado, 28 de novembro de 2009

Engano



Engano


Não te quero mais!
Decididamente, eu resolvi,
E não te quero mais!
E assim, não te querendo,
Preciso ir aprendendo,
Como será viver,
Sem o ar para respirar,
Sem o chão para pisar,
Sem o céu para admirar,
Sem as estrelas para me guiar,
Sem a Lua para me inspirar,
Sem o sono para descansar,
Sem sonhos para sonhar,
Sem a luz para me despertar,
Sem o dia para esperar,
A noite que não mais trará,
O teu perfume pelo ar.
E sendo assim, eu desconfio,
Que a minha vida estará por um fio,
Se de repente, eu desejar,
Em um rompante...não te amar!
Melhor será aceitar,
Que sem você sou incapaz,
E que nesse amor, contumaz,
O melhor é me perdoar,
Por continuar, a cada dia,
te querendo, sempre mais!


Horacio Vieira

(publicado em 24/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 0279-07

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Lua Escondida



Lua Escondida


Nessas noites, com a lua escondida,
Eu me entristeço a esperar,
Que as nuvens, dêem lugar à vida,
Que somente sua luz faz iluminar,

Ah! se pudesse, despia essa lua no suspiro,
Arrancava-lhe as nuvens atrevidas
Que ousaram o seu brilho encobrir,
E assim, despudorada, ao meu olhar se entregarias,

E ao desenlaçar o seu vestido de mulher,
Suave e ávido, na ânsia de vê-la surgir,
Na alva tez da pele sua, a me seduzir;
Lhe pediria delicadamente:

“Não se escondas de mim, lua minha!
 Não nos percamos na escuridão do caminho,
 Que é o destino sem você a me guiar,
 Que é você sem que eu continue a te buscar,

 Somos do desejo a combinação,
 Perfeitos no amor e na percepção,
 Sou o querer que te faz paixão,
 E você, a paixão devoluta em amor,

 Sem você, estou perdido,
 Vagando por um céu, escuro e desprovido,
 De qualquer luz a me resgatar,
 Desta negra solidão, que é viver lhe procurando;

 E viver, uma noite sem você,
 É sentir minha alma, quase cega, sofrendo repartida,
 Por entre as estrelas da noite, que iludidas,
 Tentam em vão, compensar a tua falta em minha vida!”

Nessas noites, nas quais a lua fica escondida,
Eu me entristeço a esperar,
Que as nuvens se afastem, e devolvam a vida,
Ao meu olhar, no beijo do brilho de um singelo luar!


Horacio Vieira

(publicado em 23/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 0252-07


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Naturalmente...ser!



Naturalmente...ser!


É nas horas incertas, que o bonito se faz feio,
E o feio nos agrada!
Na dúvida de ser, a vaidade impera,
E a simplicidade do existir,
Que antes era natural,
Curva-se à complexidade do exibir,
Frente à tragédia do artificial;
E uma vez dominadas,
As mentes fracas desafiam o destino,
Dilaceram a alma nas adagas,
Dos mágicos, que em puro desatino,
Tentam agradar uma platéia,
Para receber os aplausos e olhares,
Que serão sempre vazios no conteúdo;
Olhares satisfeitos pela casca de um fruto,
Oriundo do nada e que de repente, se faz tudo,
Na frente de um espelho frio,
Que não pensa e é mudo!
Mas o poeta não se engana,
Basta um olhar de menina,
Para revelar a poesia adormecida,
Na beleza da alma feminina;
E então, ele sorri e agradece à vida:
"Abençoada a mulher,
Que sorri na delicadeza,
De aceitar a natureza,
De ser tão linda como é!"

Horacio Vieira


(publicado em 20/10/2007 – São Paul/BN)
           Ctt : doc.. 0218-07

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ilusões



Ilusões


Os homens também nutrem ilusões,
Tantas e tão ardentes,
Que o silêncio de suas preces, despertam vulcões,
Criam erupções em um mundo novo, incandescente;

Lavas de lágrimas pelos olhos vermelhos,
Fluindo no olhar o magma de um coração,
Inextrícável mescla de elementos e meios,
Por onde vaga um homem, perdido na paixão;

E no caminho, na ansiedade da sedução,
Formam-se ilhas de delírios,
E dessas ilhas solitárias, que são só suas,
Sobrevive o homem, no corpo da mulher nua;

As ilusões, em um homem quando ama,
São batalhas travadas ao deitar,
Os lençóis rasgados quando se agita a cama,
O calor no suor do corpo a se tocar;

E persiste o homem, nessa desventura,
A alma incita e o coração instiga,
E teima em explorar esse mundo de loucuras,
Aonde a mulher se faz chão, céu, alimento e vida;

Nesse instante, desvairado, perde-se a razão,
E o universo, apreensivo, cala-se na emoção,
Ao ver a luta de um homem,
Recriando o amor em seu coração;

Talvez assim, o homem compartilhe a sensação,
De sentir-se tal qual um Deus,
Que do corpo da mulher desejada, nutre a ilusão,
De ser ele, por um instante, o Deus da criação!


Horacio Vieira

sábado, 31 de outubro de 2009

Amor intangível



Amor intangível


Era uma noite linda,
Estrelas e Lua no céu brilhavam,
Minha alma sorria,
Em silêncio, meu olhar, um amor pedia;

E assim, de repente, suave veio à neblina,
E a Lua e estrelas que no céu reinavam,
Desapareceram, e meu olhar se perdeu
No céu que se apagou e minha alma, entristeceu;

Meus pensamentos se agitaram,
Como se quisessem dissipar a neblina,
Minhas mãos transpiravam,
E minha boca seca, mordeu os próprios lábios!

Meu olhar, então atento a todo movimento,
Viu surgindo em meio à neblina,
A silueta de um corpo que brilhava mais
Do que as estrelas que antes me davam a paz;

E na silueta desse corpo, em meio à neblina,
Veio a voz mais doce que em minha vida escutei,
Seria o tom do canto de um anjo, com o qual me deparei?
Sei que nos limites desse corpo, meu universo se conteve,

Toquei seu corpo como se toca um piano,
Toquei o piano como se acaricia uma mulher,
Acariciei essa mulher como se bordasse em um pano
Todos os encantos que meu peito recitou em meus desejos,

Da neblina fria, nasceu o amor mais intenso,
O sentimento da redenção a um coração cansado,
E se nos braços dessa mulher, eu resgatei meus sonhos,
Nos abraços dos meus sonhos, é que renasci apaixonado;

Na neblina branca - a tela dos amantes,
Na dança das sombras, minha alma enlaçada e louca,
Em meu corpo as sensações da fúria e da volúpia,
E a vida se fez súplica, no som dos beijos de minha boca,

Mas, esse amor intangível a me envolver,
Que da neblina fez seu ventre e nasceu para me amar,
Desapareceu no primeiro raio de luz na verdade de viver,
Se desfez no amanhecer e me perdeu sem ao menos...me tocar!

Horacio Vieira

domingo, 25 de outubro de 2009

Ode ao amor surreal



Ode ao amor surreal


Não sou um homem para se gostar,
Sou um homem a amar!
Tola a mulher que ama um homem qualquer,
Esses homens, sem amor-próprio,
Sem noção da vida, em uma vida de ilusão;
Uma vida assim ácida, depressiva,
Amargurada e mergulhada no passado;
Esses homens que vivem na televisão,
Ou acorrentados ao cabo de uma conexão;

Banda larga, banda curta,
Banda estreita, bunda chata!

Mas, as mulheres até gostam,
Vivem no limiar da loucura virtual,
Fazem do amor, um conto de jornal;
Uma história anormal,
Onde o sexo usa bengala de cego,
E o toque é irreal, e a verdade é trivial!
Não sou um homem para se gostar,
Principalmente, quando a mulher não sabe amar;
E nem sabe o que é amar,

Pessoas casadas, fazendo de conta que o mundo é azul,
Pessoas solteiras, divorciadas, trancafiadas no medo infindo,
Pessoas que se escondem de si mesmo, no riso ardiloso,
Pessoas que vivem tomando banho de lama,
Pessoas que dormem solitárias na cama...
Pessoas cheias de contos dramáticos,
Vitimismos fantásticos,
E tentam seduzir, pela compaixão das dores,
Dos flagelos do açoite feito dos espinhos das próprias flores;

Pessoas que deveriam tentar nos conquistar,
Pela determinação da coragem,
Da coragem dos atos honestos e não da fantasia funesta!

Coragem em continuar vivendo,
Ser feliz, e permitir que sejam felizes!

Faço questão de que me deixem em paz!
Já vi atitudes cruéis demais,
Eu vi o pior das armações, alçapões das mentiras,
Vi seres humanos serem trocados,
Pelos bits brilhantes de uma tela,
Ao invés de serem feitos a mais linda tinta,
A colorir uma aquarela qualquer;

Esse amor de mentiras vira um vício,
E esse vício, torna-se o real ofício,
E lá se vai uma alma a mais para o sacrifício!

Existe sim, uma pessoa carente,
Com seus sentimentos e esperanças,
Mas toda a esperança será perdida,
Se não se der conta,
Que existe além da tela, algo chamado “vida”!

Esse abismo surreal, em que as pessoas vão se jogando,
Em que vivem se conectando,
Pode vir a ser negro e triste!

Não sou um homem para se gostar,
No melhor de mim há o desejo de amar,
Então, meus amigos que me amem,
Como eu sempre os amarei,
Minha família,que me ame,
Como jamais deixarei de amar,
E as mulheres e homens, de visão entorpecida,
Que lembrem, que um dia passou,
Com as mãos estendidas,
Alguém como eu – que nada sou,
Ao largo do precipício de suas vidas...


Horacio Vieira


domingo, 18 de outubro de 2009

Serás minha?



Serás minha?


Já pensou se fostes minha?
Eu de alegria caminharia,
Entre passos de euforia,
Sem saber por onde iria,
E então, assim seria...

A minha vida se encheria,
E uma estrela me diria,
Na noite em que sorria,
Que o meu desejo se cumpria
Em cada beijo que te daria;

E tua boca, adormecia
Na minha boca, que balbucia,
Tão perto, ela diria,
De noite e de dia,
O teu nome, sem o qual eu não existiria;

Feito lenda ou fantasia,
Não me importa a maestria,
Das notas dessa sinfonia;
E nem ao menos, me importaria,
Com o som do mundo, que despertaria

Ao sentir, que nasceria,
Imponente, a harmonia,
De um novo amor, que seduzia
Até a história, que se humilharia,
Frente o compasso dessa poesia.

E na crença certa, da eternidade que viria,
Pelas palavras aqui, tua alma seguiria,
E tão constante quanto as rimas que lerias,
Seria o amor que lhe entregaria,
Se fostes minha...um dia!

Horacio Vieira

(publicado em 18/10/2007 – São Paul/BN)
                Ctt : doc.. 0205-07


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Insegurança



Insegurança



Do que tens medo, mulher?
Se ao sentir-me tão perto do teu corpo,
Os teus braços se movem em minha direção,
E os teus lábios, entreabertos pronunciam,
O meu nome, como um desejo latente
Acelerando as batidas do teu coração,

Do que tens medo, mulher?
Se ao despertar de todos os dias,
Vem a angústia, do tempo que não passa,
Da saudade da minha face em seu olhar,
E desvairada, a esperança, crendo que me perdeu,
Incendeia a lágrima, e a vontade de me amar;

Do que tens medo, mulher?
Se ao chegar em casa, sozinha,
Finges não existir o delírio da solidão,
Mas, são por meus lábios que anseia sentir,
O sabor dos carinhos da sedução,
E a eles se entregar nua, despudorada a sorrir,

Do que tens medo, mulher?
Se ao deitar na cama, minha voz lhe chama,
E sentes teus seios esculpidos por minhas mãos,
Pois no escuro do quarto, nem eles sublimam o vazio,
Dessa minha ausência, em ondas incessantes
Da falta da paz, que só pertence aos loucos e amantes;

Do que tens medo, mulher?
Se ao se deparar comigo,
Todos os seus receios mundanos,
Se fundem aos meus olhares profanos,
E desfazem a razão e o perigo,
Que é me amar tanto o quanto eu te amo!


Horacio Vieira

(publicado em 17/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 0196-07


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Entre o sono e os sonhos.



Entre o sono e os sonhos.



No silêncio da noite, ao fechar dos olhos,
No primeiro passo do sono,
No prelúdio dos sonhos,
Eu desejo te encontrar;

Na madrugada que se inicia,
No prefácio dos sonhos,
Na dimensão do sono,
Abro meus olhos na pretensão de lhe enxergar;

Em meio a constante madrugada,
No reino etéreo do sono,
Escrevo entre os sonhos,
Os versos que irei declamar;

Sob o feitiço da ansiedade,
Meus olhos cansados, peregrinos do sonho,
A esmo na terra do sono,
Ainda teimam em te buscar,

Ao amanhecer, no despertar dos olhos,
No primeiro passo dos sentidos,
No início de mais um dia,
Minhas mãos, o teu corpo, vão procurar,

Mas sei, que talvez sem lembrar,
O teu perfume é uma confissão no ar;
Pois na desventura do sono, por entre os sonhos,
Eu lhe encontrei, e uma vez mais, consegui lhe amar!



Horacio Vieira

(publicado em 16/10/2007 – São Paul/BN)
           Ctt : doc.. 0185-07


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Uma estrela qualquer



Uma estrela qualquer



Em uma noite qualquer,
Sob o céu estrelado,
Um menino deitado, espantado viu
Que no céu estrelado, uma estrela sumiu...
E na inocência então pensou:

“Essa estrela foi dormir!”

E de manhã, quando despertou,
Perguntou se aquela estrela voltaria a surgir.
E sempre lhe vinha a mesma pergunta:

“A estrela que estava lá, aonde ela foi parar?”

Ele brincou de bola, brincou de esconde,
De pega-pega, livre correu;
Brincou de roda, virou Visconde,
Mas um pensamento não se perdeu:

“A estrela que estava lá, aonde ela foi parar?”

Os momentos da vida foram passando,
E de criança, o menino foi se enamorando,
E com os olhos de garoto, ele foi observando,
Que como um pião, o mundo ia girando!
E o tempo, que não para jamais,
Reverenciava em sua memória, o que já não via mais.

E em seus sonhos, os dedos de criança,
Nas mãos de um homem, vasculhavam o céu;
A tornar essa oculta estrela, a esperança,
Descrita na poesia e rascunhada no papel;

Os anos, desenhados em segundos, passaram,
E na máscara do homem, um menino levava a expressão,
De um velho, com uma pergunta criança, em seu coração:

“A estrela que estava lá, aonde ela foi parar?”

E em uma noite qualquer, de um dia comum,
Os velhos olhos de menino, cansados se fecharam!
E em um lugar distante, nesse mesmo instante,
sob o céu estrelado, um menino deitado,
Espantado viu, uma estrela brilhante,
Que no céu surgiu;
E uma pergunta,
No olhar desse menino, então se fez:

“Como foi ali parar essa estrela, que não estava lá?”

E um anjo, ao pensamento lhe sussurou: 
                                          
                                          "Essa estrela, despertou!”



Horacio Vieira

(publicado em 09/10/2007 – São Paul/BN)
              Ctt : doc.. 0132-07