quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Poema da Paz Sublime



Poema da Paz Sublime


Minhas mãos, entrelaçadas a minha frente,
São mãos de promessas e de rezas;
São as mãos de quem as fez em semelhança,
Por isso teimam em se enlaçar,
E se mesclar, em uma só esperança,

Uma voz, delicada, em minha alma,
O som do universo, em silêncio me alcança;
E na solidão que me rodeia, uma lágrima me acalma;

Minhas mãos, tão firmes e fortes,
Se apertam e se abraçam feito dois amigos,
Se unem e se tocam, como dois amantes,
Enfrentam a vida e desprezam a morte;
Nesse momento de prece, o tempo desaparece,
Sou eu em Deus, que me enxergo assim,
E por fim, encontro esse Deus, vivendo em mim;

O Deus dos poetas, dos loucos e das meretrizes,
É o mesmo Deus dos Santos, o Deus que nos guia
nos instantes, nos quais sangram as nossas cicatrizes;

Então, na oração que se inicia,
Temo a inconsistência do meu ser,
Em ser, talvez, pretensioso com os desejos,
Que de reis, em meus tormentos,
Tornam-se mendigos, humildes pedintes pensamentos;
Em meu olhar, lampejos de sussurros ensaiam,
As palavras titubeiam entre os meus lábios,
Que dizem apenas: ”Paz, meu Pai!”

E à luz, que então me cega, peço que me ilumine,
Pois sei que na escuridão do que não compreendo,
Somente ela me aquece, acolhe e me redime...


Horacio Vieira

(publicado em 09/02/2008 – São Paul/BN)
               Ctt : doc.. 0137-08

Um comentário:

  1. F A B U L O S O! Uma prece em forma de poema. Súplica e gratidão... Paz!!! Deus te abençoe, caro mio. Ainda hei de encontrar uma coletanea sua editada e nas prateleiras das melhores livrarias deste país. Bjusss.

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