quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O meu silêncio



O meu silêncio


O meu silêncio não se cala,
E o meu silêncio, não consente,
É um silêncio consciente,
De um vazio constante,
Por onde desbravo calado,
A solidão do meu ser;
O meu silêncio sente,
Mesmo dormente,
Cada vibração do som,
Do tom de cada palavra,
Que ainda não disse,
Mas que penso em dizer;
O meu silêncio é inerente,
Aos que buscam a verdade,
Que transpiram sinceridade,
E que se calam na certeza,
Frente à incerteza dos erros,
Na vontade sublime de ser;
O meu silêncio pode ser indecente,
Mas é decente no sorriso discreto,
Tímido no palco descoberto,
Aonde protagoniza no olhar,
A realidade distorcida,
Daqueles que gritam, sem nada a falar;
O meu silêncio é agressor,
Das provocações sem sentido,
Dos comentários indecisos,
E das mentiras soberanas,
O meu silêncio não se aquieta,
Não se ajoelha e nem reverencia,
Os senhores da injustiça;
Que o meu silêncio, seja assim,
Um desprezo anarquista,
Daqueles, que de um nada sem fim,
Acabe por me inspirar á toa,
E me faça escrever, baixinho,
Como se cantasse contemplando,
A poesia que no meu peito é rebeldia,
Mas que de mansinho, vou rabiscando...

Horacio Vieira

(publicado em 17/11/2007 – São Paul/BN)
             Ctt : doc.. 1256-07

Um comentário:

  1. Caro mio, aceito o teu silencio e afirmo-te que o meu também não se cala, ele aqui se faz presente para vibrar em tua mente que cada vez mais vc encanta. Ouvi dizer que enquanto houver poetas no mundo haverá um rastro de luz e de amor entre as criaturas. Tal qual pequeno inseto, a luz me atrai e me transforma em sua eterna seguidora. Sds...Bjuss... Elisabete

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