sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Instantes de Luz

Instantes de Luz


Talvez por um instante,
Um brilho diferente de uma luz no céu,
Atraia nossos olhares para uma única direção,
E talvez nesse instante,
Um beijo nos chegará suavemente,
Deixando em nossa face um sorriso contente,
E nesse instante,
Existiremos um para o outro,
E nossa alma nos dirá que sós, somos pouco,
E em um instante,
A vida seguirá o rumo do encontro,
E amiúde haveremos de nos saber e nos sentir,
Inexistirá o instante,
Em que teremos medo de prosseguir,
E nem mais o vazio da procura angustiante,
Uma procura que a todo instante,
Nos brindava com a loucura enquanto sãos,
Pois ríamos dos lamentos da solidão!
Ríamos a todo instante,
Como se soubéssemos de nós,
Como se desatássemos o nó,
Que a todo instante,
Nos mantinha presos aos desejos,
Escritos nos salmos proféticos em beijos,
Nos beijos que rabiscaram esse instante,
Nos beijos que delinearam a sombra,
Da esperança saciada pelo tempo,
Que nos regou de instantes,
Iguais a esses em que nos tocamos,
Através de um brilho diferente,
De uma luz distante,
Que vive no céu dos amantes...


Horacio Vieira

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Recomeço do Sentir

Recomeço do Sentir


E então, um beijo em minha face
Desfez os erros, e a culpa - abnegada,
Retirou dos ombros meus o peso e o enlace
Da cruz em minhas costas cravejada;
Era minha a alma crucificada!
Era minha a lágrima derramada!
Lamentava o meu corpo no suor que vertia,
Na febre de uma dor que minha alma corroia,

Um beijo somente, sincero e dolente,
Rompeu as correntes da penitência,
Liberou meu coração dorido,
Da ingratidão que o condenou
às masmorras da consciência,
Por amar demais a quem nunca o amou;

E na veste de um beijo, o recomeço,
Inocente beijo que desenhou o desejo,
Desdenhou do pudor e manteve aceso,
O vigor das volúpias em chama,
A fundir todas as percepções no ensejo,
De permitir-se por inteiro, no efêmero instante,
Sentir o toque de um amor verdadeiro.

Amor de um beijo que no beijo me chega,
Tornou suave o caminhar em meus dias,
Levou consigo a amargura e a solidão,
Entregou ao meu olhar o brilho e a alegria,
Deixou-me o suspiro da vida e a ousadia,
Apagou de mim a incerteza e deixou a verdade,
Que amar não semeia a agonia,
E que o amor não sobrevive aos covardes...

Horacio Vieira

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Passar da Moça

O Passar da Moça

Sempre na mesma hora eu fico esperando,
Olhando essa moça a passar por mim,
Ela vem chegando com passos suaves,
Nos compassos do meu coração
Que beleza serena a dessa moça,
De uma serena inocência a me conquistar,
Não me atrevo a lhe chamar,
Ela nem sabe que eu existo,
E que estou sempre a lhe admirar;

Gosto de vê-la passar,
O tempo para e me sinto mais jovem,
Tenho vontade de pular, cantar, rodar,
Me fantasiar de palhaço e no chão rolar,
Dar piruetas no ar e de repente,
Uma rosa de minha mão surgir,
E lhe oferecer timidamente;
Mas não me atrevo a chamar,
Essa moça que passa por mim;

Que Deus foi esse que a criou assim?
Tão cheia de luz e tão linda de se ver,
Se a perfeição existe, nela reside,
Seus olhos são negros da escuridão,
A destacar o brilho dos seus sorrisos,
Seus lábios são vermelhos e sedutores,
Uma boca que se encontrar a minha,
Despertaria todos os vulcões,
Em minha alma adormecidos;
Em seus seios a harmônica precisão,
A síntese mais que perfeita da natureza, 
Ventre, coxas, pernas e pés,
O Éden em forma de mulher;

Será que alguma divindade,
Com inveja dessa beleza,
Dos céus do Olimpo a expulsou,
E ao enviá-la a terra, me condenou!
Ou talvez, será que algum Deus eu insultei,
E sou eu o condenado a lhe ver passar?
Se condenado for, meu olhar agradece,
Se ela expulsa foi, atenderam minhas preces;

O que importa é saber,
Que todos os dias eu espero para ter,
Um pouco dessa moça que me faz viver,
E eu, não haverei de lhe chamar,
Pois quem sabe assim,
Não quebro o encanto que a traz pra mim...

Horacio Vieira


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Estrela Mulher

Estrela Mulher


Estrelas, astros que brilham no céu,
Planetas em intenso fogo,
Que se consomem em rubras labaredas,
Acendem o desejo por caminhos de luz,

Estrelas pequenas, lindas crianças,
Que brincam de ciranda e entoam canções,
Melodias da esperança na imaginação,
E vivem nas fantasias das constelações,

Estrelas são marcas dos saltos de um Deus,
Que de pulo em pulo foi criando a vida,
Enquanto sorria, ele ponteava a pintura,
No afresco das noites em que o amor surgia,

As estrelas são da saudade, confidentes,
A guia dos perdidos navegantes,
A expressão da mulher que vive distante,
A preencher a vida de um querer inocente,

Um homem sem mulher é um céu sem estrelas,
Noites encobertas por nuvens de ilusão,
Amar uma mulher é sentir a pulsação,
Da alma de uma estrela a arder no coração,

Que venha ao meu leito uma estrela ardente,
Uma mulher cadente rasgando o céu do meu peito,
E que o brilho da luz em sua pele me faça ser,
O manto escuro das noites eternas a lhe acolher.

Horacio Vieira