segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Resistência



Resistência


Nesses caminhos mal traçados,
Que a tristeza deixou em meu rosto,
Existem segredos bem guardados,
Que trazem consigo o desgosto,
Das derrotas que sofri nessa vida;

E quanto deixei de mim nas lágrimas,
Contidas na esperança, que pensei perdida,
A cada passo que dei no sentido inverso
De cada derrota que pareceu ser um abismo,
A minha frente, eu mudei o meu destino;

E tantas vezes quanto muda o universo,
Que se acomoda ao desejo do desatino,
Vivendo em uma plenitude sem nexo,
Assim, eu alterei calado meu caminhar,
E bebi das emoções que ainda viviam em meu olhar;

Aprendi que não se deve falar,
Das fraquezas do que se teme perder,
O quanto é descartável o ser verdadeiro,
E o quanto se faz de vaidade a verdade,
No jogo podre da ascensão insensata;

E eu, que pensei ser o espectador,
Era o protagonista sem ser o ator,
E mesmo caído no tablado, desse palco de picadeiro,
Eu me ajoelhei, e insisti, em vencer cada desventura,
E a não ceder aos enganos da solidão que me tortura;

E em silêncio, andar novamente em direção,
Ao tudo o que sou antes do que me fizeram ser,
E hoje, ao primeiro passo de cada manhã,
Mesmo sabendo que não me deixarão vencer,
Por ferir a razão de uma inquisição qualquer,

Eu perpetuo a minha alma em cada letra a escrever,
Pois cada palavra sobreviverá ao tempo em todo lugar,
Pois sempre será minha, essa inspiração a mostrar,
Ao mundo, que da poesia que me fortalece,
Ninguém, jamais conseguirá me afastar...


Horacio Vieira

(publicado em 25/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 0231-07

sábado, 28 de novembro de 2009

Engano



Engano


Não te quero mais!
Decididamente, eu resolvi,
E não te quero mais!
E assim, não te querendo,
Preciso ir aprendendo,
Como será viver,
Sem o ar para respirar,
Sem o chão para pisar,
Sem o céu para admirar,
Sem as estrelas para me guiar,
Sem a Lua para me inspirar,
Sem o sono para descansar,
Sem sonhos para sonhar,
Sem a luz para me despertar,
Sem o dia para esperar,
A noite que não mais trará,
O teu perfume pelo ar.
E sendo assim, eu desconfio,
Que a minha vida estará por um fio,
Se de repente, eu desejar,
Em um rompante...não te amar!
Melhor será aceitar,
Que sem você sou incapaz,
E que nesse amor, contumaz,
O melhor é me perdoar,
Por continuar, a cada dia,
te querendo, sempre mais!


Horacio Vieira

(publicado em 24/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 0279-07

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Lua Escondida



Lua Escondida


Nessas noites, com a lua escondida,
Eu me entristeço a esperar,
Que as nuvens, dêem lugar à vida,
Que somente sua luz faz iluminar,

Ah! se pudesse, despia essa lua no suspiro,
Arrancava-lhe as nuvens atrevidas
Que ousaram o seu brilho encobrir,
E assim, despudorada, ao meu olhar se entregarias,

E ao desenlaçar o seu vestido de mulher,
Suave e ávido, na ânsia de vê-la surgir,
Na alva tez da pele sua, a me seduzir;
Lhe pediria delicadamente:

“Não se escondas de mim, lua minha!
 Não nos percamos na escuridão do caminho,
 Que é o destino sem você a me guiar,
 Que é você sem que eu continue a te buscar,

 Somos do desejo a combinação,
 Perfeitos no amor e na percepção,
 Sou o querer que te faz paixão,
 E você, a paixão devoluta em amor,

 Sem você, estou perdido,
 Vagando por um céu, escuro e desprovido,
 De qualquer luz a me resgatar,
 Desta negra solidão, que é viver lhe procurando;

 E viver, uma noite sem você,
 É sentir minha alma, quase cega, sofrendo repartida,
 Por entre as estrelas da noite, que iludidas,
 Tentam em vão, compensar a tua falta em minha vida!”

Nessas noites, nas quais a lua fica escondida,
Eu me entristeço a esperar,
Que as nuvens se afastem, e devolvam a vida,
Ao meu olhar, no beijo do brilho de um singelo luar!


Horacio Vieira

(publicado em 23/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 0252-07


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Naturalmente...ser!



Naturalmente...ser!


É nas horas incertas, que o bonito se faz feio,
E o feio nos agrada!
Na dúvida de ser, a vaidade impera,
E a simplicidade do existir,
Que antes era natural,
Curva-se à complexidade do exibir,
Frente à tragédia do artificial;
E uma vez dominadas,
As mentes fracas desafiam o destino,
Dilaceram a alma nas adagas,
Dos mágicos, que em puro desatino,
Tentam agradar uma platéia,
Para receber os aplausos e olhares,
Que serão sempre vazios no conteúdo;
Olhares satisfeitos pela casca de um fruto,
Oriundo do nada e que de repente, se faz tudo,
Na frente de um espelho frio,
Que não pensa e é mudo!
Mas o poeta não se engana,
Basta um olhar de menina,
Para revelar a poesia adormecida,
Na beleza da alma feminina;
E então, ele sorri e agradece à vida:
"Abençoada a mulher,
Que sorri na delicadeza,
De aceitar a natureza,
De ser tão linda como é!"

Horacio Vieira


(publicado em 20/10/2007 – São Paul/BN)
           Ctt : doc.. 0218-07

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ilusões



Ilusões


Os homens também nutrem ilusões,
Tantas e tão ardentes,
Que o silêncio de suas preces, despertam vulcões,
Criam erupções em um mundo novo, incandescente;

Lavas de lágrimas pelos olhos vermelhos,
Fluindo no olhar o magma de um coração,
Inextrícável mescla de elementos e meios,
Por onde vaga um homem, perdido na paixão;

E no caminho, na ansiedade da sedução,
Formam-se ilhas de delírios,
E dessas ilhas solitárias, que são só suas,
Sobrevive o homem, no corpo da mulher nua;

As ilusões, em um homem quando ama,
São batalhas travadas ao deitar,
Os lençóis rasgados quando se agita a cama,
O calor no suor do corpo a se tocar;

E persiste o homem, nessa desventura,
A alma incita e o coração instiga,
E teima em explorar esse mundo de loucuras,
Aonde a mulher se faz chão, céu, alimento e vida;

Nesse instante, desvairado, perde-se a razão,
E o universo, apreensivo, cala-se na emoção,
Ao ver a luta de um homem,
Recriando o amor em seu coração;

Talvez assim, o homem compartilhe a sensação,
De sentir-se tal qual um Deus,
Que do corpo da mulher desejada, nutre a ilusão,
De ser ele, por um instante, o Deus da criação!


Horacio Vieira