domingo, 25 de outubro de 2009
Ode ao amor surreal
Ode ao amor surreal
Não sou um homem para se gostar,
Sou um homem a amar!
Tola a mulher que ama um homem qualquer,
Esses homens, sem amor-próprio,
Sem noção da vida, em uma vida de ilusão;
Uma vida assim ácida, depressiva,
Amargurada e mergulhada no passado;
Esses homens que vivem na televisão,
Ou acorrentados ao cabo de uma conexão;
Banda larga, banda curta,
Banda estreita, bunda chata!
Mas, as mulheres até gostam,
Vivem no limiar da loucura virtual,
Fazem do amor, um conto de jornal;
Uma história anormal,
Onde o sexo usa bengala de cego,
E o toque é irreal, e a verdade é trivial!
Não sou um homem para se gostar,
Principalmente, quando a mulher não sabe amar;
E nem sabe o que é amar,
Pessoas casadas, fazendo de conta que o mundo é azul,
Pessoas solteiras, divorciadas, trancafiadas no medo infindo,
Pessoas que se escondem de si mesmo, no riso ardiloso,
Pessoas que vivem tomando banho de lama,
Pessoas que dormem solitárias na cama...
Pessoas cheias de contos dramáticos,
Vitimismos fantásticos,
E tentam seduzir, pela compaixão das dores,
Dos flagelos do açoite feito dos espinhos das próprias flores;
Pessoas que deveriam tentar nos conquistar,
Pela determinação da coragem,
Da coragem dos atos honestos e não da fantasia funesta!
Coragem em continuar vivendo,
Ser feliz, e permitir que sejam felizes!
Faço questão de que me deixem em paz!
Já vi atitudes cruéis demais,
Eu vi o pior das armações, alçapões das mentiras,
Vi seres humanos serem trocados,
Pelos bits brilhantes de uma tela,
Ao invés de serem feitos a mais linda tinta,
A colorir uma aquarela qualquer;
Esse amor de mentiras vira um vício,
E esse vício, torna-se o real ofício,
E lá se vai uma alma a mais para o sacrifício!
Existe sim, uma pessoa carente,
Com seus sentimentos e esperanças,
Mas toda a esperança será perdida,
Se não se der conta,
Que existe além da tela, algo chamado “vida”!
Esse abismo surreal, em que as pessoas vão se jogando,
Em que vivem se conectando,
Pode vir a ser negro e triste!
Não sou um homem para se gostar,
No melhor de mim há o desejo de amar,
Então, meus amigos que me amem,
Como eu sempre os amarei,
Minha família,que me ame,
Como jamais deixarei de amar,
E as mulheres e homens, de visão entorpecida,
Que lembrem, que um dia passou,
Com as mãos estendidas,
Alguém como eu – que nada sou,
Ao largo do precipício de suas vidas...
Horacio Vieira

