sábado, 24 de dezembro de 2011

Desejo de Natal



         Desejo que esse Natal não venha a ser apenas uma data festiva a mais no calendário. E sim, um momento no qual todas as tristezas desapareçam no exato instante em que todas as mágoas se tornem esquecidas, perdidas entre todas as diferenças, que outrora feridas, hoje são igualadas e apagadas em meio a todas as enxurradas de lágrimas que secaram ao fazerem com que todos os sorrisos florescessem em meio a todos os diálogos que haverão de se tornar compreensivelmente cintilantes, no entendimento da alegria em se querer bem a qualquer pessoa - que somente por estar ao nosso lado - já demonstra a atitude maior do presente mais do que esperado, que é sentirmo-nos vivos sendo amado e amando cada vez mais e tanto, independente da reciprocidade do sentimento de um momento.
O Natal é a tatuagem gravada no tempo, onde temos a oportunidade de levar em nossa alma e ler em nossa pele, o quanto é importante fazer alguém feliz ao sermos feliz por esse, por todo ou por qualquer alguém.

Talvez por um instante, ou melhor se por toda uma vida...

Que todos tenham mais um inesquecível momento de Natal.

Horacio Vieira

sexta-feira, 2 de setembro de 2011


Universo sem Poesia


Intacto e pasmo ficou,
Estupefato permaneceu,
O universo calou!
O mundo parou e o tempo se perdeu,
E todas as coisas ao redor se aquietaram.
O sol, temeroso, não se mexeu,
E o pássaro pousou na rama,
E com a flor, o suspiro escondeu,
Seu canto emudeceu;
O vento sem fôlego cessou;
As folhas das árvores não se mexiam,
Não se roçavam e muito menos sussurravam;
Todo o fogo que ardia em chama,
Não mais queimou;
E as nuvens, em silêncio, observavam,
Os deuses pagãos que se debatiam,
Enquanto suas ninfas e musas enlouqueciam,
Clamando pelos heróis esquecidos,
Lamentando os amantes perdidos;
As estrelas sem brilho,
E uma lua sem glória,
Fez o homem, da mulher, desencontrar,
E a mulher – desencontrada - chorou,
Ao ver-se sem a alma e sem o homem,
Por quem tanto procurou;
As flores perderam a cor na seiva, que secou;
Tudo parou...
Pois, houve um poeta, a quem a desilusão cegou,
E compartilhando a escuridão desse vazio,
Oculto na fala silenciosa,
Do olhar do poeta que não mais escrevia,
O universo, sem a poesia, desesperou!
Por eternos segundos de agonia,
De um desamor que ao poeta consumia,
Desta dor lacerante, veio a rebeldia;
E seu coração, inquieto,
Em sua lembrança ressuscitou,
O olhar da poesia, ainda criança,
Que seu peito sempre abrigou;
E a inocência, dessa alma, revelou,
A essência viva do mais puro amor,
E o poeta, inspirado, voltou a sonhar,
E em cada verso que escrevia,
Foi devolvendo ao universo,
Que o acolhia e por ele sofria,
Rima por rima, a vida em forma de poesia!


Horacio Vieira

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Luar de Inverno


Luar de Inverno


A noite chega fria em um imenso vazio,
Minhas mãos buscam o teu corpo,
Mas o teu corpo, da minha vida sumiu.
Meus braços te procuram como loucos,
Porém, se retraem no escuro do que existiu.
Abro os olhos e na penumbra que me ladeia,
Presumo atingir o limiar do infinito,
E invadir o dormitório das estrelas.
E eu as vi dormir.
Fui mais longe do que se pode ir,
Na tentativa de perseguir o rastro,
Desse astro louco, que aquece esse teu corpo,
Que ilumina – escondido - o teu peito,
E que irradia o calor úmido,
Dos trópicos abaixo da linha da cintura,
Na latitude e longitude exatas,
O ponto onde se fixa a minha loucura.
Que falta você faz!
E nessas frias noites de luar,
Empresto da madrugada seu segundo plano,
Deixo as estrelas sem seu fundo escuro,
E uso esse véu sereno de um azul moreno,
Para cobrir meus olhos e não enxergar,
Que por uma noite a mais neste inverno,
Não será teu o corpo, a me esquentar...

Horacio Vieira

sábado, 6 de agosto de 2011

Um sorriso no olhar


Um sorriso no olhar


O primeiro sorriso, eu vi no seu olhar,
Um olhar que no sorriso era um mundo,
No segundo sorriso, o desejo era de amar,
E viver amando a cada segundo;

No terceiro sorriso eu já nem sabia,
Se era de verdade a mulher que me encantava,
E a esse encantamento, me entregaria,
Desejando a realidade dessa mulher adorada;

No quarto sorriso, eu tive a certeza,
Que ela existia e que era dela a minha felicidade,
Foi honesta ao se expor, e essa é sua beleza,
Jamais se escondeu em mentiras e falsidades;

No quinto sorriso, não suportei,
Peguei em sua mão, seu rosto acariciei,
De seus lábios me aproximei,
E um beijo em seu sorriso, lhe dei!

Horacio Vieira

Poema dedicado a Alessandra,
A mulher que me faz amar,
No sorriso do seu olhar...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Da Janela



Em cada verso o universo se revela,
Salta, pula e se expande nas estrelas,
Mas, somente o olhar da moça na janela,
É capaz de o ver contido na luz da lua cheia.


“Inebriante!” - Diria a mulher de desejos 
                                                           apaixonados,
“Encantador!” - Sussurraria a menina romântica,
                                  crente ainda na existência do 
                                                      verdadeiro amor.


Mas, da janela a moça ao poeta declara:

“Em cada verso eu o recrio,
Para que assim, tenha a nítida sensação,
De que tu és outro com o mesmo coração.
Pode uma alma dividir-se?
Quem é o poeta de quem espero,
Alegre e ansiosa os versos diários,
Cujas palavras brincam em meus sonhos,
No leito de minha cama?
Ah, poeta que me excita a alma,
Diante de teus poemas, nua me sinto,
E assim, perigosa e deliciosamente nua,
Sou eu, que em cada verso a ti me revelo!”


Eu, na quietude da inspiração reflito,
Olhando no horizonte o espaço infinito,
Imaginando como pode uma carícia,
Estar contida nas letras de um sentimento.
Talvez, se regressar no tempo,
E remexer na esquecida saudade de um tormento,
Quem sabe, encontre a resposta aos pensamentos,
Que tanto me instigam a alma,
Essa condutora ilustre do meu corpo,
Ávida espectadora dos momentos,
A acalantar todos os meus lamentos.

Sinto que a memória maquiada em saudades,
Em beijos esquecidos, manteve a beleza,
Delineando nos anseios da mulher amada - a paixão,
Nos sussurros da menina romântica - a esperança,
E nos versos deste poeta a certeza,
Que nos desejos de uma mulher,
Com a cabeça recostada a flutuar na ilusão,
A vida se redescobre com a mesma delicadeza,
Dos versos nos poemas de um amor qualquer.

Se a esse poeta um dia for concedido,
O poder de repartir-se em dois,
Que então, eu me divida, metade no olhar,
E a outra metade no abraço do querer
Do sincero amor, no desejo da esperança,
De ofertar à mulher menina,
A exaltação de um universo,
Incoercível em versar o amor,
Em noites nas quais, de uma janela,
Em um suspiro, ela me domina!


Horacio Vieira

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sonho de garoto




Sonho de garoto


Os raios da manhã são guardiões,
Dos afagos que havia nos abraços
Daquela moça que me aviltava a infância.
Ah, infâmia, de mim mesmo!
Criança no insulto do querer em ser adulto.
Lembro que bastava somente ouvir,
Os passos da sandália arrastando
Pelo piso frio do corredor,
Que eu, já me escondia, tímido,
E fingia dormir, por debaixo do cobertor,
Somente para que, delicadamente,
Ela tocasse em mim para me despertar,
Trazendo o chocolate misturado ao leite quente
Que, de uma certa forma, tal qual ela,
Em meu sonho de garoto,
Eu tanto sorvia freneticamente.
Era uma poção enfeitiçada na xícara,
Que continha a erupção do ímpeto hormônico,
Do fervor pré-adolescente
Que me levava a crer, sempre,
Que lá estava ela, deitada, no líquido esfumaçado.
E o que os meus lábios tocavam,
Era a pele, daquela moça, na cor do líquido,
Que tanto adoçavam a minha vida nas manhãs.
Ela tinha o sorriso branco feito um lençol de linho
Pendurado no varal da sua boca,
Secando ao vento dos meus suspiros,
E para o meu desconforto, imagino,
Vivendo no desejo de outros homens,
Que infelizmente, não era eu.
Hoje em dia, feito homem,
O tempo faz da lembrança uma cama desarrumada,
Onde a saudade foi a amante desajeitada,
Bagunçando as fronhas de um travesseiro,
Que nas noites, acolhe os desejos e sonhos,
Aguardando, quem sabe ainda escutar,
Em uma manhã qualquer,
O compasso da melodia, daquela sandália,
Arrastando pelo piso frio a mesma emoção,
Dos carinhos que me fizeram, descobrir a mulher!


Horacio Vieira

terça-feira, 19 de julho de 2011

Arrogância


Arrogância


O pior vício é a arrogância,
A pretensão em ser, de outras vidas, o senhor,
O rei impostor da vaidade em abundância,
Alimentando a elegância com rancor;

A arrogância é o pior vício,
É o sentimento de posse desmedida,
É a condenação da humildade ao precipício,
É o sádico fantasiado de homicida;

A arrogância é o vício pior,
É o putrefato espírito na escuridão,
Adornado pela lágrima feroz,
Encenada no palco da opressão;

O pior vício é a arrogância,
É a ganância embebida no pecado,
É ter amigos em sonhos, acorrentados à ignorância,
Do soberbo que morre só, crendo estar acompanhado!


Horacio Vieira

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Alvorecer


Alvorecer


Quando o vento toca o meu rosto,
Sinto minha alma desprender,
Deixa comigo o suave gosto,
Do beijo mais doce, a me entreter;

Quando minha alma se desprende,
No vento que toca o meu rosto,
Nada mais me surpreende,
E um sorriso, vem em paz, e é exposto;

Quando nada mais me surpreende,
Após minha alma se desprender,
Meu olhar mistura o céu e se rende,
Ao mel da cor do sol do entardecer;

Quando meu olhar mistura o céu,
Ao mel da cor do sol do entardecer,
Lentamente, o tempo tece um véu,
Encobrindo o dia, revelando o anoitecer;

Quando o tempo tece um véu,
Encobrindo o dia e revelando o anoitecer,
Brincando, as estrelas brilham no bailéu,
Da madrugada, velando o amanhecer;

Quando o vento para de soprar
A vida se refaz, ao alvorecer,
A minha alma volta a se apegar,
Ao sorriso, em meu rosto, na alegria de viver!


Horacio Vieira

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Uma Palavra na Prece




Uma Palavra na Prece


A palavra escrita jamais cala,
Ela nasce de um pensamento que fala,
A palavra escrita é sentida e exalta,
O aroma da inspiração de quem a exala;

A palavra é sagrada e se faz perpetuar,
Na ilusão do sim, na desilusão de um não,
Ou na sensualidade que insiste insinuar,
Que toda letra, seduzida, é amante da emoção;

E ao poeta, sob a fina folha de linho branco,
Cabe manter, no contorno desse manto,
A plenitude do insurgente fulgor aceso,
Delineando na sombra, a fuga aos limites do desejo;

Na palavra escrita e lida,
Enquanto a voz emudece, o olhar grita,
Faz da imaginação a musa anarquista,
A artista equilibrista entre as linhas redigidas;

A palavra encanta a quem souber vê-la,
E quem as lê, escuta a própria alma,
A contar os pingos de luz, estrela por estrela,
Nas noites de singela calma;

A palavra que nos toca é o reflexo da essência,
Daqueles que souberam amar na dor,
E quem resistiu traz em si a sensibilidade,
De criar de uma só palavra, mil preces de amor!

Horacio Vieira
(publicado em 21/08/2008 – 05:03/São Paulo/BN)
Ctt.doc.20121074/08-F
(reescrito e republicado em 09/06/2011)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Complexidade Vital




Complexidade Vital


Risos coloridos na imaginação,
Frutos proibidos que balançam ao vento,
Sorrisos discretos na insinuação,
Verdades molhadas que brilham nos lábios,
Que se abrem a um beijo que flutua no olhar,
Entre gestos mágicos que encantam o mundo;

As mãos de menina despertam o espelho,
Que reflete a beleza que aos homens atiça,
E revela os segredos da mulher que enfeitiça,
Que traz em suas veias a poção,
Enlouquecendo os hormônios que darão o tom,
Do desejo dissimulado na cor do batom;

Mulheres, a colorir a vida,
São aquelas que chegam inteiras e sem fim,
Pois, o fim será viver no tempo,
Sem o corpo de uma mulher a nos acalentar;

Carinhos, dengos e artimanhas,
Repletas de incertezas que chegam depois,
O pueril receio inerente,
De se entregar à paixão de um,
Gerando um amor compartilhado em dois;

Mulheres que sabem amar, sempre são desejadas,
Pois são delicadas na alma e no olhar,
Se fazem indomáveis e se rendem no aconchego,
Detém o poder de criar a harmonia,
No destempero do desequilíbrio,
Mulheres odeiam amando e amam odiando,
E sempre carregam em si a vontade eruptiva,
De amar e beijar, amar e beijar e amar e beijar;

Aos que se atrevem a amar uma mulher,
Entre a vida e a morte, a verdade que existe,
É que sem a complexidade da mulher...
                                    ...o homem não vive!

Horacio Vieira.
(publicado em 05/01/2001 – 04:55/São Paulo/BN)
Ctt.doc.20170525/09-A
(reescrito e republicado em 08/06/2011)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Reencontro da Poesia



Reencontro da Poesia


Meu destino reencontra a poesia,
Nas sinuosas curvas dessa mulher,
Na sombra que a penumbra delineia,
Na palpitação desse meu peito arredio,
No desejo que minha cama incendeia,
Nessa pele onde o pensamento é vadio;

Ouso, na alquimia dos amantes, o impossível,
E mesclo os raios do sol com o seu olhar,
E do brilho, trêmulo, de uma vela a chorar,
Suscito o fogo inquieto,
De uma estrela , desnuda, a lhe incendiar;

Mulher, que me enlouquece,
Guie os braços teus e acolha o corpo meu,
Decifre entre os ventos, o intrínseco pedido,
E permita-me entrar em teus domínios,
Carregue minha alma aos limites dos delírios,
E depois, devolva-me no êxtase de mim mesmo;

Para que possa dia após dia,
Compartilhar em teu corpo o amor,
Que a esperança em minha alma conservou,
E assim, perpetuar em teu peito a poesia,
Que o meu destino reencontrou.


Horacio Vieira
(publicado em 02/01/2009 – 11:17/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20168563/09-A
(reescrito e republicado em 07/06/2011)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Véu de Prata



Véu de Prata


Se disfarço o que me desfaz, em um véu de prata,
É porque do meu olhar, outrora incandescente,
Em cascatas, a solidão desaguou uma mulher;
Uma mulher que me chegou feito um desejo,
Se entregando ao ímpeto da sensualidade,
Adornando a vontade, que no silêncio se liberta,
Insurgindo em meu corpo, pelos portais da alma,
A buscar, constante, no horizonte do destino,
As trilhas insanas do inverso da razão;
Quero dessa mulher, desvendar a razão dos sentidos,
E confundir o sentido de existir no toque dos lábios,
A sentir todas as delícias, das carícias, dos beijos,
Que me vierem intensos e desenfreados;
Ambiciono, ao beijá-la, fechar os olhos,
E com os olhos fechados, conquistá-la sem permissão;
E que do delito, do deleite, dessa invasão,
Que ela, me encadeie aos labirintos do seu corpo,
E que negue até a última instância,
A absolvição de todas as saídas,
Enquanto, seus braços me contiverem!
Essa mulher, em mim, é uma estrela distante,
Uma estrela pequena, com uma luz irradiante;
Quem sabe, quando a encontrar,
A lembrança desse instante permaneça em mim,
Como um momento eterno, a me guiar,
Por entre os sonhos, nos quais eu a sinto viva,
Por entre a vida, na qual eu a sinto sonho.
E assim, entre o amor real de um sonho,
E o sonho real desse amor em mim,
Eu, pouco a pouco vou me desfazendo;
E cubro a solidão, demarcada, em minha face,
Com a prata do véu, disfarçada em minhas lágrimas.

Horacio Vieira 
(publicado em 19/11/2008 – 07:17/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20143075/08-F
(reescrito e republicado em 06/06/2011)

domingo, 5 de junho de 2011

Bem-te-vi


Bem-te-vi


Não se compara ao canto de um pássaro,
O som da tua voz no despertar de mais um dia;
Mas, enquanto sua voz emudece na distância,
O canto desse pássaro,  tua ausência, reverência;

Esse pássaro que me desperta nas manhãs,
Tem o canto triste dos que vivem na solidão,
Tem o olhar distante dos que lembram o amor,
A buscar no horizonte a esperança de todo o dia,

Ele almeja, que seus voos errantes,
Encontrem e findem a dor de um encanto,
Que o faz cantar em agonia ao lembrar,
Que amou mais do que supunha, fosse capaz;

Se o universo me atendesse, me transformaria,
Seria eu o pássaro que te acordaria,
Sentirias em meu cantar, os desejos que tive,
E faria do meu canto uma prece em melodia;

Em sua janela, brandamente pousaria,
E cantaria, enquanto dormias: lembrei-de-ti!
E se assim, pudesse ser, lhe revelaria,
A alegria dos sonhos, nos quais sempre bem-te-vi...


Horacio Vieira
(publicado em 04/10/2008 – 08:42/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20137274/08-F
(reescrito e republicado em 05/06/2011)