domingo, 5 de junho de 2011

Bem-te-vi


Bem-te-vi


Não se compara ao canto de um pássaro,
O som da tua voz no despertar de mais um dia;
Mas, enquanto sua voz emudece na distância,
O canto desse pássaro,  tua ausência, reverência;

Esse pássaro que me desperta nas manhãs,
Tem o canto triste dos que vivem na solidão,
Tem o olhar distante dos que lembram o amor,
A buscar no horizonte a esperança de todo o dia,

Ele almeja, que seus voos errantes,
Encontrem e findem a dor de um encanto,
Que o faz cantar em agonia ao lembrar,
Que amou mais do que supunha, fosse capaz;

Se o universo me atendesse, me transformaria,
Seria eu o pássaro que te acordaria,
Sentirias em meu cantar, os desejos que tive,
E faria do meu canto uma prece em melodia;

Em sua janela, brandamente pousaria,
E cantaria, enquanto dormias: lembrei-de-ti!
E se assim, pudesse ser, lhe revelaria,
A alegria dos sonhos, nos quais sempre bem-te-vi...


Horacio Vieira
(publicado em 04/10/2008 – 08:42/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20137274/08-F
(reescrito e republicado em 05/06/2011)

Um comentário:

  1. Varias destas aves são minhas vizinhas. Eu as ouço todos os dias, no amanhecer e no entardecer. Porém, a partir de hoje, seu canto jamais será o mesmo...

    Quanta delicadeza. Quanta beleza. Lindo, lindo este poema. Bjussss. Elisabete.

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