quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Da Janela



Em cada verso o universo se revela,
Salta, pula e se expande nas estrelas,
Mas, somente o olhar da moça na janela,
É capaz de o ver contido na luz da lua cheia.


“Inebriante!” - Diria a mulher de desejos 
                                                           apaixonados,
“Encantador!” - Sussurraria a menina romântica,
                                  crente ainda na existência do 
                                                      verdadeiro amor.


Mas, da janela a moça ao poeta declara:

“Em cada verso eu o recrio,
Para que assim, tenha a nítida sensação,
De que tu és outro com o mesmo coração.
Pode uma alma dividir-se?
Quem é o poeta de quem espero,
Alegre e ansiosa os versos diários,
Cujas palavras brincam em meus sonhos,
No leito de minha cama?
Ah, poeta que me excita a alma,
Diante de teus poemas, nua me sinto,
E assim, perigosa e deliciosamente nua,
Sou eu, que em cada verso a ti me revelo!”


Eu, na quietude da inspiração reflito,
Olhando no horizonte o espaço infinito,
Imaginando como pode uma carícia,
Estar contida nas letras de um sentimento.
Talvez, se regressar no tempo,
E remexer na esquecida saudade de um tormento,
Quem sabe, encontre a resposta aos pensamentos,
Que tanto me instigam a alma,
Essa condutora ilustre do meu corpo,
Ávida espectadora dos momentos,
A acalantar todos os meus lamentos.

Sinto que a memória maquiada em saudades,
Em beijos esquecidos, manteve a beleza,
Delineando nos anseios da mulher amada - a paixão,
Nos sussurros da menina romântica - a esperança,
E nos versos deste poeta a certeza,
Que nos desejos de uma mulher,
Com a cabeça recostada a flutuar na ilusão,
A vida se redescobre com a mesma delicadeza,
Dos versos nos poemas de um amor qualquer.

Se a esse poeta um dia for concedido,
O poder de repartir-se em dois,
Que então, eu me divida, metade no olhar,
E a outra metade no abraço do querer
Do sincero amor, no desejo da esperança,
De ofertar à mulher menina,
A exaltação de um universo,
Incoercível em versar o amor,
Em noites nas quais, de uma janela,
Em um suspiro, ela me domina!


Horacio Vieira

Um comentário:

  1. Diante "da janela", totalmente desprevenida, não tive como esconder o líquido que surgiu nos olhos e insistiram em provar que a força da gravidade existe. Eu sei, eu sei, devia estar trabalhando, mas aqui às vezes é tão aborrecido... Culpa sua poeta que constantemente me encata e me inebria. Então..., não pare! Eu me entendo com a chefa. Bjusss. Elisabete.

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