quinta-feira, 16 de junho de 2011

Alvorecer


Alvorecer


Quando o vento toca o meu rosto,
Sinto minha alma desprender,
Deixa comigo o suave gosto,
Do beijo mais doce, a me entreter;

Quando minha alma se desprende,
No vento que toca o meu rosto,
Nada mais me surpreende,
E um sorriso, vem em paz, e é exposto;

Quando nada mais me surpreende,
Após minha alma se desprender,
Meu olhar mistura o céu e se rende,
Ao mel da cor do sol do entardecer;

Quando meu olhar mistura o céu,
Ao mel da cor do sol do entardecer,
Lentamente, o tempo tece um véu,
Encobrindo o dia, revelando o anoitecer;

Quando o tempo tece um véu,
Encobrindo o dia e revelando o anoitecer,
Brincando, as estrelas brilham no bailéu,
Da madrugada, velando o amanhecer;

Quando o vento para de soprar
A vida se refaz, ao alvorecer,
A minha alma volta a se apegar,
Ao sorriso, em meu rosto, na alegria de viver!


Horacio Vieira

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Uma Palavra na Prece




Uma Palavra na Prece


A palavra escrita jamais cala,
Ela nasce de um pensamento que fala,
A palavra escrita é sentida e exalta,
O aroma da inspiração de quem a exala;

A palavra é sagrada e se faz perpetuar,
Na ilusão do sim, na desilusão de um não,
Ou na sensualidade que insiste insinuar,
Que toda letra, seduzida, é amante da emoção;

E ao poeta, sob a fina folha de linho branco,
Cabe manter, no contorno desse manto,
A plenitude do insurgente fulgor aceso,
Delineando na sombra, a fuga aos limites do desejo;

Na palavra escrita e lida,
Enquanto a voz emudece, o olhar grita,
Faz da imaginação a musa anarquista,
A artista equilibrista entre as linhas redigidas;

A palavra encanta a quem souber vê-la,
E quem as lê, escuta a própria alma,
A contar os pingos de luz, estrela por estrela,
Nas noites de singela calma;

A palavra que nos toca é o reflexo da essência,
Daqueles que souberam amar na dor,
E quem resistiu traz em si a sensibilidade,
De criar de uma só palavra, mil preces de amor!

Horacio Vieira
(publicado em 21/08/2008 – 05:03/São Paulo/BN)
Ctt.doc.20121074/08-F
(reescrito e republicado em 09/06/2011)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Complexidade Vital




Complexidade Vital


Risos coloridos na imaginação,
Frutos proibidos que balançam ao vento,
Sorrisos discretos na insinuação,
Verdades molhadas que brilham nos lábios,
Que se abrem a um beijo que flutua no olhar,
Entre gestos mágicos que encantam o mundo;

As mãos de menina despertam o espelho,
Que reflete a beleza que aos homens atiça,
E revela os segredos da mulher que enfeitiça,
Que traz em suas veias a poção,
Enlouquecendo os hormônios que darão o tom,
Do desejo dissimulado na cor do batom;

Mulheres, a colorir a vida,
São aquelas que chegam inteiras e sem fim,
Pois, o fim será viver no tempo,
Sem o corpo de uma mulher a nos acalentar;

Carinhos, dengos e artimanhas,
Repletas de incertezas que chegam depois,
O pueril receio inerente,
De se entregar à paixão de um,
Gerando um amor compartilhado em dois;

Mulheres que sabem amar, sempre são desejadas,
Pois são delicadas na alma e no olhar,
Se fazem indomáveis e se rendem no aconchego,
Detém o poder de criar a harmonia,
No destempero do desequilíbrio,
Mulheres odeiam amando e amam odiando,
E sempre carregam em si a vontade eruptiva,
De amar e beijar, amar e beijar e amar e beijar;

Aos que se atrevem a amar uma mulher,
Entre a vida e a morte, a verdade que existe,
É que sem a complexidade da mulher...
                                    ...o homem não vive!

Horacio Vieira.
(publicado em 05/01/2001 – 04:55/São Paulo/BN)
Ctt.doc.20170525/09-A
(reescrito e republicado em 08/06/2011)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Reencontro da Poesia



Reencontro da Poesia


Meu destino reencontra a poesia,
Nas sinuosas curvas dessa mulher,
Na sombra que a penumbra delineia,
Na palpitação desse meu peito arredio,
No desejo que minha cama incendeia,
Nessa pele onde o pensamento é vadio;

Ouso, na alquimia dos amantes, o impossível,
E mesclo os raios do sol com o seu olhar,
E do brilho, trêmulo, de uma vela a chorar,
Suscito o fogo inquieto,
De uma estrela , desnuda, a lhe incendiar;

Mulher, que me enlouquece,
Guie os braços teus e acolha o corpo meu,
Decifre entre os ventos, o intrínseco pedido,
E permita-me entrar em teus domínios,
Carregue minha alma aos limites dos delírios,
E depois, devolva-me no êxtase de mim mesmo;

Para que possa dia após dia,
Compartilhar em teu corpo o amor,
Que a esperança em minha alma conservou,
E assim, perpetuar em teu peito a poesia,
Que o meu destino reencontrou.


Horacio Vieira
(publicado em 02/01/2009 – 11:17/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20168563/09-A
(reescrito e republicado em 07/06/2011)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Véu de Prata



Véu de Prata


Se disfarço o que me desfaz, em um véu de prata,
É porque do meu olhar, outrora incandescente,
Em cascatas, a solidão desaguou uma mulher;
Uma mulher que me chegou feito um desejo,
Se entregando ao ímpeto da sensualidade,
Adornando a vontade, que no silêncio se liberta,
Insurgindo em meu corpo, pelos portais da alma,
A buscar, constante, no horizonte do destino,
As trilhas insanas do inverso da razão;
Quero dessa mulher, desvendar a razão dos sentidos,
E confundir o sentido de existir no toque dos lábios,
A sentir todas as delícias, das carícias, dos beijos,
Que me vierem intensos e desenfreados;
Ambiciono, ao beijá-la, fechar os olhos,
E com os olhos fechados, conquistá-la sem permissão;
E que do delito, do deleite, dessa invasão,
Que ela, me encadeie aos labirintos do seu corpo,
E que negue até a última instância,
A absolvição de todas as saídas,
Enquanto, seus braços me contiverem!
Essa mulher, em mim, é uma estrela distante,
Uma estrela pequena, com uma luz irradiante;
Quem sabe, quando a encontrar,
A lembrança desse instante permaneça em mim,
Como um momento eterno, a me guiar,
Por entre os sonhos, nos quais eu a sinto viva,
Por entre a vida, na qual eu a sinto sonho.
E assim, entre o amor real de um sonho,
E o sonho real desse amor em mim,
Eu, pouco a pouco vou me desfazendo;
E cubro a solidão, demarcada, em minha face,
Com a prata do véu, disfarçada em minhas lágrimas.

Horacio Vieira 
(publicado em 19/11/2008 – 07:17/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20143075/08-F
(reescrito e republicado em 06/06/2011)

domingo, 5 de junho de 2011

Bem-te-vi


Bem-te-vi


Não se compara ao canto de um pássaro,
O som da tua voz no despertar de mais um dia;
Mas, enquanto sua voz emudece na distância,
O canto desse pássaro,  tua ausência, reverência;

Esse pássaro que me desperta nas manhãs,
Tem o canto triste dos que vivem na solidão,
Tem o olhar distante dos que lembram o amor,
A buscar no horizonte a esperança de todo o dia,

Ele almeja, que seus voos errantes,
Encontrem e findem a dor de um encanto,
Que o faz cantar em agonia ao lembrar,
Que amou mais do que supunha, fosse capaz;

Se o universo me atendesse, me transformaria,
Seria eu o pássaro que te acordaria,
Sentirias em meu cantar, os desejos que tive,
E faria do meu canto uma prece em melodia;

Em sua janela, brandamente pousaria,
E cantaria, enquanto dormias: lembrei-de-ti!
E se assim, pudesse ser, lhe revelaria,
A alegria dos sonhos, nos quais sempre bem-te-vi...


Horacio Vieira
(publicado em 04/10/2008 – 08:42/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20137274/08-F
(reescrito e republicado em 05/06/2011)

sábado, 4 de junho de 2011

Sagrada Confissão


Sagrada Confissão


 A confissão de uma mulher é sagrada,
Se sussurrada em meio ao ardor,
Do roçar da pele, na volúpia, eriçada,
Surgindo timbrada e sem nenhum pudor;

A confissão de uma mulher que ama,
É a entrega inocente e sem nenhum temor,
Do canto entoado por um anjo despido na cama,
Regendo das nuvens o som destemido do amor;

Poucos homens conseguem decifrar,
No delicado corpo de cada mulher a intenção
Da alma, confessa, em uma gota de olhar;

Que fascínio saber, da feminina essência, a emoção,
Contida no gemido de um desejo escondido,
O pecado aflito, oculto, no tom de uma confissão.



Horacio Vieira
(publicado em 02/10/2008 – 18:52/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20136402/08-F
(reescrito e republicado em 04/06/2011)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Pode Ser


Pode Ser


Pode ser que tenha sido uma mera fantasia,
Um baile de desejos mascarados a me seduzir;
Pode ser que tenha me enganado sob a luz do dia,
Me fiz de rogado para que a noite te deixasse vir;

Pode ser que nada tenha acontecido de verdade,
Mas a realidade é que os lábios querem descobrir,
A palavra mais certa para despertar a vontade,
De saborear nos lábios teus,
O gosto dos sonhos que já não são meus;

Pode ser que nada venha a acontecer,
Que pense que a felicidade viva distante,
E mesmo que dentro de mim ela esteja calada,
Pode ser que de repente ela se rebele,
E resolva aparecer refletida no olhar,
A mostrar a sincera face da mulher cobiçada;

Pode ser que ao sorrir, eu não me alegre,
Ao lhe ver perto e retirar-te o véu.
E assim, se a dor de perceber o que você nunca foi,
Lacerar a confiança que entre nós foi tão latente,
Não estranhe se ao chorar eu não lamente;
Pois não farei da tristeza uma intensa comoção,
A angariar gentilezas de outro carente coração;

Pode ser que em mim isso seja um drama,
Mas não será infinito e nem gatilho de delírios,
Pois, a vida pode passar sem outras ilusões,
Mas, as emoções resistem e insistem,
Enquanto houver o amor e seus vícios;

Pode ser que a solidão tenha me entorpecido,
E ao pensar que poderia amar novamente,
Eu tenha por fim, concluído,
Que vivi entre deuses enlouquecidos;

Mas, pode ser essa uma loucura que me clareia,
Ou então, um encanto da luz de uma lua cheia.
Porém, de tudo que possa vir a ser,
Querer, por fim me fez compreender,
Que o amor é capaz de tudo poder ser!


Horacio Vieira
(publicado em 29/09/2008 – 00:34/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20135862/08-F
(reescrito e republicado em 03/06/2011)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Alma Intolerante



Alma Intolerante

Meus passos estão assim,
Tão perdidos, que tornam longos
Os caminhos, que parecem sem fim,
Por entre meus olhares, que flutuam,
- Descoloridos e sombrios -
Em um horizonte enrubescido;

Que som é este que não me chega,
E que procuro ouvir,
Desde onde não me acho e me perdi;

Ah, essa minha alma intolerante,
Rebelde nesse corpo amante,
Vertendo lágrimas entre sorrisos inconstantes,
Intranquilas nascentes, na verdade que procuro!

Pressinto tudo tão obscuro,
Que meus delírios ensaiam um surto,
O surto mudo de um filme curto,
No qual meu futuro é legendado,
Para que os desejos - que não mais escuto -
Sejam lidos pela minha esperança;

Acalma-te, alma minha!
Respire a paz que lhe é devida,
Pois, a vida não nos criou da ilusão,
E não nos deu a perversidade da ingratidão;

Acalma-te, minha alma!
O futuro é um desenho rebuscado,
Por um menino maroto e levado,
Cheios de traços emaranhados,
Repletos de sonhos mal rabiscados;

Acalma-te, alma minha!
Entre os caminhos sombrios,
Entre os olhares perdidos,
Não estará jamais sozinha,
Confia na essência,
Desse brejeiro e confuso menino,
Que desenha a nossa vida,
E que assina como Destino!


Horacio Vieira
(publicado em 25/09/2008 – 16:42/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20129701/08-F
(reescrito e republicado em 01/06/2011)