Há o amor
Há os que desejam o amor,
Há os que são atraídos pelo amor,
Há os que acreditam no amor,
Há os que se entregam ao amor;
Há os que vivem o amor e os que passam
pelo amor,
Há os que procuram o amor e os que
sonham o amor,
Há os que adormecem o amor e os que
despertam o amor,
Há os que sentem o amor e os que choram
o amor;
Há os que sorriem o amor e os que
lamentam o amor,
Há os que pensam o amor e os que
escrevem o amor,
Há os que multiplicam o amor e os que
dividem o amor,
Há os que preveem o amor e os que não veem
o amor;
Há os que enganam o amor e os que
sofrem o amor,
Há os que redimem o amor e os que
falsificam o amor,
Há os que leem o amor e os que traduzem
o amor,
Há os que trazem o amor e os que
aprisionam o amor;
Há os que intensificam o amor e os que
acariciam o amor,
Há os que se deitam com amor e os que
permeiam o amor,
Há os que brincam de amor e os que
perpetuam o amor,
Há os que arrebatam e sobrevivem ao
amor;
Há os que leiloam o amor e os que doam o amor,
Há os que analisam o amor e os que
curam o amor,
Há os que simplificam e os que complicam o amor,
Há os que pintam o amor e os que tatuam
o amor;
Há os que o destroem e os que se desconhecem no amor,
Há os que veneram o amor e os que
maldizem o amor,
Há os que se encolhem enquanto se expande o amor,
Há os que andam com amor e os que
odeiam o amor;
Há os que se equilibram e os que desnorteiam o amor,
Há os que poetizam o amor e os que
declamam o amor,
Há os que contam o amor e os que cantam
o amor,
Há os que filosofam o amor e os que
odeiam com amor;
Há o êxtase do amor e também o primeiro
amor,
Há o sincero amor e o verdadeiro
amor,
Há a razão no amor na irracionalidade do amor,
Há o suave amor e também o intempestivo amor;
Há o tênue amor e também o crepúsculo
do amor,
Há o raiar do amor e a morte de
um amor,
Há a ressurreição do amor e a reciclagem
do amor,
Há a recriação do amor e a repúdia do
amor;
Há a aceitação do amor e a entrega no
amor,
Há a tentativa do amor e também o
desperdício do amor,
Há a exuberância do amor e há o
infinito amor,
Há o conscrito amor e há a vontade do amor;
Há a necessidade do amor e a
introspecção do amor,
Há o entendimento do amor e a
plenitude do amor,
Há o universo no amor e também a
criação no amor,
Há a eternidade do amor e a
continuidade do amor;
Há histórias de amor e estratégias
no amor,
Há derrotas no amor e também vitórias no amor,
Há a complexidade e a liberdade
do amor,
Há a dedicação do amor e o suplício
do amor;
Há o perdão no amor e o recomeço do
amor,
Há inspiração no amor e também o
suspiro de amor,
Há o silêncio do amor e o clamor do
amor,
Há a soma e a subtração no amor;
Há relatividade no amor,
Há essência no amor,
Há cumplicidade e aceitação no amor,
Há a disparidade e a frustração do
amor;
Há a realidade do amor e a fantasia no
amor,
Há a equação dialética da semântica no
amor,
E pela razão do amor, há o amor no
amor,
E sem amor, nada há!
Horacio Vieira
(publicado em
25/08/2008 – 09:38/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20123285/08-F
(reescrito e republicado em 26/05/2011)
ctt. doc. 20123285/08-F
(reescrito e republicado em 26/05/2011)


MAGNÍFICO. De uma inspiração esplêndida e abrangente. Lindo de ler e de aprender sobre as nuances que rodeiam o amor em sua insignificância ou esplendor. Sem amor nada há, Horacio. Você é um grande poeta de quem ainda escutaremos falar e merece a cada dia mais seu lugar ao sol entre os poetas de nossa terra. Torna-se uma obrigação cotidiana e de bom senso, acessar este seu espaço para ler o que escreve, quando escreve. Não pare e não permita que lhe tolham o que é seu por ordem de um Deus que lhe deixou viver entre nós, pois mesmo que incompreendido, todo poeta que escreve com a sensibilidade e tenacidade que há em seus poemas traz consigo a partícula divina de ser diferente ao entoar em palavras o encanto de tornar quase tudo real na imaginação de seus leitores e seguidores. Lute, Horacio. Resista a todos que por ventura um dia quiserem destruir essa sua linda capacidade de expressão. Os que o criticam são aqueles que desejam ter o que não tem, ver o que não veem e amar o que não foram ou não são capazes de compreender. Que todos os anjos lhe abençoem cada dia mais. Abraços, Luís Fernando.
ResponderExcluirviva a licença poética, haha
ResponderExcluirVou quebrar o galho e explicar o que é uma licença poética (tem gente que comenta e acha que sabe o que é!):
ResponderExcluir“Licença Poética é a permissão dada ao escritor para extrapolar a norma culta, deixando de lado regras gramaticais como concordâncias e regências”. Em outras palavras, temos, como escritores, uma autorização intrínseca de não seguirmos certas regras gramaticais, quando nos é conveniente, ao escrevermos um texto poético. Vejamos alguns exemplos do uso da licença poética:
01) Mário Quintana, um dos maiores poetas brasileiros, inicia seu poema “Indivisíveis” da seguinte forma: “Meu primeiro amor sentávamos...”; Pelo aspecto da norma culta há um erro de concordância verbal pois ditam as regras que o verbo concorda com o sujeito da oração e no caso e que seria correto “Meu primeiro amor sentava”.
02) Arnaldo Antunes, compositor, escritor e cantor, escreveu: “Beija eu”...;No mesmo aspecto de análise sob o olhar da norma culta, temos que: a forma reflectiva do verbo exige o uso de um pronome pessoal do caso oblíquo. Teríamos então a frase “Beije-me...”. Nestes dois exemplos temos a visão de escritor e os ditames das regras. De um lado a autorização para se escrever assim e de outro, uma classificação como erro gramatical. Onde então está a licença poética?
03) Disse Adoniran Barbosa, no programa Ensaio, da TV Cultura (São Paulo), sobre o “Samba do Arnesto”: "-Sei que o certo é “Ernesto”, “fomos” e “encontramos”, mas prefiro dizer “Arnesto”, “fumo” e “encontremo”...Eis a licença poética. Arnaldo Antunes, no programa “Nossa Língua Portuguesa”, também da TV Cultura foi perguntado por Paschoale Cipro Neto sobre o “Beija eu”. Antunes dissertou sobre a norma culta já mencionada acima e disse: "-Fiz a música, inspirado em minha filha que, quando pequena dizia pega eu, abraça eu e beija eu..."; Eis novamente a licença poética.
A licença existe com a seguinte característica básica: “O escritor se utiliza - do que a norma culta consideraria erro - para compor seus versos de forma criativa, dando um contexto ao escrito, muitas vezes por sua criatividade, ou para manter métrica e ritmo, porém o autor tem o conhecimento do que ditam as normas gramaticais”. Esses pormenores devem estar claros ao escritor, para não cometer certos erros sob a justificativa de se estar usando a licença poética; como escudo da ignorância às normas cultas da linguagem. Só temos a licença poética quando escrevemos algo e sabemos o porquê de termos escrito de tal maneira. Ao lermos “Indivisíveis” de Quintana entenderemos muito bem a licença poética em um contexto mágico. O mais encontrado como licença poética é a falta de manutenção da pessoa gramatical em versos. Na música “Evidências” gravada por Chitãozinho e Xororó, encontramos um exemplo, vejamos: “...Quando digo que não quero mais VOCÊ, é porque TE quero...”; A palavra “você”, pela gramática é considerada terceira pessoa (por reger o verbo em tal pessoa gramatical) e o pronome “te" se refere à Segunda pessoa (tu). Neste caso só saberemos se houve o uso da licença poética se os autores quando questionados sobre tal circunstância trouxerem luz ao poema, mostrando seu conhecimento. Portanto, não basta utilizar de erros sem ter conhecimento. Devem sim abusar da licença poética para mostrar que, como escritores, tem a norma culta a seu favor.
Abraços, a todos e ao meu querido Horacio. E despreze a ignorância de quem não sabe o que comentar aprender um pouco aqui. Afinal, como docente de literatura da melhor universidade pública do nosso país, não me custa perder um pouco mais de tempo e extender para todos, o que ensino.
Seus poemas são lidos e analisados pela nossa turma. Tirando um ou outro, todos são maravilhosos.
Abraços,
Luís Fernando.
Para um poema tão encantador, apenas uma palavra para o poeta criador: obrigada!
ResponderExcluirPara o amigo professor, peço licença para registrar igual sentimento pelo bem que nos fez. Bjusss. Lis.