sábado, 28 de maio de 2011



Insatisfação


Existe uma parte de mim que desconheço,
Que em meu peito, ao meu coração descompassa,
Ocultos, são os atalhos desse segredo,
E exausto, por meus passos a lugar nenhum chego;
Na ânsia de saber, os pensamentos se rebelam,
E em minha mente, se debatem e se revelam;
E assim, antes que me sufoquem, libertarei a todos,
Na direção incerta ao que está além do que vejo;
Em revoadas, libertarei-os de minha mente,
Permitindo que partam ao universo dos sentidos,
Vasculhando cada som que escuto,
Revirando todo o verbo que pronuncio;
E se preciso for, que ditem ao tempo e espaço,
Os pontos cardeais, que por minha visão,
Haverá de permutar o sabor amargo da ignorância
Pelo doce sabor, da descoberta, em meu paladar;
Que tragam a delicadeza de tocar as nuvens,
Ao meu tato, que anda acovardado pela dúvida;
E que me ensinem a distinguir todos os odores,
Que exalam do bem e do mal, ao meu olfato;
Voem meus pensamentos insatisfeitos,
Rebentem o céu da inspiração,
E dissipem em mim, o até então desconhecido;
Batam as asas da intuição,
E desfaçam o que há de imperfeito
Em meu peito, a descompassar meu coração!


Horacio Vieira
(publicado em 29/08/2008 – 08:38/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20123983/08-F
(reescrito e republicado em 26/05/2011)

Um comentário:

  1. Impossível não bradar nesta cadência: "Insatisfação."

    ..., "Voem meus pensamentos insatisfeitos, Rebentem o céu da inspiração,
    E dissipem em mim, o até então desconhecido;
    Batam as asas da intuição,
    E desfaçam o que há de imperfeito
    Em meu peito, a descompassar meu coração!"

    É maravilhoso. Bjusss. Lis.

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