Poética Palma
As palmas das mãos são da face,
A mortalha das expressões;
O Santo Sudário em um disfarce,
A esconder as doridas desilusões;
As palmas das mãos nos calam,
Expondo o silêncio do espanto;
Mas, se abrem como o mar Vermelho,
Deixando os refugiados sorrisos peregrinos,
Migrarem de olhar em olhar, até se fixarem;
As palmas das mãos são ecléticas,
É a parte dos anjos que nos cabe,
São as pontas das asas,
Sustentado as penas nos dedos;
A palma das mãos carrega a sedução,
Substantivo feminino no corpo de um homem;
Nelas as quiromantes viajam e nos levam,
Nelas os sons se propagam nos aplausos,
Nelas a fé se reencontra na aflição,
Nelas nos apoiamos para levantar;
Elas são o meio do caminho,
Entre a gratidão e o prazer;
Por elas é que sei das manhas das carícias,
E por elas, eu findo o círculo dos abraços;
Por elas, acalento qualquer cansaço.
E com elas eu preencho o mínimo espaço;
A palma das minhas mãos,
São as amantes mais dedicadas,
Serão elas, que mesmo depois de morto,
Haverão de repousar,
Sobre o meu inerte corpo,
Como duas mulheres debruçadas,
Entrelaçadas sobre um peito,
Velando o derradeiro sonho,
De um coração em seu eterno sono.
Horacio Vieira
(publicado em 25/08/2008 – 07:45/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20122649/08-F
(reescrito e republicado em 24/05/2011
ctt. doc. 20122649/08-F
(reescrito e republicado em 24/05/2011


Que coisa incrível... tantos anos vividos e nunca pensei na palma das minhas mãos..., e que alegria é (re)conhecê-las, nesse momento, pela mágica da visão poética. Adorei!!! Bjusss. Lis
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