segunda-feira, 4 de abril de 2011

De Fino Fio a Pavio de Barril.



De Fino Fio a Pavio de Barril.


No paletó de giz riscado,
Na vertical branca linha,
No pano o rítmico traçado,
Compasso negro intercalado,
              
                  Paro!
                  Olho!

O tempo estático,
A respiração é lenta,
Mas a ansiedade atiça os movimentos,

                  Olho!
                  Paro!

A multidão em meio a Rua,
Formam nas filas despercebidas,
Linhas brancas no asfalto cinza,
Na monotonia já traçada,
No compasso negro intercalado,

                  ...
                  ...
                  ...

O tempo apressa o desperdício,
De repente sinto um descompasso,
Recosto o corpo na fachada de um prédio,
E me surpreendo ao perceber,
Que na contestação da rotina,
Na quebra das convenções tediosas,
Nos pensamentos anarquistas,
Na revolução do não querer ser,
Na premeditação da mudança,

     ...Desfiar-se-me-ei...

E um fio desfiado pode virar um pavio,
Com o desejo de estourar o barril,
Que abriga a pólvora dos anseios vazios...

Horacio Vieira
(publicado em 13/05/2008 – 04:01/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20130083/08-F
(reescrito e republicado em 04/12/2011)

Um comentário:

  1. Bárbaro, Horácio!!! é tudo o que eu precisava nesse momento... estourar o barril(rs). Brincadeiras a parte, o poema é ótimo. Bjuss, Lis.

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