terça-feira, 5 de abril de 2011
Amar e Existir
Amar e Existir
Eu amo porque me perdoo!
Perdoo-me por amar na inocência,
Na insistência do último ato,
De um amor que do perdão se fez penitência;
E no tablado da cena exposta,
No olhar desterro a essência,
A minha face vai ao chão e volta,
E desço ao inferno da consciência;
E no poço, fundo, de minha alma,
Nas escarpas, retalhado, me desnudo,
Pedaço por pedaço, a pele deixa o traço,
Do caminho do nada de regresso ao tudo;
Sigo em direção ao centro,
No centro de um abismo escuro.
Sou eu, então, o desconhecido amante!
O que ensaia a redenção constante,
Que é preciso aos que ousam amar,
E amar é saber mais do que olhar,
Amar é descer ao inferno com as asas de um anjo,
E subir aos céus com os olhos em brasa;
E fazer do olhar estrelas vespertinas,
Que na cadência de um brilho intenso,
Penetra lentamente na madrugada,
A devolver o prazer às manhãs amarguradas;
Meu olhar voltado ao chão,
Resgata minha alma no perdão,
E a remissão de um último ato me faz sentir,
Que ao amar, me permito existir!
Horacio Vieira
(publicado em 27/07/2008 – 02:01/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20107674/08-F
(reescrito e republicado em 05/04/2011)
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Meu olhar voltado ao chão,
ResponderExcluirResgata minha alma no perdão,
E a remissão de um último ato me faz sentir,
Que ao amar, me permito existir!
Maravilhoso... adorei. Beijos Alessandra
Sem palavras caríssimo, só emoção... o poema é maravilho. Vc nem imagina!
ResponderExcluir