quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um Segundo



Um Segundo



Por um segundo eu te perdi,
E entre tudo o mais que existia,
Perdi o mundo e me esqueci;
Por um segundo: não te vi!
E não te vendo, me consumi,
Nas chamas de tal agonia,
Que meus olhos queimavam,
Nas labaredas da saudade que resistia;
Eu te perdi, e enlouqueci!
E no desvario do vazio - eu ainda ardia,
E do extremo ar dos meus pulmões,
Nascia um suspiro agudo, cego e fraco,
Invocando o teu corpo que não mais veria;
Senti um temor a corroer-me a raiz,
Minha pele secando,
Minha face definhando,
Enquanto o tempo cruel foi tatuando,
Sua marca em meu corpo, que clamando,
Implorava por mais um segundo...
O suficiente para que te visse me olhando,
E para que me jogasse nesse teu olhar,
Nesse olhar que me entrega a vida,
E a vida sem teu olhar em mim,
É como a lua sem o brilho do Sol,
Negra, escura e oculta,
Destinada à solidão,
De uma existência sem razão,
Pela ausência de um amor,
Que torna o tempo comparsa da dor,
A angústia, cúmplice da ilusão,
E das lágrimas, cristais partidos do coração;
O segundo em que te perdi,
Foi o suficiente para entender,
Que todos os segundos são preciosos,
Que todos os abraços são precisos,
Que todos os perdões são valorosos,
Que todos os beijos são necessários,
Que todas as palavras são poucas,
E que toda a luz não findaria a escuridão,
Desse meu abismal medo profundo,
Que foi sentir viver sem você,
Pela eternidade de um só segundo!

Horacio Vieira

(publicado em 08/08/2008 – 18:19/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20113892/08-F
(reescrito e republicado em 20/04/2011)

Um comentário:

  1. Metade lembrança e a outra metade dor intensa. Estes são os sabores de "Um segundo". O coração sopesa e os olhos gotejam... emoções!
    "CSA" - Bjusss. Lis.

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