segunda-feira, 18 de abril de 2011

Poemas Urbanos – A Menina e o Doce



Poemas Urbanos – A Menina e o Doce


Pés descalços no asfalto,
No rosto o sorriso inocente,
O doce na janela do carro,
De quem de um centavo somente,
Tira a fome da barriga de outra gente.

Brinca no meio fio de equilibrista,
O picadeiro é a calçada,
E o sangue-frio do motorista,
Não lhe tira a gargalhada,
Não lhe tira a ilusão e nem a alegria,

E ao público, não pagante,
Ela ainda reverencia,
E eu, ao ato entusiasmante,
Abro a janela do carro, e na folia,
Bato palmas e grito: - Bravo, avante!

E a menina assustada,
Vem correndo em disparada,
E me pergunta se quero bala,
E eu digo que não!
Recolho as moedas no console,
Estendo-lhe a mão;

Entrego-lhe o que tenho, humildemente,
Agradeço a demonstração,
Ela me sorri docemente,
Um anjo sorriu por ela,
E beijou meu coração;

A felicidade vive dos momentos,
Em que deixamos que ela exista,
E ao florir meus pensamentos,
Pedi a Deus que afaste os tormentos,
Das crianças nessa vida equilibrista!

Horacio Vieira
(publicado em 07/08/2008 – 18:19/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20113114/08-F
(reescrito e republicado em 18/04/2011)

Um comentário:

  1. Os dois lados da moeda tão bem demonstrados... Oro com vc poeta, na esperança de que a inocência resista...

    Verdadeiro e tocante este poema! Bjuss. Elisabete

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