quarta-feira, 12 de maio de 2010

Rio Paraíba



Rio Paraíba


Nessa água transparente,
Que sacia a sede de um caboclo,
Que na terra, joga a semente,
Que haverá de lhe dar um pouco,
De comida e que tão somente,
Dividirá com seu povo,
O que colheu arduamente.

Nessa água transparente,
Que margeia ao pé descalço,
Aonde o barro molda a gente,
É nessa água que o cansaço,
Desaparece em um instante,
E onde a alma e a natureza,
Entregam-se como amantes.

Nessa água transparente,
De lendas, mitos e histórias,
De verdades, fantasias e esperanças,
De sonhos, desejos e memórias,
A lua vive a brilhar e não se cansa,
De inspirar os namorados que suspiram,
Ás margens dessa água inebriante.

Por essa água transparente,
É que suspira um rio de saudade,
Aonde se banhou, um dia, um adolescente,
Que abrandou o homem, seus desejos e vontades;
E que gerou um caboclo,
Que fez das mãos um arado,
A rasgar a poesia e a terra,
A gradear o tempo, semear a vida,
E ver germinar seu coração,
Irrigado por suas veias - arroios mal traçados,
A sustentarem as águas, do Rio Paraíba.


Horacio Vieira

(publicado em 13/02/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0641-08
(reescrito em 12/05/2010)

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