quinta-feira, 13 de maio de 2010

Horizonte talvez



Horizonte talvez...


As mãos que tocavam o meu rosto,
Em algum momento pararam!
As carícias que me afagavam a alma,
E me levavam à loucura:
Sei que não mais as terei.
Se for essa uma desventura da vida,
Em minha própria vida, destinada,
Eu peço que na despedida dos gestos,
No adeus das insinuações,
Na magia constante,
Do meu coração naquelas mãos;

     “Que nesse momento de partida
       Aonde a crença é a dúvida,
       E a solidão certeza,
       Tal qual é certa a lágrima,
       Que em minha face desaguara
       Em tristeza a boca que cala!”

Que nesse instante, então,
Dá-me um último olhar;
Dá-me a possibilidade do horizonte,
Distante e infinito, se assim puder;
Pois talvez e mesmo longe
Nesse horizonte dos sentidos,
Eu haverei de lhe tocar,
Assim, como o Sol toca a Lua;
E farei de minha saudade a luz,
A percorrer o espaço, á tua procura.

Horacio Vieira

(publicado em 13/02/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0649-08
(reescrito em 13/05/2010)

2 comentários:

  1. Nossa!!! Dei uma volta no universo deste último verso, totalmente "irradiada"...
    "...A lua que segue o brilho que emana dos olhos do sol, poeta... enquanto espera o grande encontro...sabe como é? rsss. É lindo seu poema, obrigada! Um beijo.

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  2. Porque foi assim..., a morte veio e levou as mãos que tocavam meu rosto... Mesmo diante de tanta beleza e esperança contidas em seus versos, maldita toda despedida!

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