sábado, 19 de setembro de 2009

Oculto



Oculto


Falta-me a razão e talvez a certeza,
Em poder afirmar com sobriedade,
Que me escondo nas letras e na beleza,
E que nas poesias não existe a verdade;

Falta ainda, à mulher tão amada,
Conhecer a alma desse poeta amador,
Que fez de seu dom uma poesia alienada,
Que se perdeu nos erros cegos do amor;

Já se fez o tempo em que a solidão,
Dominava a luta desse homem contra o menino,
E hoje, sinto menino o meu coração;

É ternura o que restou de mim em meu destino,
É esperança o que faz do destino um desatino,
E no meu desatino, por entre as linhas, caminho...

Horacio Vieira

(publicado em 21/09/2007 – São Paul/BN)
             Ctt : doc.. 0486-07

9 comentários:

  1. Se não existe verdade na poesia, por onde você caminha?

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  2. Mas eu não disse que não existe verdade na poesia, aliás falta-me a razão e quem sabe a certeza para afirmar isso!...ao contrário!...e foi isso que expliquei. Quem sabe caminho me equilibrando pelas linhas poéticas de algum desatino! Grato pelo comentário. Beijos!

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  3. POis bem, se começa um poema dizendo não saber afirmar ao certo, se existe verdade nele,fará com que o leitor desacredite, e duvide de todo o restante. Se não existir verdade no que escreve, o que será verdadeiro? O desatino?

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  4. Que bom que ao questionar, terminou por concordar comigo, que para alguém que tem a falta da razão e da certeza, o que sobra é o desatino, mesmo que poético!...não é? Até que enfim!...e compreenda a intenção do poema, não o seu lado pessoal que não tem fundamento!...grato mais uma vez pelo comentário!...E leio o poema por completo! valeu!

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  5. Lindo o poema! e pelo comentário da leitora acima, você consegue mesmo passar a intenção de desatino entre as linhas até para quem le! Parabéns bellinho, mais uma vez um maravilhoso poema. Paola, bjs de sua sempre fã.

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  6. Horácio, concordo com a Paola. Na primeira linha você já deixa claro que lhe falta a razão e certeza para afirmar que se esconde (você mesmo como poeta) nas letras e na beleza, e na dúvida da primeira linha, você mantém claro que na poesia existe alguma verdade. percebe-se claramente ao ler, que você transfere esse momento de dúvida do poeta e da poesia (não você) para o amor de uma mulher que assim como a duvida da primeira linha, não conhece o poeta. Segue o poema, caminhando pela solidão da dúvida, porém aberto com mais tranquilidade, cita a ternura, como sinal de reflexão em seu destino, e fecha espetacularmente o poema com uma chave de ouro, remetendo o fim ao nexo do começo, na dúvida que se intensa, leva qualquer um ao desatino, porém você, como poeta torna o desatino um poema, e caminha pelas linhas deste. Achei maravilhoso, e sabe que costumo sempre enviar minhas análise por e-mail, mas ao ler esse desatino de comentário desta anonima leitora, achei por bem deixar essa análise aqui hoje. E lhe aviso, que acho que o comentário dela foi pessoal demais, pois ela não saiu da primeira linha, tropeçoui na primeira estrofe e não interpretou todo o poema. Pena para nós que frequentamos o seu blog, e pena para você que ao que parece arrumou uma daquelas que vão te atormentar no desatino sempre! Mas estamos aqui para lhe apoiar sempre. Agradecimentos de mais uma fã, graduada. Beijos e bos sorte. Mirella.

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  7. Este comentário sim, é bem pessoal, quase que uma revelação do próprio escritor...rs
    Mas gostei de saber...

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  8. Aprender é uma arte, interpretar é do espiríto! Grato por todos os comentários acima. E por favor, não façam dos comentários um espaço para trocar "farpas". A individualidade de cada um deve ser respeitada, mesmo que seja desta forma. O meu e-mail para questionamentos sobre o tema de cada poema está disponível no blog. Utilizem com discernimento e prudência. Estejam bem, e em paz.

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  9. Título mais apropriado não podia ser. Encontro-me estasiada com o belíssimo poema e mais ainda com o efeito dele em suas fãs. Não canso de agradecer a Deus por ter tido a oportunidade de esbarrar com vc, com suas criações e com seus leitores. Valeu caro mio... Bjus. Elisabete.

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