quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Divino ensaio insano



Divino ensaio insano


Se o que dizem é verdade,
Sobre as palavras de um louco,
De que Deus os inspira,
E por eles fala um pouco,
O que sou, quando poeta,
Nos delírios do desejo,
Do que não tenho, mas sinto?

Enlouqueço, na ausência do teu corpo,
E cometo despautérios, no vazio do meu dia.
Se me perco, no meu quarto, deitado sobre a cama,
E da cama, faço um mar sem limites,
Se os meus olhos, fechados, te vêem,
Se a minha boca, calada, teu nome sussurra,
Se os meus ouvidos, tapados te escutam;

E se a minha voz grita, então, o seu nome,
E o seu nome, ecoa pelo universo que me rodeia;
Explode em meus sonhos e cria galáxias,
Que já não me guiam por nenhum caminho,
Dou voltas pelos pensamentos, que são vãos,
Mas são teus, esses vãos pensamentos...
Insano querer esse, que me tortura;

Na praia dessa loucura, me ajoelho e peço,
Para que a realidade desse poeta louco,
Não fosse te amar tanto, só um pouco,
E mesmo assim, esse pouco seria a minha vida.
Louco delírio que faz desse poema ensandecido,
Uma porta aberta para a inspiração,
Desse Deus, que escreve sorrindo, em meu coração...


Horacio Vieira

(publicado em 24/09/2007 – São Paul/BN)
           Ctt : doc.. 0636-07




Um comentário:

  1. Divino... sim; ensaio... talvez; insano... jamais!!! É de Deus que provém a beleza; e, não posso crer que os sentimentos e a vida, mesmo a junção de cada palavrinha construindo o "Divino ensaio insano", seja um ensaio, apesar de saber que as palavras dirigidas a todos não causa em todos a mesma impressão. Insano... são os que pensando serem normais não sabe o que é amar. Você é divinamente surpreendente. Bjusss. vc nem imagina.

    ResponderExcluir