terça-feira, 31 de maio de 2011

Dúvida


Dúvida

Serei eu a quem amas?
Afinal, meu amor lhe reverencia
A cada verso em que te declamas,
E mesmo assim, tu não me chamas!

Mas a quem então, enganas?
Se das rimas não reclamas, inspira-me a agonia,
Pois também não confirmas a verdade,
Se és minha realidade ou reles fantasia;

Mulher, sei que me manténs oculto,
Guardado entre teus seios,
Nesse altar, onde só ao amor escuto,
Entre as palpitações do teu peito que incendeio;

Teus olhos lhe entregam na incerteza,
Pois me velas no ritmo da solidão,
E me acorrenta ao intervalo das tuas pulsações,
No profundo silêncio da dúvida entre o sim e o não!

Serei eu que teu corpo tanto aguarda?
Ou me farás de espuma da onda dispersa,
Feito um pensamento que se acovarda,
Na ânsia de um sentimento que lhe apressa?

Não se me revele inconstante,
A dúvida despe a vida e a deixa nua,
Não tema por tua ausência a todo instante,
Pois é nos teus lábios que o destino se insinua;

Tua súplica há de sublimar todas as dores,
Te acolho e desfaço teus medos insanos,
O maior amor será o teu entre todos os amores,
Basta que desejes descobrir, o quanto lhe amo!

Horacio Vieira
(publicado em 10/09/2008 – 15:15/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20126035/08-F
(reescrito e republicado em 31/05/2011)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Eu Vou...




Eu Vou...


Quando me desejares, eu vou,
Mesmo nas noites frias,
Nas quais a solidão é maior,
Se pensares em mim ao fechar dos olhos,
Onde estiveres, eu vou!
Não há distância entre os sonhos,
Nem há mais fulgor, a crispar em um olhar,
Do que esse teu olhar,
A guiar os sonhos do meu olhar;
E se nos sonhos é o teu olhar,
Que faz a paixão renascer,
É o meu sorriso - que dança no fogo da sua volúpia -
Que atende ao teu sorriso e responde: Eu vou!
Não tens a noção do amor que me conduz,
Dessa vontade de sempre lhe envolver
Estar sempre por onde andares,
E tirar-te da lembrança da saudade,
E esculpir teu corpo em minha voz,
Que cantando lhe dirá:
Quando quiseres me ver,
Diga-me, e eu vou!

Porém, se em algum dia,
Ao despertares, descubras que não deveis me amar,
Mesmo transpirando meu nome em cada gota,
Que dos poros do teu corpo vivem a brotar,
Sentirás o desespero da ânsia, em não me amar;
E fecharás os olhos para não entregar,
A um outro homem, que em seu leito deitar
O arrependimento de não ser eu, a lhe amar;
Pois você, em algum incauto momento desejou,
Que eu partisse de sua vida e não reparou,
Que na ilusão da verdade desse amor,
Não percebestes, que na solidão,
A qual tua voz me sentenciaste,
Foste a tua alma, que na ausência ficou,
Condenando teu desejo a viver,
No olhar dos sonhos a me relembrar.

E no acalanto do que me faz ser,
Por uma última vez lhe concederei um pedido:
Se me quiseres no epílogo, desse amor em vida,
Pronuncia-me, e farei do teu suspiro, 
A minha despedida!


Horacio Vieira
(publicado em 02/08/2008 – 19:21/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20123983/08-F
(reescrito e republicado em 30/05/2011)

sábado, 28 de maio de 2011



Insatisfação


Existe uma parte de mim que desconheço,
Que em meu peito, ao meu coração descompassa,
Ocultos, são os atalhos desse segredo,
E exausto, por meus passos a lugar nenhum chego;
Na ânsia de saber, os pensamentos se rebelam,
E em minha mente, se debatem e se revelam;
E assim, antes que me sufoquem, libertarei a todos,
Na direção incerta ao que está além do que vejo;
Em revoadas, libertarei-os de minha mente,
Permitindo que partam ao universo dos sentidos,
Vasculhando cada som que escuto,
Revirando todo o verbo que pronuncio;
E se preciso for, que ditem ao tempo e espaço,
Os pontos cardeais, que por minha visão,
Haverá de permutar o sabor amargo da ignorância
Pelo doce sabor, da descoberta, em meu paladar;
Que tragam a delicadeza de tocar as nuvens,
Ao meu tato, que anda acovardado pela dúvida;
E que me ensinem a distinguir todos os odores,
Que exalam do bem e do mal, ao meu olfato;
Voem meus pensamentos insatisfeitos,
Rebentem o céu da inspiração,
E dissipem em mim, o até então desconhecido;
Batam as asas da intuição,
E desfaçam o que há de imperfeito
Em meu peito, a descompassar meu coração!


Horacio Vieira
(publicado em 29/08/2008 – 08:38/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20123983/08-F
(reescrito e republicado em 26/05/2011)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Há o amor


Há o amor


Há os que desejam o amor,
Há os que são atraídos pelo amor,
Há os que acreditam no amor,
Há os que se entregam ao amor;

Há os que vivem o amor e os que passam pelo amor,
Há os que procuram o amor e os que sonham o amor,
Há os que adormecem o amor e os que despertam o amor,
Há os que sentem o amor e os que choram o amor;

Há os que sorriem o amor e os que lamentam o amor,
Há os que pensam o amor e os que escrevem o amor,
Há os que multiplicam o amor e os que dividem o amor,
Há os que preveem o amor e os que não veem o amor;

Há os que enganam o amor e os que sofrem o amor,
Há os que redimem o amor e os que falsificam o amor,
Há os que leem o amor e os que traduzem o amor,
Há os que trazem o amor e os que aprisionam o amor;

Há os que intensificam o amor e os que acariciam o amor,
Há os que se deitam com amor e os que permeiam o amor,
Há os que brincam de amor e os que perpetuam o amor,
Há os que arrebatam e sobrevivem ao amor;

Há os que leiloam o amor e os que doam o amor,
Há os que analisam o amor e os que curam o amor,
Há os que simplificam e os que complicam o amor,
Há os que pintam o amor e os que tatuam o amor;

Há os que o destroem e os que se desconhecem no amor,
Há os que veneram o amor e os que maldizem o amor,
Há os que se encolhem enquanto se expande o amor,
Há os que andam com amor e os que odeiam o amor;

Há os que se equilibram e os que desnorteiam o amor,
Há os que poetizam o amor e os que declamam o amor,
Há os que contam o amor e os que cantam o amor,
Há os que filosofam o amor e os que odeiam com amor;

Há o êxtase do amor e também o primeiro amor,
Há o sincero amor e o verdadeiro amor,
Há a razão no amor na irracionalidade do amor,
Há o suave amor e também o intempestivo amor;

Há o tênue amor e também o crepúsculo do amor,
Há o raiar do amor e a morte de um amor,
Há a ressurreição do amor e a reciclagem do amor,
Há a recriação do amor e a repúdia do amor;

Há a aceitação do amor e a entrega no amor,
Há a tentativa do amor e também o desperdício do amor,
Há a exuberância do amor e há o infinito amor,
Há o conscrito  amor e há a vontade do amor;

Há a necessidade do amor e a introspecção do amor,
Há o entendimento do amor e a plenitude do amor,
Há o universo no amor e também a criação no amor,
Há a eternidade do amor e a continuidade do amor;

Há histórias de amor e estratégias no amor,
Há derrotas no amor e também vitórias no amor,
Há a complexidade e a liberdade do amor,
Há a dedicação do amor e o suplício do amor;

Há o perdão no amor e o recomeço do amor,
Há inspiração no amor e também o suspiro de amor,
Há o silêncio do amor e o clamor do amor,
Há a soma e a subtração no amor;

Há relatividade no amor,
Há essência no amor,
Há cumplicidade e aceitação no amor,
Há a disparidade e a frustração do amor;

Há a realidade do amor e a fantasia no amor,
Há a equação dialética da semântica no amor,
E pela razão do amor, há o amor no amor,
E sem amor, nada há!

Horacio Vieira
(publicado em 25/08/2008 – 09:38/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20123285/08-F
(reescrito e republicado em 26/05/2011)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Poética Palma




Poética Palma


As palmas das mãos são da face,
A mortalha das expressões;
O Santo Sudário em um disfarce,
A esconder as doridas desilusões;
As palmas das mãos nos calam,
Expondo o silêncio do espanto;
Mas, se abrem como o mar Vermelho,
Deixando os refugiados sorrisos peregrinos,
Migrarem de olhar em olhar, até se fixarem;
As palmas das mãos são ecléticas,
É a parte dos anjos que nos cabe,
São as pontas das asas,
Sustentado as penas nos dedos;
A palma das mãos carrega a sedução,
Substantivo feminino no corpo de um homem;
Nelas as quiromantes viajam e nos levam,
Nelas os sons se propagam nos aplausos,
Nelas a fé se reencontra na aflição,
Nelas nos apoiamos para levantar;
Elas são o meio do caminho,
Entre a gratidão e o prazer;
Por elas é que sei das manhas das carícias,
E por elas, eu findo o círculo dos abraços;
Por elas, acalento qualquer cansaço.
E com elas eu preencho o mínimo espaço;
A palma das minhas mãos,
São as amantes mais dedicadas,
Serão elas, que mesmo depois de morto,
Haverão de repousar,
Sobre o meu inerte corpo,
Como duas mulheres debruçadas,
Entrelaçadas sobre um peito,
Velando o derradeiro sonho,
De um coração em seu eterno sono.


Horacio Vieira
(publicado em 25/08/2008 – 07:45/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20122649/08-F
(reescrito e republicado em 24/05/2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Soneto da Paixão Voraz



Soneto da Paixão Voraz


Enquanto o amor repousar em nossos braços,
Já não haverá mais saudade do que passou,
Nem haverá o breve tempo do espaço,
Pois a verdade preenche e cala as brechas da dor;

E nesse eterno e contínuo sentido de querer,
Sobreviveremos unicamente na dedicação,
De todos os anseios que nos entregavam,
Ajoelhados, nos olhares que por nós choravam;

Haveremos de sentirmo-nos desvendados,
No repente ímpeto que surgir de cada beijo,
Restando em nós, a magia dos enamorados;

E ao afã dessa voracidade, exposta e desnuda,
Nossos corpos por fim, cúmplices, repousarão,
Consumidos no êxtase por todo ardor dessa paixão!

Horacio Vieira
(publicado em 19/08/2008 – 07:30/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20120377/08-F
(reescrito e republicado em 23/05/2011)

sábado, 7 de maio de 2011

Mãe - Mulher de Infinito Amor




Mãe - Mulher de Infinito Amor
                   (...de um filho para uma mãe...)


Suaves foram os dias distantes,
Em que nos recordamos - pequenos,
Que no firmamento, o semblante,
Que se afigurava sob o pano moreno,
E nos faziam ver estrelas azuis a surgir
No sorriso inerente de uma luz radiante,
Era o semblante do infinito amor predestinado;

Sentíamos uma alma a se doar em nós,
Recriando a gênese nos carinhos dedicados,
Tão delicados ao nos tocar nos beijos,
Quando, que do aconchego de seu ventre,
Seus braços - nas noites – eram o nosso berço,
A embalar o choro indefeso,
Sofrendo em uníssono por cada lágrima vertida;

Tantas vezes desprendeu-se da própria vida,
Na luta constante na inconstância da nossa vida;
Incerteza envolta na preocupação,
Que mesmo nas doridas noites mal dormidas,
Cada abraço seu, era o renascimento,
Da coragem de viver, que ressurgia;

Deu-nos não uma, mas muitas vidas,
Ao nos reerguer das vicissitudes,
Ao nos refazer das injustiças,
Ao nos aceitar nas imperfeições,
E ao nos lembrar das virtudes,
De desfazer as mágoas nos perdões;

Rogo, pelas suaves noites que virão,
Em que os sonhos nos levarão,
Próximo ao semblante do infinito amor,
Da mulher que Deus fez mãe, em nosso coração.


Horacio Vieira
(publicado em 11/05/2008 – 04:02/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20119316/08-F
(reescrito e republicado em 07/05/2011)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Prece Poética de Uma Manhã




Prece Poética de Uma Manhã




Que Deus me livre dos hipócritas,
E que seus anjos cheguem alvissareiros,
Na extinção dos amargos sarcásticos.
Que o destino alcance a liberdade,
E me entregue a serenidade na vida,
Do discernimento entre o bem e o mal!

Que a alegria reflita a minha alma,
Brilhando por entre meus olhos, sentidos;
E que apenas aqueles que detém,
Em si, o poder divino do perdão,
Identifiquem a luz a sorrir em meu olhar;

Que eu seja capaz de compor,
Na sincronia, a sinfonia dos pensamentos,
Harmonizando a revoada dos momentos,
Nos quais senti, os beijos suaves,
Das musas, roçando meus lábios,
Regendo os sorrisos em minha face,
Compassando o ritmo da inspiração dos sábios;

E que a perene aurora,
Rebusque em minha alma, os tons das cores,
E resgate a cor alva e rósea,
Que somente dela aflora,
Na emoção da satisfação do despertar,
De cada dia em todos os dias em que me levantar,
E ousar desejar viver, mais do que morrer...

Horacio Vieira
(publicado em 11/08/2008 – 01:54/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20118614/08-F
(reescrito e republicado em 03/05/2011)