quarta-feira, 23 de março de 2011

Aguardo



Aguardo


Do nada absoluto advindo da escuridão,
Na mais completa solidão de um ser,
No infinito incompreendido,
No breu da insanidade,
Na insensata tolerância das horas,
No castigo contínuo dos minutos,
Nas chibatadas mudas dos segundos,
Na constância única da eternidade:
Procuro você!

Na imensidão árida dos pensamentos,
- Pensamentos nos quais me guia -
Meu deserto é a tua ausência,
Teu corpo, minha miragem,
Teu beijo a alucinação,
Tua voz, a voz de um anjo,
Que ao abrir sua boca e suspirar,
Me exala por entre teus braços,
A te criar feito um oásis da redenção;

Te amo na inconsequência,
E não te amar é inconsistente,
É fazer de meus desejos, brumas,
É desenhar teu nome na neblina,
É te remontar nas gotas dos orvalhos
Feitas das garoas de minhas lágrimas,
Deitadas entre as folhas para te ver renascer,
E depois desaparecer,
No amanhecer de todo o dia;

Eu te olho, mas não te toco,
Não é meu o teu coração;
Te chamo e não me escutas,
Onde está o teu coração?
Refugio-me no desejo desse amor,
E nesse amor, a vontade percorre o vazio,
Na imensidão que a tua falta trilha;
Recolho-me à escuridão,
Mas, lhe deixo o rastro ao meu coração!

Horacio Vieira
(publicado em 16/07/2008 – 14:30/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20104174/08-F
(reescrito e republicado em 23/03/2011)

Um comentário:

  1. No ontem, alegria e sonhos...
    No hoje, tão poucas coisas aquecem meu coração.

    "...eu te olho, mas não te toco, não o é meu o teu coração;..."

    No amanhã, suspenso o meu respirar, no aguardo das belezas da tua imaginação. Bjuss. Lis.

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