quarta-feira, 2 de março de 2011

Anjos e Cupidos



Anjos e Cupidos



Contemplo e atassalho o que te encobre,
Profundamente, em sua alma penetro,
Sorvo teus desejos em um só gole.
Ébrio, me pergunto: O que venero?

Será a mulher que me instiga?
Será a sereia que me enfeitiça?
Será a mesma musa que inspira
A alma que em minha pele transpira?

Será a curiosidade de que, em seus braços,
Eu finalmente encontre toda a calma do mundo?
Ou será o teu nome ocupando todos os espaços,
A acirrar os cupidos e anjos a todo segundo?

E ao serem preteridos, esses anjos e cupidos,
Na fúria desse afeto secreto ao qual disfarço,
Ao meu peito, fitam pensamentos ensandecidos,
E disparam suas flechas de murmúrios ao acaso;

Tentam serenar o meu clamor por essa mulher,
Mas, pretenciosos, os anjos erram no que preciso,
E insistem ao me embair com outro ventre qualquer;
Aos anjos Querubins e Serafins, aviso:

Desistam queridos anjos de intenção terna,
Não há amor volúvel dentro de mim,
E nem existe escuridão que seja eterna,
Enquanto eu puder amar, tanto assim!

Porém, cupidos que estão ao meu lado,
Façam para mim, um favor,
Entreguem para a mulher que me detém escravo,
Suavemente os grilhões, em pétalas, desse amor;

E a façam sonhar como eu a sonho,
A façam beijar, como eu a beijo,
Não permitam que ela sinta a dor do vazio medonho,
Que eu ressinto a todo instante, quando a desejo;

E que ao raiar da descoberta de nós dois,
Que caiam todos os portais,
Que se abram todos os calabouços e depois,
Que desabem todas as muralhas do jamais;

Que baixem a ponte levadiça,
E que o infinito se encontre em nosso olhar,
Nas noites, em que a saudade atiça,
O olhar vago, que no horizonte segue a te buscar;

O olhar que engendra a espera incessante,
Pela mulher que é da vida a fonte,
Escolhida como a mais intensa das amantes,
Descrita, nas linhas da ansiedade de minha fronte;

Voem anjos, voem cupidos,
Disparem suas flechas e cantem do amor, o hino,
Mostrem a essa mulher, meu peito vazio e tão ferido,
Pela ausência dela, em meu destino!

Horacio Vieira.
publicado em 01/07/2008 – 06:56/São Paul/BN)
Ctt. doc. 20147451/08-F
(reescrito e republicado em 02/03/2011)

Um comentário:

  1. O mundo pode até estar se modernizando na frieza da cibernética. Era da pressa, impera a velocidade das sensações... Mas eu ainda sou fascinada pela calma da poesia. Haverá pois memória do que vier a ser desprezado? Viva o romantismo!!! Viva a ternura de seu poema. Possam os anjos e os cupidos voarem pelos quatro cantos do mundo disparando muitas e muitas flexas certeiras nos desatentos corações que só veem o imediatismo. Bjusss. Lis.

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