segunda-feira, 21 de março de 2011

Medo



Medo


Uma intrépida sensação embrionária,
Um nascer repentino em meio ao nada;
Olhos retidos no horizonte estático,
O silêncio pálido da respiração ofegante
Cria o pulso arrítmico na face gélida;
Torna as mãos trêmulas no corpo imóvel,
E leva o coração ao céu nebuloso da boca muda;

Respirar...
                 Pensar...
                               Respirar...
                                               Pensar...

Pensamentos meus: Onde estão?
O chão que acolhe meus pés: Não o sinto!
Desdobro o meu espírito inquieto,
Reparto-me em mil estilhaços,
E me rebelo no pesadelo - desperto,
O desespero agora é o amigo que me acolhe,
E com o semblante impávido, estremeço!

Respirar...
                 Pensar...
                               Respirar...
                                                Pensar...

Mesclo meus sentidos às sensações da terra,
O mundo rodopia e eu junto.
Escuto o som das nuvens deslizando pelo céu,
Sinto o toque do vento em minhas mãos,
Minha visão percorre o infinito,
E no ar, o cheiro das cinzas queimadas,
São cinzas de minha alma espoliada;

Respirar...
                 Pensar...
                               Respirar...
                                                Pensar...

Meus músculos enrijecem,
Estou só contra o que desconheço,
E não haverei de me render ao escuro,
Que acompanha a incerteza do obscuro;
Sei de mim e o que passei por minha vida,
E um passo a mais ao acerto ou ao erro,
Não haverá de curar outras tantas feridas;

Sigo em frente e enfrento tudo sem receio,
Respiro e penso - Avanço!
Um dia a mais, é um desafio aceito;
Será que sou covarde por sentir medo,
Ou tenho coragem por reconhecê-lo?
Concluo que covardes são os que não reconhecem,
Que sempre é preciso coragem, até para sentir medo!

Horacio Vieira
(publicado em 08/07/2008 – 12:565/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20101075/08-F
(reescrito e republicado em 21/03/2011)

2 comentários:

  1. Maravilhoso! Excelente! Quando sentir medo lembrarei que não sou covarde. Muito bom mesmo, abçs Renato.

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  2. Que maravilha... O poema pulsa, tem vida própria e não é covarde apesar de sentir medo.
    "Um dia a mais, é um desafio aceito!"
    Adorei.

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