segunda-feira, 12 de abril de 2010

Refúgio



Refúgio


Eu conheci teus sonhos,
Experimentei teus desejos,
Os receios, eu relevei,
Senti os teus lábios,
E neles, eu acreditei.

Sei, que nos momentos bons,
Tentei esquecer os ruins,
Como se me permitisse,
Ver apenas o sol,
Ao invés dos temporais
Pelos quais me destruístes.

Sei dos sinais do teu corpo,
Das mãos a sudorese,
O início do tremor,
A constante abstinência,
Do vício do amor;

Da tua voz, suave,
Eu guardo a sensação,
Da carícia na melodia rouca;
E eu, ainda ao fundo, a escuto,
Em cada e em toda canção;

És uma pétala de rosa,
Que desprendida, repousa em minha mão;
Hoje, em mim, você é sinônimo de solidão,
Adjetivo do vazio em meu coração,
Motivo da tristeza e da desilusão;

Mas, se o brilho da luz, que emana da chama,
Do fogo que vai desvanecendo essa paixão
Não iluminar a estrada, por onde caminhas em mim,
Ainda assim, na escuridão do sono, irei te encontrar,
E te farei de sonho, o último refugio, para lhe amar...


Horacio Vieira


(publicado em 06/01/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0241-08
(reescrito em 12/04/2010)

2 comentários:

  1. Sem palavras poeta... É tão perfeito!

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  2. Caro mio... o poeta contou crer em um amor delicado, transformado em solidão, tristeza e desilusão, desfechando-o no refúgio de um sonho... Dele compreendi que amores necessitam ser constantemente cultivados... mesmo que em sonhos. Lindo!!! Elisabete.

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