quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ausência



Ausência.


Esse branco, em meus pensamentos,
Os olhos de minha alma, vedados e em prantos,
Meus sentimentos sedados, e um silêncio,
Alastrou-se dentro de mim, mansamente;
Permaneci conivente com esse mistério,
Deixei que se consumisse até o fim,
E estática e apreensiva - a inspiração -
Quedou-se nos limites do desconhecido,
Exilada e solitária em meu coração;

Em princípio, todo branco deveria dar aos poetas,
A paz, a luz, a cor do início,
Ser o fim ou até o reinício;
Dar-lhes a espuma do mar,
Ou estar na moldura, de um olhar;
Ser o conotativo no eufemismo extremo
Das noites, das estrelas e do luar;
E fazer, dos borrões das nuvens no azul do céu,
Nuvens de rimas, a flutuar no papel;

Mas, esse branco que me rodeou,
Foi o branco da ausência;
Em que viajei no tempo, sem perceber;
Refiz e revivi os passos da angústia,
Da tristeza contida em um passado,
No qual amei, mais do que fui amado,
- e como se vivo, tivesse sido velado –
Esse amor acabou julgado,
E por ser intenso, extinguiu-se humilhado;

E foi de repente que percebi,
Que o branco que me cegava,
Era a mortalha que me envolvia;
Tecida com os fios da lembrança,
De um amor, que só em mim existia;
Fez-se de esperança, fria e vazia,
Que nos desvarios dos poetas iludidos,
É o canto da sereia, entorpecendo os sentidos,
Entre os versos, de uma triste poesia.

E então, desatei esse nó que me prendia,
Libertando definitivamente,
Todas as cores dos desejos e dos amores,
Contidos nos dias e noites,
Nos quais decididamente,
Me entregarei a um novo amor,
Que será tão audaz e valente,
Que me trará a paz da poesia, suavemente,
E fará fluir em mim a vida...novamente!


Horacio Vieira


(publicado em 23/01/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0597-08
(reescrito em 14/04/2010)

Um comentário:

  1. Na ausência presente do poeta ficam os delírios de minha alma emocionada... Lindíssimo seu poema.Bjussss Lis.

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