terça-feira, 6 de abril de 2010

Poema ao Ocaso



Poema ao Ocaso



Beira o ocaso,
Essa entristecida ausência,
Que por longos momentos,
Cercou a minha essência;
Sitiou meus pensamentos,
E me deixou vazio e sem rumo.
A mão, trêmula, tentava em vão,
Em meio às palavras encolhidas, ressentidas, 
Dissipar a sombra, do semblante
De uma ilusão feroz, tão cruel e atroz
Que por pouco não apagou
A luz da inspiração que vinha de mim;
E assim, silenciaram-se em espanto
Todas as frases, versos, e contos,
Todas as harmonias, melodias e cantos;
E fez, com que todas as minhas alegrias,
Fosse um único e retorcido pranto.
A ausência é a amante do silêncio,
Mas o silêncio, não é o soberano da alma;
E minha alma é inquieta!
Ao perceber que do calor esfriava,
Pela luz carente, ela se fez cadente,
Estrela em agonia a descer dos céus,
Radiante rebeldia a resgatar em meu coração,
A verdade da magia dos amores,
Que por tantas vezes - e uma vez mais -
Me devolvem suavemente à vida.
E dessa saudade, insurgente,
Veio essa vontade, de repente,
Do calor do ardor, de todos os beijos
Que acompanham e permeiam o amor.
Em meio ao caos, na beira do ocaso,
Desejo uma mulher, a me recolher,
A me chamar, me amar e escolher;
Que se aconchegue nua e transparente,
Que anoiteça ao meu lado,
Que faça renascer a minha essência,
Que desfaça todo o receio da ausência
No primeiro suspiro, de todo amanhecer.
Que essa mulher, venha ao mundo me devolver,
Renascido, recriado, feito e refeito homem,
Como sempre deveria ser,
Como só quem ama, faz acontecer,
Como só quem acontece, sabe fazer...


Horacio Vieira


(publicado em 13/12/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0742-07
(reescrito em 06/04/2010)

3 comentários:

  1. Lindo, Horacio. O poeta voltou. Fernanda

    ResponderExcluir
  2. Obrigada...
    Seja bem vindo para sempre enquanto durar..., a poesia esta em ti e eu estou feliz. Lis.

    ResponderExcluir
  3. É muito bom ler o que você escreve, me faz ficar com vontade de não sair mais e voltar mais rápido. Amei. Beijos, Geovanna.

    ResponderExcluir