segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Poema de um Anjo



Poema de um Anjo


Assim aconteceu, em uma noite fria e escura,
Estava eu, triste, sozinho e escrevendo.
A inspiração calava nas palavras que não vinham;
E então, uma luz branca e forte foi aparecendo,
E dessa luz, surgiram as asas de um anjo,
Que ternamente foi me envolvendo,
E com um olhar maternal e repleto de compreensão,
Em minha direção, ele veio flutuando,
Com seus braços suaves, ele me abraçou,
E ao ler, minha alma no olhar,
Em meus ouvidos, ele sussurrou...

“Poeta, que pareces estar perdido,
Não sabes que é por ti que o amor fala?
E se, o que encanta na poesia, hoje cala,
É porque há tristeza demais em teu olhar;
Vim, para te contar,
Que as estrelas, somos nós, anjos,
Que esperam a noite chegar,
Para que, uma a uma, virem te sussurrar,
Toda a inspiração, que o amor lhe traz;
E quando, poeta, você se retrai,
E alimenta a tristeza, que lhe tira a paz,
O céu estremece só de pensar,
Que o seu menestrel, já não será capaz,
De doar-se na poesia,
Que faz brilhar as estrelas do céu,
Que vivem por te inspirar!
Então, poeta que nessa vida és,
Saiba que o escuro da noite,
É o branco do papel;
E por cada letra das palavras que escreves,
Sorri cintilando, uma estrela no céu;
E fazemos dos teus versos, as nossas asas,
A bater, agitando o coração de cada ser,
Que acredita ser, a poesia,
A fonte da esperança, de todo novo dia;
Meu poeta,
É preciso o sono para que se crie o sonho,
É preciso um sonhador, para que se faça a poesia,
É preciso a poesia para que se entendam os sonhos,
E assim, os deixem viver, no olhar de um coração;
Em tuas mãos, a voz de um anjo canta,
E tenta sempre renovar o amor,
A pulsar, tão descrente,
Na vida, sofrida, de tanta gente
Que passa a fazer da solidão, a eterna vertente,
Das amarguras, nascentes das lágrimas.
Portanto, meu amado poeta,
Sorria, pois lhe foi concedido,
O dom do amor e de amar,
E se sofres em algum momento,
É porque, entre um verso e outro,
Entre a alegria do sorriso,
E a tristeza do lamento,
A coragem e o medo vêm para lhe afrontar.
Não desanimes, jamais, meu poeta!
Nessa batalha, sempre serás o vencedor,
Pois carrega dentro do seu peito,
Cravada em beijos, em tua alma,
A marca dos anjos, que por ti, falam de amor!”

Ele partiu, e eu dormi.
Ficou o sono, um sonho,
um perfume de jasmim no ar,
E uma vontade, poética, de amar!

Horacio Vieira

(publicado em 31/10/2007 – São Paul/BN)
               Ctt : doc.. 0926-07


2 comentários:

  1. Simplesmente divino! Fernanda.

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  2. Caro mio, poetinha... quando encontrar novamente esse anjo não se esqueça de agradece-lo por mim e por todos os amantes da poesia que ganham o amor pelos conselhos sussurados não ao ouvido, mas sim ao coração. Sempre brilhante!!! Bjusss. Elisabete

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