quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Enquanto ainda posso escrever
Enquanto ainda posso escrever
Enquanto ainda posso escrever,
Faço das letras os fragmentos,
Do que sobrou de mim e quer viver;
Monto um mosaico de pensamentos,
Das lembranças do que fui,
Desfaço a agonia do que sou,
E renasço na alegria do que serei;
Nesse mosaico de letras cansadas,
As palavras, confusas, então se formam
Suavemente entre a visão desfocada,
A visão de um tempo,
Em que um menino,sonhava em rabiscar no papel,
Declarações de paixão à primeira namorada,
E várias cartas de amor à mulher amada...
E então, vou me lembrando devagarzinho,
De como era o coração desse menino;
E descubro, que no canto escuro da minha vida,
Ele ainda vive, encolhido, com medo e sozinho;
Em suas mãos as marcas da esperança,
E no seu olhar a inocência da criança,
E lá estava ele, encolhido, com medo e sozinho;
Á sua frente um caderno aberto se encontrava,
Com os segredos da mais pura inspiração,
E ao seu redor, restos de lápis se amontoavam,
Formando o desenho de um coração;
Como esse menino, em meio a escuridão,
Encolhido, com medo e sozinho,
Conseguiu rabiscar, no papel o que sentia?
E eu, enquanto ainda posso escrever,
Brinco de poesia e assim, me redimo,
Adormeço o homem, e liberto o menino...
Horacio Vieira
(publicado em 01/10/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0854-07
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Soneto da desventura
Soneto da desventura
Entre os versos, na poesia o olhar procura,
A alma do poeta, que vive escondida,
Mas, é no branco do papel toda a desventura,
Dos que ousam traduzir a vida,
Versos presos em lamentos de solidão e dor,
Rimas soltas, capazes de fazerem sorrir,
A poesia pode ser tão bela quanto uma flor,
Para aqueles que a esperam florir,
Basta ver, que na alva folha, na plenitude ínfima,
Uma alma agoniza, e escreve, sangrando em azul,
Os anseios indecisos do amor, na certeza mínima;
E assim, há os poetas que vão semeando as letras,
Na pele branca de uma folha nua e desejada,
Esperando colher do amor, o olhar da mulher amada.
Horacio Vieira
(publicado em 25/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0885-07
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Balada à difamação
Balada à difamação
És petulante na tua ironia,
És o reflexo distorcido da tua vaidade,
És o que queres nesta alegoria,
Falsa por errares na cor e na fantasia;
Pecas e continuas pecando por que necessitas disso,
Precisas do mundo lhe bajulando,
E lhe carregando sobre o luxo do lixo,
Faz da vida ensaios mundanos;
E os anjos...distantes te observam,
E os demônios...de perto te atiçam,
Joga às costas o manto negro do drama,
Tens no beijo o fel do veneno, dos que difamam;
O teu amor, virou rancor,
O teu rancor, virou ódio,
O teu ódio, é despeito,
E o despeito, é o espinho em teu peito,
Drama de cordel nesta face sofrida,
De tanta desventura na alma escondida,
Não se iluda quanto ao futuro,
O amor não mais chegará até os seus braços;
E se um dia um sentimento lhe for parecido,
Pegue-o logo, antes que o vivo se torne o falecido,
Não torture mais a quem lhe deixa em paz,
Faça de conta que a bondade em teus atos impera,
Assuma o papel de manipuladora, afinal,
Pois enquanto, aos outros o teu mal é quimera,
Não haverá neste mundo um ser, que normal,
Possa conviver com a falsidade que lhe esmera,
Não dormes porque o sono, não lhe chega,
Não chega porque a consciência, lhe atormenta,
E o que lhe atormenta, ao fechar os olhos é a verdade,
Fostes tão longe, que perdeste o caminho de regresso...
...à felicidade!
Horacio Vieira
(publicado em 24/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0843-07
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Divino ensaio insano
Divino ensaio insano
Se o que dizem é verdade,
Sobre as palavras de um louco,
De que Deus os inspira,
E por eles fala um pouco,
O que sou, quando poeta,
Nos delírios do desejo,
Do que não tenho, mas sinto?
Enlouqueço, na ausência do teu corpo,
E cometo despautérios, no vazio do meu dia.
Se me perco, no meu quarto, deitado sobre a cama,
E da cama, faço um mar sem limites,
Se os meus olhos, fechados, te vêem,
Se a minha boca, calada, teu nome sussurra,
Se os meus ouvidos, tapados te escutam;
E se a minha voz grita, então, o seu nome,
E o seu nome, ecoa pelo universo que me rodeia;
Explode em meus sonhos e cria galáxias,
Que já não me guiam por nenhum caminho,
Dou voltas pelos pensamentos, que são vãos,
Mas são teus, esses vãos pensamentos...
Insano querer esse, que me tortura;
Na praia dessa loucura, me ajoelho e peço,
Para que a realidade desse poeta louco,
Não fosse te amar tanto, só um pouco,
E mesmo assim, esse pouco seria a minha vida.
Louco delírio que faz desse poema ensandecido,
Uma porta aberta para a inspiração,
Desse Deus, que escreve sorrindo, em meu coração...
Horacio Vieira
(publicado em 24/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0636-07
terça-feira, 22 de setembro de 2009
É preciso viver
É preciso viver
De tanto bater,
Em algum momento,
O cansaço chega;
E a gente começa a apanhar...
E de tanto apanhar a gente fica amuado,
E aprende o quanto sofre quem chora;
Quem chora, sente necessidade de sorrir;
E os sorrisos, alimentam a alegria,
E na alegria, sabemos que já fomos felizes;
Nessa felicidade,
Sentimos a ternura,
E da ternura, nos chega a paz,
Dessa paz, vem o silêncio;
E assim, em silêncio,
Em algum momento,
Paramos de apanhar,
Cansamos de bater,
E lembramos, que é preciso viver!
Horacio Vieira
domingo, 20 de setembro de 2009
Brisa
Brisa
Ela sempre me chega tão suave ao sonhar,
É a esperança, feito brisa em minha face;
Acariciando a minha pele,
E ao me beijar,
Torna os lábios amantes,
A me conter neste enlace;
Instantes estes, que permeiam uma vida,
E que, em meus pensamentos,
Apenas existia nos romances inacabados,
Ou talvez, em um poesia adormecida...
Ela me chega suave ao sonhar,
E nos sonhos, minhas verdades se entregam seduzidas;
Sê minha - brisa leve - contínua delicadamente!
Faz das lágrimas, que um dia verteram de minha alma,
Através dos portais destes olhos perdidos,
Um atalho ao coração, para um amor verdadeiro,
Que me recolha na madrugada,
Que me refaça por inteiro;
Inebria com o vinho do desejo os meus anseios,
E me entregue saciado,
Em todo despertar e a cada beijo.
Horacio Vieira
(publicado em 22/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0742-07
sábado, 19 de setembro de 2009
Oculto
Oculto
Falta-me a razão e talvez a certeza,
Em poder afirmar com sobriedade,
Que me escondo nas letras e na beleza,
E que nas poesias não existe a verdade;
Falta ainda, à mulher tão amada,
Conhecer a alma desse poeta amador,
Que fez de seu dom uma poesia alienada,
Que se perdeu nos erros cegos do amor;
Já se fez o tempo em que a solidão,
Dominava a luta desse homem contra o menino,
E hoje, sinto menino o meu coração;
É ternura o que restou de mim em meu destino,
É esperança o que faz do destino um desatino,
E no meu desatino, por entre as linhas, caminho...
Horacio Vieira
(publicado em 21/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0486-07
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Soneto de uma partida
Soneto de uma partida
Você quer, mas não quer,
Na escolha de pétalas, brinca de amor,
Brinca de bem-me-quer,
E no mal-me-quer, revela toda a dor;
Joga em minha vida teus arrependimentos,
Mas não se arrepende por não viver a vida,
Despreza a felicidade dos momentos,
E neles, vou eu embora feito chuva na partida;
Preferes viver à espreita de um passado dolorido,
Foges ao amor que te provoca e excita,
Choras a solidão que na noite te alucina,
E permite ir embora quem te ama por te amar,
Te deixo, livre para amar e um conselho a seguir:
Jamais ame a quem te deixar livre para partir!
Horacio Vieira.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Aonde quero chegar...
Aonde quero chegar...
A criança é a semente de menina,
E a menina germinou a garota,
Da garota brotou a moça,
E a moça floresceu mulher,
Quantos poemas para escrever,
Quantas linhas entrelaçadas na esperança,
Para tentar compreender o que ninguém vê!
No sonho tênue, as mãos rebuscam,
O desenho etéreo dos versos nos pensamentos;
A verdade da vida nos momentos,
Em que simplesmente, o amor se faz...
Repudio toda a prudência na paixão,
E se houver erros, de interpretação ou de semântica,
Confesso não existir tristeza no coração,
E no olhar, inquieto de uma mulher romântica;
Qual o homem, que não tem em seus sonhos guardados,
A sublime vontade de possuir em seus braços,
Uma mulher, com tantos desejos apaixonados?
Uma mulher que traz no olhar distante,
A fúria inconstante, de vasculhar no peito de um homem,
O suspiro extasiado, último e verdadeiro?
As mulheres amam,
E quando amam, seus gemidos são sentidos,
São sussurros entre os lábios que pretendem tocar;
Ah, esses lábios que não param de pronunciar,
O nome do amado homem, por todo o lugar.
Sei que os poetas amam sozinhos,
E a solidão é o seu único caminho,
Mas, quem me dera se uma mulher me amasse assim!
Quantos poemas para escrever,
Quantas linhas entrelaçadas na esperança,
Para tentar mostrar o que ninguém vê!
Não! não me envergonho dessa coragem de tentar,
Pois mesmo que em mil poemas eu precise mostrar,
Ao menos um verso, no olhar de uma mulher,
Alguém haverá de encontrar...
Horacio Vieira
(publicado em 21/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0299-07
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Letras incapazes....
Letras incapazes....
É preciso escrever de toda forma e jeito,
Algo mais do que pingos de tinta formando a palavra,
Uma palavra maior a destoar do meu peito,
E levando consigo as letras mudas e imperfeitas.
Eu, pingo de vida em uma gota serena,
Você, semente de um fruto que ao meu olhar alimenta,
Nós, respingos de luz de uma lua morena,
A letra, estrela pequena na alma sedenta,
Quero escrever o que mais me atormenta,
É dessa forma que a letra queima,
O desejo enrubesce o meu corpo que esquenta,
Meus lábios te chamam e em chamas te beijam,
Flamejam tua pele, e só assim desfaz-se o engano!
Das letras, incapazes de mostrar, o tanto que te amo...
Horacio Vieira
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Soneto de um adeus
Soneto de um adeus
Como um raio de luz, que por mim passou,
Veio a solidão do depois,
E tão rápido foi, que ao fim deixou,
Inerte na escuridão, um amor que era dois;
A tristeza em mim, cruelmente se alojou,
E por fim, meu corpo do teu se separou,
Ao meu coração - em silêncio - um vazio chegou,
E a boca amarga, ausente dos teus lábios, então calou!
Apesar das palavras de perdão, jamais serem demais,
O calor da minha face, em tua pele esfriou,
O teu desejo no meu desejo, não mais será capaz,
De despertar o meu peito, que agora se desfaz,
Destruímos na vaidade, a paixão que nos guiou,
E, em um adeus, lá se vai proscrito, o nosso amor!
Horacio Vieira
(publicado em 20/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0293-07 - (revisado em 11/09/2009)
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Adolescencia
Adolescencia
Mistérios...
E ao nosso redor a adolescência;
Instante em que aflora,
A ciência da emoção,
E adormece a fé na razão;
Damos passos rápidos nessa estrada,
Uma vontade sem sentido de correr;
Um desejo intenso de crescer!
Longos dias em um tempo tão curto,
E quando envelhecemos,
Percebemos que os dias é que são curtos demais;
Dias que nos chegam cheios de negativas,
E nossa alma, tão viva, insiste no sim.
Acreditamos que ao mundo, não somos gente,
A multidão que nos cerca, não nos vê,
E se falamos, gritamos emudecidos;
Somos – pretensiosamente - mal compreendidos!
A adolescência chega feito uma tempestade,
Arranca de nossos olhos lágrimas nas paixões,
E são tantas, as fulminantes desilusões;
Por um amor não correspondido - temos febre,
É o impossível do amor que nos fortalece,
Nossos hormônios fervem,
Nossas acnes aparecem;
As meninas gatinham como mulher,
E os meninos se arrastam por seus miados;
Uma época de contradições,
Somos amáveis com que nos fere,
E ingratos com quem amamos;
Em nossas casas somos nervosinhos,
Mas falam bem de nós, os nossos vizinhos;
Nas casas dos outros, somos a benção,
Em nossa casa, somos a condenação;
Na solidão do quarto sonhamos,
E assim, entre alegrias e tristezas,
Sorrisos e desilusões,
Calmarias e desavenças,
Aprendemos a renascer sozinhos;
Porém, eu tenho sempre a recordação,
De que apesar de ser um rebelde “aborrescente”,
Havia sempre um lugar a me esperar,
Aonde eu aprendi o valor de um carinho;
E no caminho das lembranças,
Esse lugar me chega, nos momentos de desesperança;
Fecho os olhos, e reencontro a paz;
Adolescente eu fui, adulto eu sou,
Mas, por Deus!
Quanta saudade sinto do colo dos meus pais...
Horacio Vieira
(publicado em 29/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0285-07
(revisado em 09/09/2009)
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
O que procuro...
Uma mulher assim (O que procuro...)
Procuro uma mulher que seja assim:
Feminina aos extremos de seus limites,
Dos limites demarcados do seu corpo;
Que em sua alma veja um sorriso de menina,
Que seja toda minha e ainda ache pouco!
Que surja dos turbilhões dos meus abraços,
Feito o nascer do sol de todo o dia;
Que em meus braços encontre a infinita calma,
E faça ainda deles o destino e o sentido de sua vida;
E se preciso for, que renasça a cada beijo que hei de dar...
Na mulher que procuro, seu prefácio é o amor;
E espero que exageradamente me ame tanto,
Que de tanto me amar, me leve junto;
Junto do olhar que será meu guia,
Durante a minha vida e o resto dos meus dias;
Procuro uma mulher que me deseje homem, simplesmente!
Que me tire da adolescência inconsciente e inerente,
Que me faça amadurecer no primeiro beijo ao amanhecer;
Que eu homem, revele todos os dias nessa mulher
A amante ardente, na doce e constante insanidade da paixão;
Que eu a veja em mil estrelas em um só suspiro,
Que ela me sinta na dedicação
Do toque de seus dedos em meu corpo que a espera.
Procuro uma mulher que me queira ao lado,
E que ao meu lado ela encontre o seu recanto;
Eterno, sagrado e límpido recanto
Que de outras vidas venho guardando;
Que me queira ver feliz,
Que me queira sem porquês,
Que tire de mim o melhor de minha essência;
Que não deixe perder-me em mim,
Que de seus lábios venha a salvação,
Que os seus lábios me tragam a redenção,
Jamais a condenação!
Procuro uma mulher completa,
Completa unicamente no amor que venha a ter;
Aguardo esse amor infinito e incondicional;
Que compartilhe comigo o melhor,
E não dispute comigo o pior;
Procuro uma mulher sem desculpas!
Com erros, porém despida de lamúrias e culpas,
Quero apenas o reflexo dos caminhos de seus carinhos,
Em toda e cada troca de olhar que tivermos;
Procuro uma mulher que me permita,
Explorar todos os meus delírios em seu peito.
Que a soma de nossos corpos, seja o resultado perfeito;
E na coragem que o seu amor lhe trará,
Que ela persista, lute e proteja até a exaustão,
O universo contido, indefeso e vivo do meu coração,
Que por noites e manhãs, ao seu lado sempre estará.
Horacio Vieira
(publicado em 19/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0267-07
Universo poético
Universo poético
A poesia é o universo,
Dos ideais dos amantes;
Cada estrela é um verso,
Na noite angustiante
Em que a solidão os atormenta;
E a saudade, que dilacera
No peito de quem ama, acalenta
O coração e a alma dos poetas;
Como a noite que ao chegar, abriga, acolhe
E protege as estrelas que brilham no firmamento;
Sorte de um poeta se alguém o escolhe
Guardião dos sentimentos, alegres ou de lamentos;
Pois tênues são os momentos,
Em que a poesia, se entrega amante ao pensamento.
Horacio Vieira
(publicado em 18/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0162-07
domingo, 6 de setembro de 2009
Amor Superior
Amor Superior
Os olhos se abriram,
E um mar se fez,
As lágrimas caíram,
E eu, náufrago outra vez,
As nuvens, enfim
Já calmas da tempestade,
Passam em um adeus,
E eu só, nesse mar em mim;
Agarro-me aos escombros das lembranças,
E faço deles a minha redenção,
Pois no calor da tormenta, houve esperanças
Pela vida, e de um amor superior a dor.
Se ainda posso amar, é porque sobrevivi,
E intacto, meu coração diz: “resisti!”
Horacio Vieira
(publicado em 17/09/2007 – São Paul/BN)
Ctt : 0132-07
sábado, 5 de setembro de 2009
O Menestrel da Esperança
O Menestrel da Esperança
No morro é na favela,
Que a verdade da vida,
Faz da alma uma bala perdida;
Uma lágrima sentida na face distorcida,
Da mãe no lamento na súbita partida.
No morro é na favela,
Que o medo é escancarado no jornal,
Que embrulha o pão que alimenta,
E que nas mãos dos pais atentos,
Tentam retornar aos filhos como alento;
No morro é na favela,
Que o coração desesperado e fraco,
Se debate entre verbas de esperança,
Na boca de um político que não cansa,
De dar ao adulto um pirulito de criança;
No morro é na favela,
Que a roupa estendida na varanda,
Serve de bandeira da miséria,
Desfraldada em um pedido de socorro,
Desesperado, aflito e rouco!
No morro é na favela,
Que apesar de tantas amarguras,
Existe um povo que do brado contagiante,
Faz dos ritmos da vida angustiante,
A alegria de um país, que delirante,
Dança na avenida dos ministérios da folia;
No morro é na favela,
Que quem sabe um dia,
Apareça um menestrel que nos encante,
E que cante a esperança na cadência de um samba,
Devolvendo ao povo o sorriso delirante,
Da felicidade que hoje vive na corda bamba....
Horacio Vieira
(publicado em 30/09/2007 – São Paul/BN) (republicado)
Ctt : doc.. 0904-07
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Amor que será
Amor que será
Sempre existirá aquele amor,
Não o amor que se foi,
Também não o amor que é,
Mas o amor que deveria ter sido;
Aquele amor adormecido,
O amor maroto, que vive escondido,
Por detrás do olhar de um outro amor.
Sempre existirá um amor bandido,
Que nos rouba a paz e nos deixa estremecidos,
Um amor bandoleiro em nossos corações,
Desafiador, perigoso e proibido,
O amor único em todos os sentidos;
Sempre existirá aquele amor,
Por mais que o tempo passe enlouquecido,
Esse amor jamais passa desapercebido,
Pois é o amor que deveria ter sido;
É o amor do frio do arrepio que nos dá,
Quando sentimos ele por perto a nos tocar,
É o amor timoneiro de nossas esperanças,
Em meio as tormentas das lágrimas das lembranças;
É o amor desenhado no sorriso,
O amor tatuado nos lábios,
Oculto no batom mas revelado no sabor,
O amor de todas as cores, de todos os amores;
Sempre existirá aquele amor,
O amor de travesseiro,
Esse amor instigante em nossos sonhos,
Um amor amante e verdadeiro;
O amor que nos acolhe na ternura,
Amamos e pouco importa se somos amados,
Amamos na simplicidade da alegria e da loucura,
Talvez, seja assim que os amores eternos são criados;
Aquele amor, sempre existirá,
Não o amor que se foi,
Também não o amor que é,
Mas, quem sabe o amor que será...
Horacio Vieira
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Flor Serelepe
Flor Serelepe
" Dedicado a Jéssica. "
Carinho e respeito por sua amizade.
Ela pula e brinca, flori o mundo,
Abraça o céu e assopra as estrelas,
Menina sapeca que nunca descansa,
Canta bem alto, afasta a tristeza,
Em seu olhar a pureza dança;
Menina que vive a sassaricar,
Espalha alegria e oferece esperança,
Tem atitudes que afagam a alma,
Um carinho dengoso que nunca se cansa;
Sapeca a menina que domina a mulher,
E a mulher é a mãe que a sorrir me ensina,
Faz das manhãs um carrossel de emoções,
Que sorte daqueles a quem toca os corações;
Comigo ela apronta, e depois fica escondida,
É a flor serelepe do meu jardim da vida,
Por onde quer que eu caminhe,
Trago a certeza que ela sempre viverá,
No amor desse amigo,
No calor que é o abrigo...
Da dedicação que ela me dá!
Horacio Vieira
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Amores que vão...Amores que vem...
Amores que vão...Amores que vem...
A verdade dos amores que vão,
Está no olhar dos amores que vem,
Um outro brilho da mesma luz,
A minha luz na busca de outro alguém,
A verdade dos amores que vão,
Renasce no olhar dos amores que vem,
Pois a verdade dos amores que partiram,
Vive no amor que só o meu amor contém,
No olhar dos amores que vem,
A verdade dos amores que vão,
Persiste na vontade de amar além
Da dor de qualquer outra desilusão,
Ah, se os amores que vão,
Soubessem que vão sozinhos,
Não permitiriam que os amores que vem,
Fizessem deles passado, no toque de outro carinho,
Na verdade dos amores que vão,
Segue a marca das dores do coração,
Mas é no olhar dos amores que vem,
Que a vida se renova como as flores, de uma nova estação.
Horacio Vieira
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