quinta-feira, 28 de abril de 2011

Não me Amarás!





Não me Amarás!




Ainda te julgas capaz de não me amar?
Então, se puderes, diga agora:
Por que suas noites são curtas?
Por que seus sonhos são rubros?
Por que seu corpo se inquieta na cama?
Por que sua boca me chama?



Diga que não me amas!
Ande cantando, disfarçando a minha ausência,
Pule, dance como se estivesses insana,
Possuída por um sentimento fútil,
Que lhe trará a grande sensação,
Desse falso contentamento inútil;


Pobre mulher a renegar,
Que mal consegue respirar,
Na constante surpresa ao me encontrar,
Por entre os seus desejos, a lhe excitar,
Ou entre os sonhos das noites a lhe arrepiar,
Quando, então, começas a transpirar,


Ao recordares da minha boca,
Indo ao encontro da sua,
Languidamente a lhe amordaçar,
A calar-te todos gritos,
A buscar-te entre os suspiros,
Insurgindo no rebuliço de nossas peles;


Mulher, tu bem sabes,
Que em tua braveza, reside tua fraqueza,
É nela que hibernam os renegados sentidos,
A tornar-lhe a mais fogosa das estrelas;
E antes que tente, inexiste homem que lhe faça ardente,
Como eu, que já lhe toquei tão intensamente!


Um dia nos encontraremos,
Pois, mesmos perdidos nos pressentimos vivos,
E eu?...Não me queixo,
Eu sei que tua alma não me negará,
E na confissão de um silente beijo,
Uma vez mais e por fim, a mim se entregará!


Horacio Vieira
(publicado em 09/08/2008 – 01:54/São Paulo/BN)
ctt. doc. 20114307/08-F

(reescrito e republicado em 28/04/2011)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um Segundo



Um Segundo



Por um segundo eu te perdi,
E entre tudo o mais que existia,
Perdi o mundo e me esqueci;
Por um segundo: não te vi!
E não te vendo, me consumi,
Nas chamas de tal agonia,
Que meus olhos queimavam,
Nas labaredas da saudade que resistia;
Eu te perdi, e enlouqueci!
E no desvario do vazio - eu ainda ardia,
E do extremo ar dos meus pulmões,
Nascia um suspiro agudo, cego e fraco,
Invocando o teu corpo que não mais veria;
Senti um temor a corroer-me a raiz,
Minha pele secando,
Minha face definhando,
Enquanto o tempo cruel foi tatuando,
Sua marca em meu corpo, que clamando,
Implorava por mais um segundo...
O suficiente para que te visse me olhando,
E para que me jogasse nesse teu olhar,
Nesse olhar que me entrega a vida,
E a vida sem teu olhar em mim,
É como a lua sem o brilho do Sol,
Negra, escura e oculta,
Destinada à solidão,
De uma existência sem razão,
Pela ausência de um amor,
Que torna o tempo comparsa da dor,
A angústia, cúmplice da ilusão,
E das lágrimas, cristais partidos do coração;
O segundo em que te perdi,
Foi o suficiente para entender,
Que todos os segundos são preciosos,
Que todos os abraços são precisos,
Que todos os perdões são valorosos,
Que todos os beijos são necessários,
Que todas as palavras são poucas,
E que toda a luz não findaria a escuridão,
Desse meu abismal medo profundo,
Que foi sentir viver sem você,
Pela eternidade de um só segundo!

Horacio Vieira

(publicado em 08/08/2008 – 18:19/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20113892/08-F
(reescrito e republicado em 20/04/2011)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Poemas Urbanos – A Menina e o Doce



Poemas Urbanos – A Menina e o Doce


Pés descalços no asfalto,
No rosto o sorriso inocente,
O doce na janela do carro,
De quem de um centavo somente,
Tira a fome da barriga de outra gente.

Brinca no meio fio de equilibrista,
O picadeiro é a calçada,
E o sangue-frio do motorista,
Não lhe tira a gargalhada,
Não lhe tira a ilusão e nem a alegria,

E ao público, não pagante,
Ela ainda reverencia,
E eu, ao ato entusiasmante,
Abro a janela do carro, e na folia,
Bato palmas e grito: - Bravo, avante!

E a menina assustada,
Vem correndo em disparada,
E me pergunta se quero bala,
E eu digo que não!
Recolho as moedas no console,
Estendo-lhe a mão;

Entrego-lhe o que tenho, humildemente,
Agradeço a demonstração,
Ela me sorri docemente,
Um anjo sorriu por ela,
E beijou meu coração;

A felicidade vive dos momentos,
Em que deixamos que ela exista,
E ao florir meus pensamentos,
Pedi a Deus que afaste os tormentos,
Das crianças nessa vida equilibrista!

Horacio Vieira
(publicado em 07/08/2008 – 18:19/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20113114/08-F
(reescrito e republicado em 18/04/2011)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Horizonte Prisioneiro



Horizonte Prisioneiro



O horizonte é o amante,
Condenado a solidão constante.
Ele excita a manhã,
Seduz a tarde,
E se deita com a noite.
O horizonte acolhe as estrelas,
Recolhe as cadentes,
E as devolve ardentes,
Sem pudor à madrugada.
Ele acaricia as nuvens com suavidade,
E na fúria da sensualidade,
No firmamento elas se entregam,
As volúpias de suas vontades.
Pobre, horizonte, prisioneiro,
Entre tantas amantes,
Esconde a fragilidade do seu amor verdadeiro,
No leito aconchegante da esperança.

Horizonte debela a tua solidão!
Renega-te na tentação,
E se entregue a plenitude da paixão;
Liberte teu coração na sinceridade,
E revele ao universo, que o teu único amor,
É aquela que jamais lhe abandonou: A eternidade.

Horacio Vieira
(publicado em 31/07/2008 – 04:11/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20109583/08-F
(reescrito e republicado em 08/04/2011)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Atado entre nós



Atado entre nós


Traindo o meu olhar, vem o desejo,
Fluindo por minhas veias, traz a vontade,
E na verdade, esmoreço,
Quando te resgato à realidade;

Quando a música se faz muda,
Toda a melodia enlouquece,
E a harmonia grita surda,
Na luta contra o teu som, que prevalece;

Tua alma contorna toda estrela,
Tua pele se espalha entre os lençóis,
Que se contorcem ao tê-la,
E me atam entre os seus nós;

O anseio maior é o de encontrar,
O caminho que perpetue à cura,
Das cicatrizes, em meu corpo a definhar,
Nos delírios febris dessa poética loucura!

Horacio Vieira
(publicado em 30/07/2008 – 04:11/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20109369/08-F
(reescrito e republicado em 06/04/2011)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Amar e Existir



Amar e Existir


Eu amo porque me perdoo!
Perdoo-me por amar na inocência,
Na insistência do último ato,
De um amor que do perdão se fez penitência;

E no tablado da cena exposta,
No olhar desterro a essência,
A minha face vai ao chão e volta,
E desço ao inferno da consciência;

E no poço, fundo, de minha alma,
Nas escarpas, retalhado, me desnudo,
Pedaço por pedaço, a pele deixa o traço,
Do caminho do nada de regresso ao tudo;

Sigo em direção ao centro,
No centro de um abismo escuro.
Sou eu, então, o desconhecido amante!
O que ensaia a redenção constante,
Que é preciso aos que ousam amar,

E amar é saber mais do que olhar,
Amar é descer ao inferno com as asas de um anjo,
E subir aos céus com os olhos em brasa;
E fazer do olhar estrelas vespertinas,
Que na cadência de um brilho intenso,
Penetra lentamente na madrugada,
A devolver o prazer às manhãs amarguradas;

Meu olhar voltado ao chão,
Resgata minha alma no perdão,
E a remissão de um último ato me faz sentir,
Que ao amar, me permito existir!

Horacio Vieira
(publicado em 27/07/2008 – 02:01/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20107674/08-F
(reescrito e republicado em 05/04/2011)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

De Fino Fio a Pavio de Barril.



De Fino Fio a Pavio de Barril.


No paletó de giz riscado,
Na vertical branca linha,
No pano o rítmico traçado,
Compasso negro intercalado,
              
                  Paro!
                  Olho!

O tempo estático,
A respiração é lenta,
Mas a ansiedade atiça os movimentos,

                  Olho!
                  Paro!

A multidão em meio a Rua,
Formam nas filas despercebidas,
Linhas brancas no asfalto cinza,
Na monotonia já traçada,
No compasso negro intercalado,

                  ...
                  ...
                  ...

O tempo apressa o desperdício,
De repente sinto um descompasso,
Recosto o corpo na fachada de um prédio,
E me surpreendo ao perceber,
Que na contestação da rotina,
Na quebra das convenções tediosas,
Nos pensamentos anarquistas,
Na revolução do não querer ser,
Na premeditação da mudança,

     ...Desfiar-se-me-ei...

E um fio desfiado pode virar um pavio,
Com o desejo de estourar o barril,
Que abriga a pólvora dos anseios vazios...

Horacio Vieira
(publicado em 13/05/2008 – 04:01/São Paulo/BN)
Ctt. doc. 20130083/08-F
(reescrito e republicado em 04/12/2011)