terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Ditos que não ditam
Ditos que não ditam
Então, fica "o dito pelo não dito"!
E levo comigo esse sentimento corrompido,
Essa sensação constante de perigo,
Em que talvez caia na armadilha da hipocrisia;
E o melhor é olhar atento aos atalhos da estrada,
Para evitar o horizonte das palavras desgastadas,
E perder-se na ilusão da emoção deprimente.
Ficamos assim – “O dito pelo não dito”!
Retalho em mim as lembranças dos sorrisos,
Que nasceram em todos os bons momentos,
E de sobra encubro com meu sorriso,
A satisfação dolorida dessa experiência da vida,
A qual confiamos que todas as palavras ditas,
Seriam em nossas vidas bem ditas e não mal ditas;
Mas, fiquemos assim: “O dito pelo não dito”!
Permanecerá esse odor de covardia no ar,
Essa visão da verdade abortada,
Das entranhas da confiança emprenhada,
Pela convivência ou pelo amor;
Fiquemos assim: “O dito pelo não dito”!
Quem sabe a história renasça na espontaneidade,
E refaça o curso da natureza humana,
Criando espécies distintas,
Não separadas por idiomas ou culturas,
Mas sim distintas e classificadas pelo caráter,
Na coragem única de se mostrar,
Sem usar como lança envenenada,
A covardia da mentira da aceitação do que se é!
E sendo assim, viveríamos na possibilidade,
De sermos seres humanos felizes,
Sem o incômodo da alheia felicidade;
E nesse raciocínio leviano,
As hienas representam bem o não dito,
Um animal sarcástico que vive de carcaças,
Mas, que cumpre a risca a divina condenação,
Em ser um animal que vive sorrindo,
Da própria desgraça em comer putrefatos,
Os restos deixados por outros animais saciados;
E enquanto alguns riem, fica “o dito pelo não dito”!
Fica a lembrança esquecida,
Fica a saudade destruída,
Fica a imagem corroída,
Fica exposta a alma hipócrita,
Ficam surdos os cantores,
Ficam mudas as preces,
Ficam rindo as hienas,
Enquanto a humanidade compadece!
Horacio Vieira
(publicado em 30/05/2008 – 20:14/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2010833/08-B
(reescrito e republicado em 18/01/2011)
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Eis aqui um verdadeiro poeta. Que a justiça seja feita em sua vida e seus poemas publicados. Intenso e comovente ao mesmo tempo. Excelente.
ResponderExcluirAqui, fica apenas dito: belíssimo e comovente, caro mio. Continue sempre. Bjusss. Elisabete
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