sexta-feira, 30 de abril de 2010

Aphoéthika Brasillis



Aphoéthika Brasillis


Na bandeira que tremula,
Quais estrelas brilham?
A luz que imagino, não sei se é,
Ou se um dia, foram.
Não me fale da Ordem,
Hoje ela esta amarelada,
Graças à atmosfera poluída,
Pelas queimadas, enlouquecidas,
Da ganância desmedida,
Dos latifundiários dessa terra esquecida.
Até a Lua, que de branca não tem nada,
Vive esmaecida,
Ictérica e sem vida.
E do Progresso?
Os meus olhos ardem,
E já não é de paixão;
Pelas cidades eles se perdem,
Lacrimejando de irritação.
E os rios, então,
Que maravilha eles são!
Tanta poesia em suas margens,
Tal qual espuma de sabão;
E as flores, que lá haviam,
São fotos em branco e preto,
Expostas em meio à desolação,
De um passado não tão distante,
Mas que trazem consternação.
As árvores, das praças, estão escuras,
O verde claro das folhas se foi
Graças ao cloro das águas impuras;
Hoje ser poeta é viver na loucura,
Dos discursos obscuros e sem nexo,
Da vida, remarcada em prestações,
Da globalização, selvagem, das emoções,
Do caos, engarrafado, nas ruas e passarelas,
Dos interesses financeiros, camuflados,
Dos conluios políticos, acobertados,
Pelas lágrimas, verdes e amarelas,
Que vertem pelos olhos iludidos,
De um povo que ainda acredita na bandeira,
Hasteada no alto de uma palmeira,
Que Gonçalves Dias poetizava;
E que hoje faz da esperança, derradeira,
O símbolo da saudade de uma pátria,
Que desejo que jamais tenha fim!
E que eu não morra,
Antes que ela volte para mim...


Horacio Vieira

(publicado em 27/11/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0903-07
(reescrito em 30/04/2010)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um pensamento qualquer - I



Um pensamento qualquer - I


Que tolice enganar o tempo,
Essa grandeza inexplicável,
Que atinge o pensamento,
E traz a dúvida, ao inexorável;

Que bobagem mentir,
Fingir que não há amor.
Quando, o que fazemos é sentir,
Na saudade, uma imensa dor;

Amantes, sortilégios e o destino,
O orgulho é o motivo que condena,
Os corações à distância, ao abismo;

E na ânsia, da despedida, nos olhos famintos,
Que as estrelas não nos iludam,
Fazendo das constelações, insensatos labirintos...


Horacio Vieira

(publicado em 27/01/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0634-08
(reescrito em 29/04/2010)

sábado, 17 de abril de 2010

Madrugada



Madrugada


Se, ao alvorecer do dia,
A madrugada se confessasse,
Talvez, ela contasse,
Dos reinos etéreos dos sonhos,
Aonde os pensamentos e desejos
- Esses mistérios que à alma seduz -
São os deuses, brincando no infinito,
Íntimos de nossos corações,
Fazendo das estrelas, pérolas,
De um colar branco e frio,
Gélido como o vazio,
Do espaço sem luz, da desilusão;
Mas no inverso, ela se cala!
A madrugada não consente,
Que os segredos dos mortais,
Ultrapassem os portais,
Aonde vive a esperança;
Assim, é a madrugada,
A amante, mais dedicada,
Nos acolhe, calada,
E ao amanhecer, nos oferece um recomeço,
Sem pedir nada!


Horacio Vieira


(publicado em 31/01/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0697-08
(reescrito em 17/04/2010)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Poema do Amor Presente




Poema do Amor Presente


Quero a suavidade do ar,
Limpo e leve em meu corpo.
E no instante em que me tocar,
Que ele me leve aos poucos,
Ao teu corpo, louco para me amar;
E na transição dos sentidos,
Em que me desnudo da realidade,
Que não me sinta perdido,
Pois meu destino é uma verdade,
Que se encontra escondida,
Debaixo do batom, vermelho,
Dos teus lábios, que emolduram,
A tela de um infinito amor,
Em meio a tanta desventura;
Toma por teus desejos, essa saudade,
Que é agora, minha maior loucura;
E faça da minha insanidade,
A compreensão maior, da ternura
Que só existe no perdão, do querer,
Que só vive no olhar, dos amantes,
Que mesmo distantes,
Não conseguem se esquecer;
Quisera que essa minha ousadia,
Que nas rimas é lamento,
E nos versos, agonia,
Transgredisse as regras da natureza,
E se transformasse, além da poesia,
Na realidade do esplendor, da beleza
Contida no amanhecer, em todos os dias,
Nos quais, puder despertar, na certeza,
- De que serei seu, e você tão minha -
Que sem a paixão, que nos ilumina,
E sem as carícias de amor, do depois,
Até a eternidade, se sentirá sozinha,
Na ausência da história, de nós dois...


Horacio Vieira

(publicado em 16/12/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0834-07

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ausência



Ausência.


Esse branco, em meus pensamentos,
Os olhos de minha alma, vedados e em prantos,
Meus sentimentos sedados, e um silêncio,
Alastrou-se dentro de mim, mansamente;
Permaneci conivente com esse mistério,
Deixei que se consumisse até o fim,
E estática e apreensiva - a inspiração -
Quedou-se nos limites do desconhecido,
Exilada e solitária em meu coração;

Em princípio, todo branco deveria dar aos poetas,
A paz, a luz, a cor do início,
Ser o fim ou até o reinício;
Dar-lhes a espuma do mar,
Ou estar na moldura, de um olhar;
Ser o conotativo no eufemismo extremo
Das noites, das estrelas e do luar;
E fazer, dos borrões das nuvens no azul do céu,
Nuvens de rimas, a flutuar no papel;

Mas, esse branco que me rodeou,
Foi o branco da ausência;
Em que viajei no tempo, sem perceber;
Refiz e revivi os passos da angústia,
Da tristeza contida em um passado,
No qual amei, mais do que fui amado,
- e como se vivo, tivesse sido velado –
Esse amor acabou julgado,
E por ser intenso, extinguiu-se humilhado;

E foi de repente que percebi,
Que o branco que me cegava,
Era a mortalha que me envolvia;
Tecida com os fios da lembrança,
De um amor, que só em mim existia;
Fez-se de esperança, fria e vazia,
Que nos desvarios dos poetas iludidos,
É o canto da sereia, entorpecendo os sentidos,
Entre os versos, de uma triste poesia.

E então, desatei esse nó que me prendia,
Libertando definitivamente,
Todas as cores dos desejos e dos amores,
Contidos nos dias e noites,
Nos quais decididamente,
Me entregarei a um novo amor,
Que será tão audaz e valente,
Que me trará a paz da poesia, suavemente,
E fará fluir em mim a vida...novamente!


Horacio Vieira


(publicado em 23/01/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0597-08
(reescrito em 14/04/2010)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Refúgio



Refúgio


Eu conheci teus sonhos,
Experimentei teus desejos,
Os receios, eu relevei,
Senti os teus lábios,
E neles, eu acreditei.

Sei, que nos momentos bons,
Tentei esquecer os ruins,
Como se me permitisse,
Ver apenas o sol,
Ao invés dos temporais
Pelos quais me destruístes.

Sei dos sinais do teu corpo,
Das mãos a sudorese,
O início do tremor,
A constante abstinência,
Do vício do amor;

Da tua voz, suave,
Eu guardo a sensação,
Da carícia na melodia rouca;
E eu, ainda ao fundo, a escuto,
Em cada e em toda canção;

És uma pétala de rosa,
Que desprendida, repousa em minha mão;
Hoje, em mim, você é sinônimo de solidão,
Adjetivo do vazio em meu coração,
Motivo da tristeza e da desilusão;

Mas, se o brilho da luz, que emana da chama,
Do fogo que vai desvanecendo essa paixão
Não iluminar a estrada, por onde caminhas em mim,
Ainda assim, na escuridão do sono, irei te encontrar,
E te farei de sonho, o último refugio, para lhe amar...


Horacio Vieira


(publicado em 06/01/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0241-08
(reescrito em 12/04/2010)

domingo, 11 de abril de 2010

Soneto de uma lição



Soneto de uma lição


Esse olhar denso, calado,
Carrega um silêncio tenso, tão meu,
É um olhar invasivo, ousado,
De quem sabe o que será seu;

Esse som abafado, ritmado,
Um chamado infatigável, que se repete,
É o som do pulsar pervertido - depravado,
De um ladino coração, que se atreve

A saquear do tempo, os segundos,
Para conter a vida, que no instante da eclosão
Liberará da vontade cativa, os desejos profundos,

De que do corpo da mulher cobiçada,
Eu aprenda, ao sorver da pele nua, transpirada,
A história do todo, que então, será o meu mundo...


Horacio Vieira


(publicado em 04/01/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0168-08
(reescrito em 11/04/2010)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Equilíbrio



Equilíbrio


Aquecem o meu corpo,
Os raios do sol de um novo dia,
Amanhece no meu rosto,
A esperança da vida, quem diria,
Parece que pouco a pouco,
Minha alma vai se enchendo de alegria,
E sinto em meus lábios o gosto,
Do vento doce da poesia;
E o meu olhar de garoto,
Corre pelos campos a brincar,
E a buscar a felicidade ternamente;
Abro meus braços lentamente,
Na vontade de abraçar o mundo,
Ou deixar que ele me leve,
E nesse exato instante,
Sinto o corpo formigando,
Fecho meus olhos e imagino,
Ser a luz que brilha,
Ou o vento que sopra,
Ou o verde da mata,
Sou o campo e o céu...
Sou a sinfonia do silêncio,
Na melodia da criação;
O princípio do universo,
A divina inspiração;
Quando, de repente,
Na ponta de meu nariz, uma coceira,
Abro os olhos e me deparo,
Com uma formiga que me diz:
- Psiu! Tira o pé do formigueiro e para de bobeira!

Horacio Vieira

(publicado em 03/01/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0130-08
(reescrito em 09/04/2010)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Último



Último


Que venham dos sonhos,
Todos os anjos do amor;
E que seus desejos tragam a cura,
E retirem a cicatriz da desventura
Que é amar em dueto,
Na solidão de um só coração.
E amar só é uma cicatriz ácida,
Essa cicatriz que faz sangrar até a alma,
E que deixa no olhar a lágrima sentida,
Vertida na fonte da mentira alheia,
Caída da fronte da verdade traída.
Lágrima que percorre os caminhos,
Entristecidos do meu rosto,
Que combalido por esse sentimento,
Esvaneceu-se pelo desgosto,
De ser maltratado pela ingratidão...

Quem ama escondido, na escuridão,
Foge do reflexo de qualquer brilho,
Capaz de iluminar a verdade do que se é!

Se o amor é uma dádiva de Deus,
Que os Querubins anunciem,
Por todo o céu e por toda a terra,
A batalha desse meu coração,
Pela luz da verdade do que sempre foi,
Na vontade perpétua do que sempre é,
E no destino marcado, do que sempre será;
E nas lutas, que ainda travarei,
Que conquiste o direito de poder ter,
Todas as sensações em minhas mãos;
E antes que me perca pela vida,
Que seja lembrança, a agonia desse sentimento,
Condenado a viver na escuridão de sua ilusão;
E quando, esse sentimento se tornar saudade,
E quando essa saudade se tornar lembrança,
E então, quando essa lembrança fugir,
Que seja esse esquecimento - entorpecendo a dor,
A cura que me virá dos sonhos, através dos anjos,
A me entregarem um novo e sincero amor.

Horacio Vieira

(publicado em 02/01/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0089-08
(reescrito em 07/04/2010)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Poema ao Ocaso



Poema ao Ocaso



Beira o ocaso,
Essa entristecida ausência,
Que por longos momentos,
Cercou a minha essência;
Sitiou meus pensamentos,
E me deixou vazio e sem rumo.
A mão, trêmula, tentava em vão,
Em meio às palavras encolhidas, ressentidas, 
Dissipar a sombra, do semblante
De uma ilusão feroz, tão cruel e atroz
Que por pouco não apagou
A luz da inspiração que vinha de mim;
E assim, silenciaram-se em espanto
Todas as frases, versos, e contos,
Todas as harmonias, melodias e cantos;
E fez, com que todas as minhas alegrias,
Fosse um único e retorcido pranto.
A ausência é a amante do silêncio,
Mas o silêncio, não é o soberano da alma;
E minha alma é inquieta!
Ao perceber que do calor esfriava,
Pela luz carente, ela se fez cadente,
Estrela em agonia a descer dos céus,
Radiante rebeldia a resgatar em meu coração,
A verdade da magia dos amores,
Que por tantas vezes - e uma vez mais -
Me devolvem suavemente à vida.
E dessa saudade, insurgente,
Veio essa vontade, de repente,
Do calor do ardor, de todos os beijos
Que acompanham e permeiam o amor.
Em meio ao caos, na beira do ocaso,
Desejo uma mulher, a me recolher,
A me chamar, me amar e escolher;
Que se aconchegue nua e transparente,
Que anoiteça ao meu lado,
Que faça renascer a minha essência,
Que desfaça todo o receio da ausência
No primeiro suspiro, de todo amanhecer.
Que essa mulher, venha ao mundo me devolver,
Renascido, recriado, feito e refeito homem,
Como sempre deveria ser,
Como só quem ama, faz acontecer,
Como só quem acontece, sabe fazer...


Horacio Vieira


(publicado em 13/12/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0742-07
(reescrito em 06/04/2010)