domingo, 19 de dezembro de 2010
Uma Chuva Qualquer
Uma Chuva Qualquer
Minhas lágrimas são gêmeas,
Percorrendo caminhos diferentes,
Vertem um pouco de minha alma,
Ambas nascem do mesmo ventre;
Minhas lágrimas, tão iguais,
Transparentes e salgadas,
São marés de fragilidade,
Ondas de emoções represadas;
Essas lágrimas, semelhantes,
Irrigam os campos da sensibilidade,
Em rios de desejos, inebriantes,
Fecundam a esperança em meu peito;
Lágrimas de águas límpidas,
Riachos do meu olhar,
Imperfeitos duetos da entonação,
Porém, perfeitas na criação;
Nascente de inspiração intensa,
Dos devaneios do meu coração,
A transmutar-se em lágrimas,
A sublimar-se em águas;
A recriar-se na atrevida sensação,
De ser a gota de uma chuva qualquer,
Mascarado beijo, molhado, a esconder,
No rosto, a saudade do corpo, da amada mulher!
Horacio Vieira
(publicado em 16/05/2008 – 09:20/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2009173/08-B
(reescrito e reeditado em 19/12/2010)
sábado, 18 de dezembro de 2010
Soneto de um instante
Soneto de um instante
Os sentimentos de um homem a aflorar,
Em um denso instante de amor;
Com pétalas de véus brancos a acariciar,
Cobriu todo o mar com uma única flor;
E no êxtase, sublime, de poder,
Os olhos compartilham com o mar
A lágrima da alma, a mais sábia do querer,
Para seduzir a lua, que vem se aconchegar;
E no peito das ondas, uma chama a iluminar,
Demarca a fonte de uma luz, trazendo a paz,
A exaltar os carinhos, feitos nesse mar;
E ao encontrar, explícita, a felicidade,
Do céu dos anseios voam anjos satisfeitos,
Cúmplices ocultos desses instantes de amar.
Horacio Vieira
(publicado em 07/05/2008 – 13:35/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2008791/08-B
(reescrito e reeditado em 18/12/2010)
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Meu Amor Meu
Tenho em mim um amor,
Um amor que é só meu;
Ele sublima qualquer dor,
Pois resiste em ser amor;
Um amor sem temor,
Em ser o que é;
Ele sorri em silêncio,
Pois ele sabe o que quer;
Ele não é teu - é meu!
A ti, esse amor já se ofereceu,
Mas no desprezo, esmoreceu;
Esse amor que é tão delicado,
Vive na ousadia de amar sempre mais,
Do que jamais, por você, será amado!
Horacio Vieira
(publicado em 06/05/2008 – 14:54/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2008462/08-B
(reescrito e reeditado em 17/12/2010)
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Amanhecer
Amanhecer
As portas estão se fechando,
Nossas almas se afastando,
Por Deus, como eu não queria te esquecer!
Mas, como te esquecer?
Se todos os dias, ao amanhecer,
O universo vem lhe entregar,
Suavemente ao meu olhar,
No brilho de um Sol a refletir
O nascente em meu peito,
E a recriar a semelhança, no calor da luz,
Do toque de suas mãos a acariciar-me;
Tento em um instante me recompor,
Mas, me perco na ordem dos sentimentos;
Meus pensamentos, que são muitos,
Se fundem na emoção, e em você é único;
E no cúmulo dessa insensatez,
Penso em querer que você encontre alguém,
Que lhe faça sorrir como eu sempre quis;
E da incoerência dos desejos que me vem,
O meu desejo maior é que seja feliz!
Eu criei você da síntese de todas as dimensões
Que me rodeiam e que me inspiram;
Tornei-me o criador a viver pela criação,
Entre recordações de um paraíso perdido,
Absorto pela esperança em meu coração;
E o passado, é uma distância medida,
Nos passos da saudade que lhe traz para mim;
A minha vontade é a tua felicidade,
E quanto a mim, amada mulher,
Restará tão somente,
Que em um, incerto, amanhecer,
Eu simplesmente deixe, ternamente,
De sentir a luz do teu corpo, a me envolver.
Horacio Vieira
(publicado em 05/05/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2008185/08-B
(reescrito e reeditado em 15/12/2010)
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Amor Intenso
Amor Intenso
Semelhante a todas as estrelas,
Que brilham no céu de toda noite;
Sob o fundo negro que as margeia,
Na forma extensa de uma luz farta,
Que enche os olhos de quem as vê,
Assim, eu lhe vejo ao fechar dos olhos;
Na negritude das pálpebras cerradas,
É de tua face que vem um brilho extenso,
A preencher o universo das lembranças;
E rabisca a vastidão em que me perdi,
Desde a primeira vez em que te vi!
Confundo esses traços luminosos,
E me arrisco nos afrescos dos sorrisos
Que os teus lábios, molhados, emolduram;
Quantos artistas seriam precisos
Para alcançar a perfeição do teu rosto,
Que vive rascunhado em minha alma,
A delinear os atalhos ao meu coração?
Já tentei fazer dos beijos de outros lábios,
Telas brancas a redesenhar essa paixão;
São teus meus desejos anarquistas,
E são meus, teus instantes impetuosos;
Eu lhe dei a minha essência ao te admirar,
E você me conteve ao me amar;
No final do meu tempo,
No extinguir da minha vida,
Que meu último olhar
Reflita o suspiro de minha alma,
Ao sentir a emoção da inspiração,
Ao descobrir que na pintura das estrelas,
Demarcando o caminho dos reencontros
Surgirá o teu rosto, em um brilho extenso;
Eu farei de você a minha eternidade,
E você, fará de mim teu infinito, nesse amor intenso!
Horacio Vieira
(publicado em 04/05/2008 – 06:24 - São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2007473/08-B
(reescrito e reeditado em 14/12/2010)
domingo, 12 de dezembro de 2010
Dependente do amor
Dependente do amor
Não há o que falar das dores,
Das perdas que tive na vida.
Desejo contar das alegrias dos amores,
Dos sorrisos da mulher querida.
Prefiro alimentar essa capacidade,
De sempre e indubitavelmente amar!
Quero crer na compatibilidade,
Da emoção nos instantes de razão;
Sentir a possibilidade de me apaixonar,
Novamente, repetidamente e sempre!
Quero o colo feminino me atiçando,
Quero as pernas ladeando os meus quadris;
Quero o olhar da mulher a me instigar,
A incendiar os meus receios,
E das cinzas desses delírios febris,
Sentir o êxtase da cura e renascer,
No gemido mudo de todo orgasmo agudo;
Sou do amor, um crente contumaz.
Um pirata a singrar os mares da solidão,
A pilhar o navio e deixar a tristeza incapaz
De tornar indiferente toda e qualquer paixão;
Sou sim, do amor dependente,
Um adolescente a querer sempre mais,
E não lamentarei se caso for abandonado
Pois saberei assim, que jamais fui amado,
Mas tenho certeza, que serei sempre lembrado,
Pelas mulheres que se deitaram ao meu lado,
E que foram intensamente desejadas.
Talvez, entre os amores tantos que virão,
E na esperança contida nessa busca obstinada,
Eu encontre um único a acalentar todas as dores,
Dos amores passados, marcados em meu coração!
Horacio Vieira
(publicado em 03/05/2008 – 06:25 - São Paul/BN)
Ctt : doc.. 200502/08-B
(reescrito e reeditado em 12/12/2010)
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Serpente Marota
Serpente Marota
Que menina marota,
Sob o linho suave da pele de mulher,
Encontra-se oculta uma alma de garota.
Com seu sorriso travesso,
Confunde os sentidos,
De um convite ao avesso,
Aos desejos enrustidos.
Menina de manhas,
A sacudir o vestido;
Mulher de artimanhas,
A atrair o inimigo,
Que ao se deparar,
Com esse inocente olhar, se rende,
Aos encantos dessa bela serpente;
Quem dera, pudesse eu somente,
Ter apreciado, mais amiúde, essa maçã;
E se pecado fosse, seria um pecado indecente,
Desses, que deixam um sorriso na manhã,
Um suor no pescoço - ao lembrar no almoço -
Do apetite que a saudade trará no final da tarde,
Ao tentar o meu corpo, a amar à vontade;
O homem que nasce poeta é um pecador, eternamente,
A vasculhar e rabiscar os anseios alheios, ternamente;
Quem sabe então, em um olhar desses “de repente!”,
Aconchega-se um poeta, mansamente, entre as rimas,
E aquebrantando os encantos e as correntes,
Consiga libertar dessa irreverente menina,
A mulher ardente, que vive fantasiada de serpente!
Horacio Vieira
(publicado em 25/04/2008 – 09:06 - São Paul/BN)
Ctt : doc.. 200493/08-B
(reescrito e reeditado em 09/12/2010)
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Somente Mulher
Somente Mulher
São momentos divinos os instantes de amor,
Por onde os pensamentos peregrinos,
Dispersos entre o tempo e a dor,
Reencontram a razão do destino,
Nos intensos carinhos de uma mulher;
Mas, não de uma mulher qualquer!
Existe a necessidade premente,
De que seja a mulher extrema,
Aquela do suspiro de amor verdadeiro,
Aquela que faz do beijo o paradeiro
Onde habita o desejo derradeiro;
É o querer da mulher em ser amada!
E então, assim ela se faz cobiçada,
E nos atiça pela madrugada
Com o olhar de quem busca a estrada,
Das inocentes gargalhadas,
No laço de um dengo que nos arrebata;
São tantos olhares em um único olhar!
São tantas estrelas, para um único céu,
Que da mescla desvairada dos brilhos ardentes,
É que de repente, essa mulher extrema,
Faz de si a estrela pequena,
A reluzir no céu das noites dos sonhos, intensa!
É essencial que seja amante e voraz!
Que consiga conter um homem em seus braços,
E que faça desaparecer qualquer traço,
De amores outros, na penumbra do passado;
E que essa mulher consiga conquistar,
Na indolência de se deixar dominar;
Que venha mulher mais do que tudo!
Que chegue humilde feito o murmúrio
Da primeira declaração de amor,
Aquela que deixou o universo mudo,
Ao saber que o todo não é tudo,
Na ousadia da entrega total;
Que sempre renasça mulher no primeiro toque!
E que o roçar de sua pele faça ecoar,
Os gemidos da fusão de todos os anseios,
Contidos em seu peito na fúria de amar;
Que essa mulher não se perca em amarguras,
Mas que ela seja a conclusão de toda a loucura;
Que seja sempre mulher, brincando de menina;
Que afinal, seja ela essa mulher que alucina,
Que seja um delírio distante, que se aproxima,
Que venha na visão de um anjo, que ilumina,
Os passos do amado homem,
Que em sua direção, sorrindo, caminha!
Horacio Vieira
(publicado em 23/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 200185/08-B
(reescrito e reeditado em 05/12/2010)
sábado, 4 de dezembro de 2010
Menino Valente
Menino Valente
Uma criança que é menino,
Um menino na imaginação,
Que brinca com seus sonhos,
No tabuleiro da inspiração;
Um menino, um garoto,
Um garoto na ilusão,
Que brinca com seus sonhos,
Na ânsia da paixão;
Um garoto, um adolescente,
O adolescente da contestação,
A fazer da paixão a razão incoerente;
Eis, que do adolescente veio o moço de repente,
E na primeira desilusão, na lágrima vertente,
O moço fez-se homem, na dor de um amor ausente!
Horacio Vieira
(publicado em 22/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 193754/08
(reescrito e reeditado em 04/12/2010)
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Soneto do Desejo Infindo
Soneto do Desejo Infindo
Seu corpo vem recostar ao meu,
Sua pele é o sinal da eternidade;
Meus braços atendem ao cansaço seu,
E lhe acolhem com alva suavidade;
Minhas mãos, trêmulas, mas inquietas,
Percorrem o universo nesse corpo lindo;
Meus olhos são janelas abertas,
A conjecturar a razão desse desejo infindo;
Permaneça, aqui, sempre em meu peito,
Não se distancie de mim jamais,
Nada, nunca, será tão perfeito,
Quanto esses momentos ternos de paz;
Permita que seja o único a lhe amar,
E me negue, de seus lábios me afastar!
Horacio Vieira
(publicado em 21/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 124795/08
(reescrito e reeditado em 02/12/2010)
Silêncio
Silêncio
Hoje eu quero o silêncio,
O silêncio da saudade incontestável,
O silêncio da conquista inesperada,
O silêncio da afirmação perplexa,
O silêncio de um olhar longínquo,
O silêncio do desejo insaciável,
O silêncio da posse comedida,
O silêncio da contemplação,
O silêncio da consternação,
O silêncio da contradição,
O silêncio da expectativa,
O silêncio da serenidade,
O silêncio da inspiração,
O silêncio da concepção,
O silêncio da percepção,
O silêncio da satisfação,
O silencio da contração,
O silêncio da conclusão,
O silêncio da ansiedade,
O silêncio da sensação,
O silêncio da angústia,
O silêncio da espreita,
O silêncio da criação,
O silêncio do suspiro,
O silêncio da morte,
O silêncio do fim,
O silêncio,
...!
Horacio Vieira
(publicado em 20/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 01975/08
(reescrito e reeditado em 01/12/2010)
domingo, 17 de outubro de 2010
O jardim e o menino
O jardim e o menino
Havia um jardim, na minha rua,
E tão menino, do imaturo olhar impreciso,
Flores germinavam da ternura,
Das inocentes sementes, dos meus sorrisos;
Eu olhava esse jardim, tão menino,
É o adorno de uma saudade que me enlaça,
E da minha rua, eu dizia que o destino,
Havia desenhado um arco-íris, naquela casa;
Lembro que sempre em frente - lá eu parava,
Sei da intuição que atiçava,
O olhar do homem, no menino que sonhava,
Era a magia da vida, que me enfeitiçava;
E com as mãos cerradas no portão,
Eu buscava a razão entre as pétalas das flores,
Pensando nas tantas cores da paixão,
Que se revela amor, nas canções dos sonhadores;
Todas as manhãs eram assim,
Despertava contente, e já partia,
Para as flores perfeitas, feitas para mim,
E à noite, no perfume das cores, adormecia;
A cada ano, em cada estação,
Uma nova flor, com uma nova cor surgia,
E eu roubava do jardim, a flor que meu coração,
Adolescente, à namorada oferecia;
Mas o tempo em minha face desenhou,
Tantos rascunhos de amores - e nenhum ficou!
Caminhos diferentes a vida me mostrou,
Senti distante em mim, o menino e o jardim;
E na magia dos desejos adormecidos,
Minha alma, fez da saudade um jardim dos instantes,
Em que cada uma das flores transpirava os odores,
Da pele da saudade, de todas as minhas amantes;
E assim, eu percebi que das cores dos instantes,
Das diferentes flores, de matizes e amores,
Fiz da minha vida, um jardim semelhante,
Aonde a paixão, floresce constante;
E o amor - esse intenso desatino,
Incondicional, ele se fez errante sem querer,
Mas a saudade, sempre irá me colher, menino,
No corpo da mulher, que em minha cama florescer;
E na certeza de que jamais amei em vão,
O aroma da alegria é o sorriso de satisfação,
Na semente do menino em minha alma refeito,
A florir de pétalas, o olhar do meu coração!
Horacio Vieira
(publicado em 09/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 01975/08
(reescrito e reeditado em 17/10/2010)
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Olhar de um Anjo
Olhar de um Anjo
O olhar de um anjo,
É um olhar sereno,
Rabiscando o infinito,
Em um olhar pequeno;
É um olhar que procura,
Nos corações ressentidos,
Encontrar a cura,
Para os sentimentos perdidos;
Um anjo com um olhar assim,
Faz das esperanças, respostas de paz,
E traz no olhar o brilho do perdão sem fim;
E nesse bálsamo de luz, que nos alcança,
Desvendamos do amor, sublime e inocente,
O anjo escondido no olhar, de toda criança...
Horacio Vieira
(publicado em 07/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 02865/08
(reescrito e reeditado em 15/10/2010)
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Soneto da transformação.
Soneto da transformação.
Quero a redenção, silenciosa, inconsciente,
A salvação, calada, que transforma o homem;
Quero o reencontro da paixão adolescente,
E não importa se for um desejo incoerente;
Que meus demônios se enfrentem com ardor,
Na arena do olhar de toda a confirmação;
E que pelo fio da adaga, do mais sincero amor,
Sobreviva em mim, os beijos doces dessa ilusão;
São tantas e brandas as esperanças,
Que rodeiam o coração de um homem,
Que cada lágrima, é uma gota abatida,
Na face envelhecida, na busca pela inspiração;
É nessa fonte, onde renasce minha alma, enternecida,
Que meus suspiros provam do amor, pela vida.
Horacio Vieira
(publicado em 05/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 05473/08
(reescrito e reeditado em 13/10/2010)
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Poeta-Palhaço
Poeta-Palhaço
Que se abram as cortinas,
E que apareça no picadeiro,
Meu coração palhaço,
A desenhar sorrisos nessa menina,
Que me traz o amor verdadeiro;
Que meu nariz vermelho,
Disfarce, em minha face, os traços,
Das dores que já sofri,
Em meus momentos de cansaço;
Ah! Menina que me encanta,
És tão doce quanto o mel,
Das abelhas que trazem pelo céu,
O néctar das flores das estrelas,
A reluzir sublime em teu atento olhar,
E esses teus olhares...
São as luzes, a me seguir, dos holofotes,
Que iluminam a ribalta,
Onde solitário, de fraco me faço forte,
Para conquistar um só sorriso seu,
Que meu desejo tanto exalta...
Menina, tu és a única na plateia,
A fazer minha poesia reviver;
E entre saltos e malabarismos,
Entre as mímicas, desse poeta-palhaço,
É que da flor murcha na lapela,
Borrifam palavras belas,
Tão belas, quanto as risadas,
Recompensa das palhaçadas,
Destino das minhas rimas versadas;
Sorria para mim, menina adorada,
Teus sorrisos serão os aplausos,
A esse coração saltimbanco;
E que, ao fechar das cortinas, eu tenha visto,
O improviso do amor, nos teus sorrisos...
Horacio Vieira
(publicado em 04/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 05473/08
(reescrito e reeditado em 31/08/2010)
domingo, 29 de agosto de 2010
O tempo e o amor
O tempo e o amor
Vivo dentro do tempo,
E esse tempo que passa,
Ao passar por mim,
Diminui o ritmo;
É um tempo de desejos,
De saudade dos beijos,
Da minha amada;
Dos carinhos sentidos,
Em minha alma apaixonada,
Que ao entardecer de todo o dia,
Renovada, se faz revoada;
Anunciando a madrugada,
Com suas estrelas a brilhar,
Iluminando o caminho,
Desse meu amor que virá;
Que não me deixa sozinho,
Vendo o tempo passar,
Com suas noites e dias,
E meses e anos...
Vivo dentro do tempo,
Do tempo de amar;
E amar é eterno sentimento,
Tão lindo e sincero,
Que faz o tempo vagar,
Que faz o tempo diminuir,
Que faz o tempo olhar,
Parar e perpetuar,
Os momentos em que amo...
E amo a todo tempo,
E se a todo tempo amo,
O tempo vive em mim,
E dentro do tempo,
Os segundos são de amor,
De um amor que jamais terá fim...
Horacio Vieira
(publicado em 03/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 05031/08
(reescrito e reeditado em 29/08/2010)
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Reflexão poética sobre a razão do amor
Reflexão poética sobre a razão do amor
Por tantos quantos forem precisos,
Serão eternos e constantes os desejos;
Pois se precisos forem,
Serão precisos neste sentimento infinito,
Um infinito impreciso,
Porém, absoluto e preciso!
O que preciso é a certeza e a necessidade,
Nua e transparente,
Frágil e emergente,
E que em meu espírito, preciso,
Venha serenamente,
Desencadear a incoerência do preciso,
Que como impreciso, então,
Venha abalar a plenitude do que é certo,
Na certeza da anarquia do desconhecido,
Que de tanto e nada,
Unem-se agora ao caos,
Da dúvida intermitente,
Latente, em meus pensamentos;
E assim, quero contemplar,
O suplício da razão,
A implodir no estímulo da pulsação,
Das batidas que se fazem imprecisas,
Em meu coração;
E somente assim, percebo,
Que apenas o amor é preciso...
E concluo que preciso e prevejo,
A lógica do meu ser,
Que é viver, precisando de você!
Portanto,
Uma vez finda essa elucubração,
Jamais pense, que amo, sem razão...
Horacio Vieira
(publicado em 02/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 04979/08
(reescrito e reeditado em 25/08/2010)
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Silêncio rebelde
Silêncio rebelde
Não há mais silêncio em mim,
No som de um fogo, sob minha pele,
Há uma chama rebelde,
Que baila cigana,
Que rodopia e me encanta,
Que me beija e me engana,
Que me habita irreprimível,
Que me renega, mas, me domina,
E que me atiça o medo,
Em tudo o que me abisma;
Não há mais o silêncio instigante,
Pois, toda a inocência de um sorriso,
É desfeito se é em tua face que ele inicia;
E nessa incoerência da indecência,
É que sem limites, me rendo ao teu olhar,
E me ajoelho ao me entregar,
A todas as suas vontades secretas,
Que me seduz, por entre a ilusão,
Que alimenta as labaredas inquietas,
Que bailam e rodopiam em meu coração;
Meu peito vela os meus sentimentos,
Que queimam feito carvão,
E se é no calor que se repartem e se consomem,
É no frio da solidão, que de minha alma partem
Na intenção, de ao meu lado tracejar o teu lugar;
Não, não há mais silêncio em mim...
O silêncio eu deixo no olhar,
Só me resta de tua boca escutar,
Os encantos dos sons de todos os beijos;
E entre o beijo e o desejo,
Que o amor venha sussurrar,
Que é do sopro do teu suspiro,
Que o silêncio se rende na agonia,
E que apenas teus lábios,
Sabem como acalmar,
Esse rebelde fogo, que é te amar...
Horacio Vieira
(publicado em 31/03/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 04529/08
(reescrito e reeditado em 23/08/2010)
domingo, 25 de julho de 2010
Depois
Depois
Me perco em devaneios, depois,
Quando tarde, da noite, vem o frio,
E ele instiga e excita os sentidos,
Infiltrados em minha pele - que arredios-
Brandem em cores, brilhos e sedução;
É um portal que se abre, do nada,
Um convite ao já conhecido;
Teu perfume vem por ele, e me agrada,
Traz o aroma dos feitiços perdidos,
Ao exalar da alma transpirada;
E então, me entrego ao mistério,
E me aprofundo em meu coração;
E entre as névoas, do suor,
Aprendo, beijando-a, do sabor da ilusão,
A fazer do teu corpo, o meu destino maior;
Vejo teus lábios, molhados,
Procurando os meus lábios no vazio,
Invocando em seus sonhos, os sonhos meus;
E me sinto parte desse mesmo desejo,
Quando meus lábios tangem os teus;
E na manhã, por entre as frestas da cortina,
Que resguarda o nosso passado,
É que a luz mostra o som do espanto,
No silêncio do espaço vago,
Na cama ao meu lado;
Tenho receio do que virá,
Na solidão, que é tanta, por te amar,
Me arrebato em sentimentos, por nós dois,
E a cada vez - agora e sempre - sinto que não sei,
Como aceitar a vida, sem você, depois...
Horacio Vieira
(publicado em 31/03/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 02125/B-08
(reescrito e reeditado em 25/07/2010)
sábado, 24 de julho de 2010
Verdades
Verdades
Que todas as verdades que existam,
Elevem a vivência, fruto da sobrevivência,
Soma das experiências em cada essência;
Que elas resistam no olhar de toda criança,
Que elas vençam a tormenta da adolescência,
E que cure todas as angústias escondidas,
Dos corpos cansados e ávidos por esperanças;
Esperanças nos sorrisos, reencontrados,
Entre os abraços, perdidos, em um passado
Repletos de sentimentos bons, compartilhados,
De uma infância feliz, com os amigos ao lado;
A saudade do colo guardião, dos sonhos sagrados,
No calor das mãos, das mães, que acariciaram,
As faces de tantos anjos, recém-chegados;
A construção das verdades é frágil,
Porém, depois de concluídas,
Serão eternas e límpidas imagens,
Incólumes paisagens refletidas,
No sorriso da conquista,
Ou então, nas lágrimas vertidas,
De todo homem que ousar vasculhar,
A verdade de si mesmo, no próprio olhar...
Horacio Vieira
(publicado em 30/03/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 02086/B-08
(reescrito e reeditado em 24/07/2010)
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Incômoda Felicidade
Incômoda Felicidade
Procurado e condenado,
Exilado e só!
Não conseguirei me esquivar da solidão,
A não ser que eu exista, de um outro lado,
Do outro lado de um espelho,
Do outro lado do lago,
Do outro lado da rua,
Do lado...ao lado!
Dividido, minha salvação é estar unido,
Mas não sou eu quem decide
Qual caminho deva ser percorrido,
Para que as duas partes de mim mesmo,
Se encontrem e se mesclem no depois;
E enquanto esse momento não chega...
Culpam-me pelas lágrimas que não criei,
Julgam-me pelo vazio que não deixei,
Apedrejam-me pelo pecado que não cometi,
Alegam que sou responsável pelos erros,
Pelos erros que não incitei;
Porém, ao me encontrar e me fundir,
Talvez ainda me culpem por sobreviver,
Em meio a essa inquisição...
Quem poderá me julgar?
Quem será capaz de ter a mesma coragem,
De permanecer incólume às provocações,
E de esboçar sorrisos em meio ao sofrimento?
De esquecer-se, nas lágrimas de outros corações,
E persistir em existir no drama criado,
Por quem, na omissão, se faz de vítima,
E vive do sarcasmo germinado na alma,
Alma de insensível odor e delicada na aparência;
Seres tolos que amargam a felicidade alheia,
E vivem das calamidades tramadas na maldade,
De criar a dificuldade e oferecer a facilidade,
Da falsa tranquilidade que não possuem;
Pois apesar de gritarem que são justos,
A vaidade que lhes envenena a alma,
E lhes cega o coração,
A nada proíbem, mas a tudo obstam!
Vejam bem, meu sorriso escancarado!
É um sorriso de liberdade,
De quem viveu oprimido e escravo,
E que hoje se vê libertado,
Das correntes que o mantinham aprisionado;
Iludido pelo amor que lhe moveu,
Iludido pelas pessoas falsas e frias,
Arrependido por acreditar,
Nas vozes das sereias da covardia...
Resisto em querer viver,
Mesmo sendo em pedaços;
Hoje reconheço a falsidade,
Dos lábios que já beijei,
Dos conselhos que escutei,
Dos abraços que precisei,
Nos momentos em que encolhido, chorei...
Serei eu um vencedor por sorrir?
As mágoas partiram,
A tristeza se foi...
Eu fiquei!
Que o calor da luz que me ilumina,
E que me tira da escuridão,
Devolva a paz ao meu coração;
Pois dos parcos cacos, detalhes, da vida,
É que aprendi de novo a amar;
E que todos saibam de meus olhares,
Dos sorrisos que as rugas emolduram,
Pois nelas, existe uma felicidade,
Que outros tantos, cobiçam e procuram...
Horacio Vieira
(publicado em 29/03/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 01912/B-08
(reescrito e reeditado em 23/07/2010)
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