quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Serpente Marota



Serpente Marota


Que menina marota,
Sob o linho suave da pele de mulher,
Encontra-se oculta uma alma de garota.
Com seu sorriso travesso,
Confunde os sentidos,
De um convite ao avesso,
Aos desejos enrustidos.

Menina de manhas,
A sacudir o vestido;
Mulher de artimanhas,
A atrair o inimigo,
Que ao se deparar,
Com esse inocente olhar, se rende,
Aos encantos dessa bela serpente;

Quem dera, pudesse eu somente,
Ter apreciado, mais amiúde, essa maçã;
E se pecado fosse, seria um pecado indecente,
Desses, que deixam um sorriso na manhã,
Um suor no pescoço - ao lembrar no almoço -
Do apetite que a saudade trará no final da tarde,
Ao tentar o meu corpo, a amar à vontade;

O homem que nasce poeta é um pecador, eternamente,
A vasculhar e rabiscar os anseios alheios, ternamente;
Quem sabe então, em um olhar desses “de repente!”,
Aconchega-se um poeta, mansamente, entre as rimas,
E aquebrantando os encantos e as correntes,
Consiga libertar dessa irreverente menina,
A mulher ardente, que vive fantasiada de serpente!

Horacio Vieira
(publicado em 25/04/2008 – 09:06 - São Paul/BN)
Ctt : doc.. 200493/08-B
(reescrito e reeditado em 09/12/2010)

2 comentários:

  1. Adorei! É encantador como o poema nos conduz a olhar para a mulher, permeada na alegoria da serpente, que vive no âmago de uma menina/garota - reação a flor da pele, sonhos mil, sentimentos vibram e desejos se afloram...

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  2. Lindo!

    Um homem pecador, um poeta na essência...

    " Um Encantador de Serpente "

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