quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Nuvem de Esperança
Nuvem de Esperança
Leves e soltas, as nuvens flutuam,
Por um céu límpido e sem destino,
Lentamente, elas procuram,
O coração, no olhar de uma criança;
Em outras formas se exibiam,
Brincando com a imaginação,
Uma nuvem era girafa,
Outra nuvem, um leão,
Uma nuvem era um circo,
Outra nuvem, um balão;
E assim, elas passam,
Disfarçadas na inocência da ilusão,
Às vezes, cantam trovoadas,
Outras vezes, nos abraçam na proteção;
Quem sabe, serão os pensamentos,
Que se libertam e voam,
E da alma tornam-se fragmentos,
Dos momentos serenos,
De um tempo de sonhos,
Que existe na tranquilidade,
Do olhar de uma criança,
E que hoje, em meu olhar de homem,
São suaves nuvens, de esperança.
Horacio Vieira
(publicado em 23/11/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0742-07
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
A mulher que vier
A mulher que vier
Que me venha essa mulher fogosa,
Linda, sensual e estonteante,
Que minha boca a sinta gostosa,
Em cada beijo de nossos lábios amantes,
Que eu deslize meu corpo,
Pelo corpo dela e perca todos os receios,
Entre o som e tom de um amor louco,
Na medida da harmonia de seus seios,
Que ela me chegue feito nuvem de verão,
Rápida, incerta, tranqüila e tempestuosa,
Que venha da surpresa da gota ao cair no chão,
Que me ame na poesia e despreze a prosa,
Arranhe minha pele, revele minha alma,
Que me consuma na fúria, e me devolva a calma...
Horacio Vieira
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Poema da Paz Sublime
Poema da Paz Sublime
Minhas mãos, entrelaçadas a minha frente,
São mãos de promessas e de rezas;
São as mãos de quem as fez em semelhança,
Por isso teimam em se enlaçar,
E se mesclar, em uma só esperança,
Uma voz, delicada, em minha alma,
O som do universo, em silêncio me alcança;
E na solidão que me rodeia, uma lágrima me acalma;
Minhas mãos, tão firmes e fortes,
Se apertam e se abraçam feito dois amigos,
Se unem e se tocam, como dois amantes,
Enfrentam a vida e desprezam a morte;
Nesse momento de prece, o tempo desaparece,
Sou eu em Deus, que me enxergo assim,
E por fim, encontro esse Deus, vivendo em mim;
O Deus dos poetas, dos loucos e das meretrizes,
É o mesmo Deus dos Santos, o Deus que nos guia
nos instantes, nos quais sangram as nossas cicatrizes;
Então, na oração que se inicia,
Temo a inconsistência do meu ser,
Em ser, talvez, pretensioso com os desejos,
Que de reis, em meus tormentos,
Tornam-se mendigos, humildes pedintes pensamentos;
Em meu olhar, lampejos de sussurros ensaiam,
As palavras titubeiam entre os meus lábios,
Que dizem apenas: ”Paz, meu Pai!”
E à luz, que então me cega, peço que me ilumine,
Pois sei que na escuridão do que não compreendo,
Somente ela me aquece, acolhe e me redime...
Horacio Vieira
(publicado em 09/02/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0137-08
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O meu silêncio
O meu silêncio
O meu silêncio não se cala,
E o meu silêncio, não consente,
É um silêncio consciente,
De um vazio constante,
Por onde desbravo calado,
A solidão do meu ser;
O meu silêncio sente,
Mesmo dormente,
Cada vibração do som,
Do tom de cada palavra,
Que ainda não disse,
Mas que penso em dizer;
O meu silêncio é inerente,
Aos que buscam a verdade,
Que transpiram sinceridade,
E que se calam na certeza,
Frente à incerteza dos erros,
Na vontade sublime de ser;
O meu silêncio pode ser indecente,
Mas é decente no sorriso discreto,
Tímido no palco descoberto,
Aonde protagoniza no olhar,
A realidade distorcida,
Daqueles que gritam, sem nada a falar;
O meu silêncio é agressor,
Das provocações sem sentido,
Dos comentários indecisos,
E das mentiras soberanas,
O meu silêncio não se aquieta,
Não se ajoelha e nem reverencia,
Os senhores da injustiça;
Que o meu silêncio, seja assim,
Um desprezo anarquista,
Daqueles, que de um nada sem fim,
Acabe por me inspirar á toa,
E me faça escrever, baixinho,
Como se cantasse contemplando,
A poesia que no meu peito é rebeldia,
Mas que de mansinho, vou rabiscando...
Horacio Vieira
(publicado em 17/11/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 1256-07
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Vem
Vem
Vem, toca-me novamente,
Permita-me sentir teus dedos,
Desenhando a minha face,
Percorrendo o meu corpo,
Que se arrepia todo, nessa espera;
Nessa expectativa sem destino,
Sem querer saber aonde eles vão;
Importa-me, somente perceber,
Que por mim, sua mão se eleva,
E leva seus dedos a flutuar por minha pele;
Mãos, que curam as mágoas passadas,
Que me libertam das correntes pesadas,
Do medo de amar e de me sentir amado;
Vem, e me preenche de coragem,
Chegue feito uma esperança teimosa,
Aquela, disfarçada de saudade de momento,
Que discretamente pousa no coração,
E deixa a alma da gente manhosa,
Florescendo a alegria, semeada no tempo;
Descanse suas mãos, dispostas e sem segredos,
Sobre o meu peito, aberto e de um jeito,
Que desperte toda a volúpia,
A incendiar de insanidades meus pensamentos,
E a deixar arder, obsceno, em meu olhar,
Todo o desejo que ainda me restar;
E nessa expedição sem mapa,
Em que os sentidos se orientam,
Pelos pontos cardeais em meu corpo,
É que pouco a pouco,
Suas mãos vão descobrindo a verdade,
Ao desnudar toda a angústia contida,
Nos dias em que vivo sem você.
E em meio a tanta ansiedade, desmedida,
É que entrego, a cada toque seu,
O meu amor, que será teu, por toda a vida!
Horacio Vieira
(publicado em 01/11/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 1074-07
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Poema de um Anjo
Poema de um Anjo
Assim aconteceu, em uma noite fria e escura,
Estava eu, triste, sozinho e escrevendo.
A inspiração calava nas palavras que não vinham;
E então, uma luz branca e forte foi aparecendo,
E dessa luz, surgiram as asas de um anjo,
Que ternamente foi me envolvendo,
E com um olhar maternal e repleto de compreensão,
Em minha direção, ele veio flutuando,
Com seus braços suaves, ele me abraçou,
E ao ler, minha alma no olhar,
Em meus ouvidos, ele sussurrou...
“Poeta, que pareces estar perdido,
Não sabes que é por ti que o amor fala?
E se, o que encanta na poesia, hoje cala,
É porque há tristeza demais em teu olhar;
Vim, para te contar,
Que as estrelas, somos nós, anjos,
Que esperam a noite chegar,
Para que, uma a uma, virem te sussurrar,
Toda a inspiração, que o amor lhe traz;
E quando, poeta, você se retrai,
E alimenta a tristeza, que lhe tira a paz,
O céu estremece só de pensar,
Que o seu menestrel, já não será capaz,
De doar-se na poesia,
Que faz brilhar as estrelas do céu,
Que vivem por te inspirar!
Então, poeta que nessa vida és,
Saiba que o escuro da noite,
É o branco do papel;
E por cada letra das palavras que escreves,
Sorri cintilando, uma estrela no céu;
E fazemos dos teus versos, as nossas asas,
A bater, agitando o coração de cada ser,
Que acredita ser, a poesia,
A fonte da esperança, de todo novo dia;
Meu poeta,
É preciso o sono para que se crie o sonho,
É preciso um sonhador, para que se faça a poesia,
É preciso a poesia para que se entendam os sonhos,
E assim, os deixem viver, no olhar de um coração;
Em tuas mãos, a voz de um anjo canta,
E tenta sempre renovar o amor,
A pulsar, tão descrente,
Na vida, sofrida, de tanta gente
Que passa a fazer da solidão, a eterna vertente,
Das amarguras, nascentes das lágrimas.
Portanto, meu amado poeta,
Sorria, pois lhe foi concedido,
O dom do amor e de amar,
E se sofres em algum momento,
É porque, entre um verso e outro,
Entre a alegria do sorriso,
E a tristeza do lamento,
A coragem e o medo vêm para lhe afrontar.
Não desanimes, jamais, meu poeta!
Nessa batalha, sempre serás o vencedor,
Pois carrega dentro do seu peito,
Cravada em beijos, em tua alma,
A marca dos anjos, que por ti, falam de amor!”
Ele partiu, e eu dormi.
Ficou o sono, um sonho,
um perfume de jasmim no ar,
E uma vontade, poética, de amar!
Horacio Vieira
(publicado em 31/10/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0926-07
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Adeus Incondicional
Adeus Incondicional
Não me diga do amor que não tive,
Sei bem das verdades que deixei escapar,
Por entre as veredas de um orgulho ferido;
Talvez tenha deixado a vida me levar,
E não olhei ao lado, nem para enxergar,
A angústia, que tanto maculava meu peito;
Não me venha dizer que não te escutei,
Por te escutar demais é que sofri,
E como recompensa por tanto amor;
Ficaram cicatrizes dos cravos de tua língua,
Que ao me crucificar, nem ao menos pensou,
Que aquele, que ali estava, foi quem lhe amou;
Não julgue esse amor que te deixou,
Pois você, nunca o desejou sinceramente,
Mentiu por tanto tempo que se enganou,
E assim, sentiu o gosto da cicuta a lhe envenenar
A consciência - se é que sabes o que é isso -
E a alma, que agora é uma lata de lixo;
Não ouse pensar que agora me ama,
Pois não me resta um pingo de sentimento,
E o que existia, esvaiu-se nos lamentos,
Por entre as lágrimas perdidas, no chão aonde piso,
E se em meu olhar, houver ainda o brilho da esperança,
Não se iluda - pois não é por você - não mais lhe preciso;
Não sei, afinal, se me compadeço de mim,
E por extrema coragem, ainda creia que exista,
Em algum lugar a mulher a quem devo amar;
A você, restará na calada da noite,
Uma saudade ardida, que irá lhe amortecer os lábios,
Sedentos dos meus lábios, a lhe devolverem a vida;
E quando deitar na cama sentirá, que distante,
Estarei eu a amar outra mulher, loucamente,
E não será você a sentir os abraços do meu corpo quente;
E essa outra mulher, ao me amar tanto e tão intensamente,
Haverá de me conceber entre suas coxas e braços,
Resgatando um amor, que não mais é seu - felizmente!
Horacio Vieira
(publicado em 28/10/2007 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 0870-07
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