sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Insegurança



Insegurança



Do que tens medo, mulher?
Se ao sentir-me tão perto do teu corpo,
Os teus braços se movem em minha direção,
E os teus lábios, entreabertos pronunciam,
O meu nome, como um desejo latente
Acelerando as batidas do teu coração,

Do que tens medo, mulher?
Se ao despertar de todos os dias,
Vem a angústia, do tempo que não passa,
Da saudade da minha face em seu olhar,
E desvairada, a esperança, crendo que me perdeu,
Incendeia a lágrima, e a vontade de me amar;

Do que tens medo, mulher?
Se ao chegar em casa, sozinha,
Finges não existir o delírio da solidão,
Mas, são por meus lábios que anseia sentir,
O sabor dos carinhos da sedução,
E a eles se entregar nua, despudorada a sorrir,

Do que tens medo, mulher?
Se ao deitar na cama, minha voz lhe chama,
E sentes teus seios esculpidos por minhas mãos,
Pois no escuro do quarto, nem eles sublimam o vazio,
Dessa minha ausência, em ondas incessantes
Da falta da paz, que só pertence aos loucos e amantes;

Do que tens medo, mulher?
Se ao se deparar comigo,
Todos os seus receios mundanos,
Se fundem aos meus olhares profanos,
E desfazem a razão e o perigo,
Que é me amar tanto o quanto eu te amo!


Horacio Vieira

(publicado em 17/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 0196-07


Um comentário:

  1. Caro mio, que maravilha!!! Minha mente está inquieta e tentando imaginar qual mulher não sentiria medo, ou não seria insegura diante daquele que pergunta e em seguida responde...; daquele que é capaz de transformar o trivial da vida na beleza da poesia... A certeza só existe porque a incerteza é constante. Como sempre, adorei, rs. Bjus. Elisabete

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