sábado, 30 de maio de 2009

Desperdício



Desperdício


Limpe suas mãos ao pensar na verdade,
Na verdade das palavras que tenta dizer;
Palavras escondidas, na fantasia de um ilusório caráter,
Caráter que suprime as deficiências,
Da sua existência hipócrita!
Limpe bem esse rosto ao olhar,
Pois ele não esconde as manchas da manipulação,
As rugas, da sua petulância na retórica demente,
De que, algum dia, pensou que me amou.
Louca, obsessiva e compulsiva mente,
Mente na prática e tropeça na teoria,
E insiste em achar que me quer...
Um desperdício em forma de mulher!
Vem! Chega perto de mim,
Vem rastejando, sedutora, na ânsia de me amar;
E eu, na plenitude de um amor tão sublime,
Abro o meu peito e lhe dou o calor de um sentimento;
E você, me acolherá entre as coxas frias do fingimento!
Louca, obsessiva e compulsiva mente,
Tola em crer que se acha mulher,
Louca e cega...
É preciso muito mais do que virilhas para ser uma mulher,
É preciso decência, postura, delicadeza, serenidade,
Cumplicidade, verdade, vontade e sinceridade!
Não me venha dizer que os homens são os culpados,
Pois eu lhe digo que até a mais besta das feras,
Sobrevive do que a natureza lhe oferece!
Não vejo um leão fabricando mel,
E muito menos uma abelha devorando sua presa,
Você atrai o que oferece,
Sabe dos perdões de cada prece,
Mas se esquece qual é a sua natureza...
És mulher, isso é o que és!
Uma perfeita criação do universo,
Carrega o desejo de todo homem,
Desperta os poetas em todo verso,
Transpira pelas telas de um pintor
E faz toda a razão perder o nexo,
Quando você, então mulher,
Torna o sexo um ato de amor.
És mulher, isso é o que sempre serás!
Não lhe critico mas lhe indico um caminho,
Não é tarde para recomeçar,
Nunca é!
Então, que a vida lhe conduza ao melhor,
Ao melhor do que ela possa lhe oferecer.
Do vinho que me oferecestes,
Restou o sabor amargo do vinagre em minha boca,
E um vermelho rebuscado em teus lábios.
Te deixo partir porque é preciso que vá,
Você tem que aprender a ser o que é,
Nascer, viver e morrer como mulher.
E se sentires a minha ausência,
Quem sabe nos tentamos novamente,
...Em outra existência!


Horacio Vieira

4 comentários:

  1. Você consegue ainda mostrar o que é bom no que é ruim e fazer o que é ruim ficar bom. coração de poeta é o que vc tem. Parabéns pelo lindo poema, um aviso divino vindo de vc. Amo seus poemas. Sabrina

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  2. "...Não vejo um leão fabricando mel,E muito menos uma abelha devorando sua presa, Você atrai o que oferece, Sabe dos perdões de cada prece, Mas se esquece qual é a sua natureza..." - Essa vai para o mural da facul bello! Me contaram do poema eu vim ler. e depois dizem que um tapinha não dói rsrsrsrs ántes todos fossem assim. beijos, fabiana

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  3. essa poesia desperta o ser de qualquer mulher,hoje vejo o que sou lendo estas singelas e doces frases.parabéns

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  4. Foi aqui que conheci o poeta! "Desperdício". Também foi aqui que o meu coração, por alguns instantes, parou de pulsar... estarrecido diante das palavras que o compõem, pelo poder de me por diante de mim mesma.
    Ora, mas é só um poema... Um breve instante de inspiração... Um encontro de papel e pensamento.
    Não consigo me convencer disso. "Desperdício", representa para mim a semente e o ciclo da vida nela contida; a essência...
    Sem dúvida, é deslumbrante. Eu adoro esse poema e todas as vezes em que eu o releio fico mais e mais admirada. Parabens, Horácio. Elisabete

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