quinta-feira, 8 de julho de 2010

Soneto da Traição



Soneto da Traição


E assim, apossou-se a escuridão da alma,
Os gestos, delicados, deram lugar a fúria implacável;
O descompasso, distorcido, retorcendo a calma,
Tornaram infracta a harmonia, outrora intocável;

E dos olhos, brilhantes, surgiu um poço escuro,
E da verdade, retalhada, fez-se a mentira do absurdo;
O amor soltou em agonia um grito mudo,
E exalou-se o frio - da morte - no peito moribundo;

O coração, precipitado, já não seguia o tempo,
As mãos, trêmulas, se apegavam ao corpo,
E a desilusão, reinou então, como único sentimento;

O desengano desfez as máscaras de cera dos lamentos,
E nos amantes, o desejo sangrou no falso momento
Em que uma lágrima, caía aflita, de arrependimento!


Horacio Vieira

(publicado em 06/03/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 00754/B-08
(reescrito e reeditado em 08/07/2010)

6 comentários:

  1. que bela forma de expressar a triste morte do amor... Só o desfecho deixou-me um pouco confusa..., pois não havendo mais engano nos amantes o desejo sangra, mas como poderia lágrima de arrependimento, não contida, surgir em falso momento? e desde já perdoe-me o atravimento poeta... Elisabete

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  2. Bellinha...rs...
    é um soneto sobre "traição"...rs...
    E quando existe traição...
    O desengano (sinônimo e continuação do sentimento da desilusão!) faz com que oo fingimento termine, e todo o desejo se esvai no falso momento em que uma lágrima (lagrima de crocodilo, se preferir!) cai...aflita, (fingindo - já que o momento é falso e o poema de traição!) de arrependimento!
    Espero que tenho compreendido...
    Beijos, e obrigado pelo comentário!
    Horacio.

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