sexta-feira, 23 de julho de 2010
Incômoda Felicidade
Incômoda Felicidade
Procurado e condenado,
Exilado e só!
Não conseguirei me esquivar da solidão,
A não ser que eu exista, de um outro lado,
Do outro lado de um espelho,
Do outro lado do lago,
Do outro lado da rua,
Do lado...ao lado!
Dividido, minha salvação é estar unido,
Mas não sou eu quem decide
Qual caminho deva ser percorrido,
Para que as duas partes de mim mesmo,
Se encontrem e se mesclem no depois;
E enquanto esse momento não chega...
Culpam-me pelas lágrimas que não criei,
Julgam-me pelo vazio que não deixei,
Apedrejam-me pelo pecado que não cometi,
Alegam que sou responsável pelos erros,
Pelos erros que não incitei;
Porém, ao me encontrar e me fundir,
Talvez ainda me culpem por sobreviver,
Em meio a essa inquisição...
Quem poderá me julgar?
Quem será capaz de ter a mesma coragem,
De permanecer incólume às provocações,
E de esboçar sorrisos em meio ao sofrimento?
De esquecer-se, nas lágrimas de outros corações,
E persistir em existir no drama criado,
Por quem, na omissão, se faz de vítima,
E vive do sarcasmo germinado na alma,
Alma de insensível odor e delicada na aparência;
Seres tolos que amargam a felicidade alheia,
E vivem das calamidades tramadas na maldade,
De criar a dificuldade e oferecer a facilidade,
Da falsa tranquilidade que não possuem;
Pois apesar de gritarem que são justos,
A vaidade que lhes envenena a alma,
E lhes cega o coração,
A nada proíbem, mas a tudo obstam!
Vejam bem, meu sorriso escancarado!
É um sorriso de liberdade,
De quem viveu oprimido e escravo,
E que hoje se vê libertado,
Das correntes que o mantinham aprisionado;
Iludido pelo amor que lhe moveu,
Iludido pelas pessoas falsas e frias,
Arrependido por acreditar,
Nas vozes das sereias da covardia...
Resisto em querer viver,
Mesmo sendo em pedaços;
Hoje reconheço a falsidade,
Dos lábios que já beijei,
Dos conselhos que escutei,
Dos abraços que precisei,
Nos momentos em que encolhido, chorei...
Serei eu um vencedor por sorrir?
As mágoas partiram,
A tristeza se foi...
Eu fiquei!
Que o calor da luz que me ilumina,
E que me tira da escuridão,
Devolva a paz ao meu coração;
Pois dos parcos cacos, detalhes, da vida,
É que aprendi de novo a amar;
E que todos saibam de meus olhares,
Dos sorrisos que as rugas emolduram,
Pois nelas, existe uma felicidade,
Que outros tantos, cobiçam e procuram...
Horacio Vieira
(publicado em 29/03/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 01912/B-08
(reescrito e reeditado em 23/07/2010)
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Magnifício, bárbaro, brilhante, são maravilhosos os seus poemas. Bjuss. Lis
ResponderExcluir