sábado, 31 de outubro de 2009

Amor intangível



Amor intangível


Era uma noite linda,
Estrelas e Lua no céu brilhavam,
Minha alma sorria,
Em silêncio, meu olhar, um amor pedia;

E assim, de repente, suave veio à neblina,
E a Lua e estrelas que no céu reinavam,
Desapareceram, e meu olhar se perdeu
No céu que se apagou e minha alma, entristeceu;

Meus pensamentos se agitaram,
Como se quisessem dissipar a neblina,
Minhas mãos transpiravam,
E minha boca seca, mordeu os próprios lábios!

Meu olhar, então atento a todo movimento,
Viu surgindo em meio à neblina,
A silueta de um corpo que brilhava mais
Do que as estrelas que antes me davam a paz;

E na silueta desse corpo, em meio à neblina,
Veio a voz mais doce que em minha vida escutei,
Seria o tom do canto de um anjo, com o qual me deparei?
Sei que nos limites desse corpo, meu universo se conteve,

Toquei seu corpo como se toca um piano,
Toquei o piano como se acaricia uma mulher,
Acariciei essa mulher como se bordasse em um pano
Todos os encantos que meu peito recitou em meus desejos,

Da neblina fria, nasceu o amor mais intenso,
O sentimento da redenção a um coração cansado,
E se nos braços dessa mulher, eu resgatei meus sonhos,
Nos abraços dos meus sonhos, é que renasci apaixonado;

Na neblina branca - a tela dos amantes,
Na dança das sombras, minha alma enlaçada e louca,
Em meu corpo as sensações da fúria e da volúpia,
E a vida se fez súplica, no som dos beijos de minha boca,

Mas, esse amor intangível a me envolver,
Que da neblina fez seu ventre e nasceu para me amar,
Desapareceu no primeiro raio de luz na verdade de viver,
Se desfez no amanhecer e me perdeu sem ao menos...me tocar!

Horacio Vieira

domingo, 25 de outubro de 2009

Ode ao amor surreal



Ode ao amor surreal


Não sou um homem para se gostar,
Sou um homem a amar!
Tola a mulher que ama um homem qualquer,
Esses homens, sem amor-próprio,
Sem noção da vida, em uma vida de ilusão;
Uma vida assim ácida, depressiva,
Amargurada e mergulhada no passado;
Esses homens que vivem na televisão,
Ou acorrentados ao cabo de uma conexão;

Banda larga, banda curta,
Banda estreita, bunda chata!

Mas, as mulheres até gostam,
Vivem no limiar da loucura virtual,
Fazem do amor, um conto de jornal;
Uma história anormal,
Onde o sexo usa bengala de cego,
E o toque é irreal, e a verdade é trivial!
Não sou um homem para se gostar,
Principalmente, quando a mulher não sabe amar;
E nem sabe o que é amar,

Pessoas casadas, fazendo de conta que o mundo é azul,
Pessoas solteiras, divorciadas, trancafiadas no medo infindo,
Pessoas que se escondem de si mesmo, no riso ardiloso,
Pessoas que vivem tomando banho de lama,
Pessoas que dormem solitárias na cama...
Pessoas cheias de contos dramáticos,
Vitimismos fantásticos,
E tentam seduzir, pela compaixão das dores,
Dos flagelos do açoite feito dos espinhos das próprias flores;

Pessoas que deveriam tentar nos conquistar,
Pela determinação da coragem,
Da coragem dos atos honestos e não da fantasia funesta!

Coragem em continuar vivendo,
Ser feliz, e permitir que sejam felizes!

Faço questão de que me deixem em paz!
Já vi atitudes cruéis demais,
Eu vi o pior das armações, alçapões das mentiras,
Vi seres humanos serem trocados,
Pelos bits brilhantes de uma tela,
Ao invés de serem feitos a mais linda tinta,
A colorir uma aquarela qualquer;

Esse amor de mentiras vira um vício,
E esse vício, torna-se o real ofício,
E lá se vai uma alma a mais para o sacrifício!

Existe sim, uma pessoa carente,
Com seus sentimentos e esperanças,
Mas toda a esperança será perdida,
Se não se der conta,
Que existe além da tela, algo chamado “vida”!

Esse abismo surreal, em que as pessoas vão se jogando,
Em que vivem se conectando,
Pode vir a ser negro e triste!

Não sou um homem para se gostar,
No melhor de mim há o desejo de amar,
Então, meus amigos que me amem,
Como eu sempre os amarei,
Minha família,que me ame,
Como jamais deixarei de amar,
E as mulheres e homens, de visão entorpecida,
Que lembrem, que um dia passou,
Com as mãos estendidas,
Alguém como eu – que nada sou,
Ao largo do precipício de suas vidas...


Horacio Vieira


domingo, 18 de outubro de 2009

Serás minha?



Serás minha?


Já pensou se fostes minha?
Eu de alegria caminharia,
Entre passos de euforia,
Sem saber por onde iria,
E então, assim seria...

A minha vida se encheria,
E uma estrela me diria,
Na noite em que sorria,
Que o meu desejo se cumpria
Em cada beijo que te daria;

E tua boca, adormecia
Na minha boca, que balbucia,
Tão perto, ela diria,
De noite e de dia,
O teu nome, sem o qual eu não existiria;

Feito lenda ou fantasia,
Não me importa a maestria,
Das notas dessa sinfonia;
E nem ao menos, me importaria,
Com o som do mundo, que despertaria

Ao sentir, que nasceria,
Imponente, a harmonia,
De um novo amor, que seduzia
Até a história, que se humilharia,
Frente o compasso dessa poesia.

E na crença certa, da eternidade que viria,
Pelas palavras aqui, tua alma seguiria,
E tão constante quanto as rimas que lerias,
Seria o amor que lhe entregaria,
Se fostes minha...um dia!

Horacio Vieira

(publicado em 18/10/2007 – São Paul/BN)
                Ctt : doc.. 0205-07


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Insegurança



Insegurança



Do que tens medo, mulher?
Se ao sentir-me tão perto do teu corpo,
Os teus braços se movem em minha direção,
E os teus lábios, entreabertos pronunciam,
O meu nome, como um desejo latente
Acelerando as batidas do teu coração,

Do que tens medo, mulher?
Se ao despertar de todos os dias,
Vem a angústia, do tempo que não passa,
Da saudade da minha face em seu olhar,
E desvairada, a esperança, crendo que me perdeu,
Incendeia a lágrima, e a vontade de me amar;

Do que tens medo, mulher?
Se ao chegar em casa, sozinha,
Finges não existir o delírio da solidão,
Mas, são por meus lábios que anseia sentir,
O sabor dos carinhos da sedução,
E a eles se entregar nua, despudorada a sorrir,

Do que tens medo, mulher?
Se ao deitar na cama, minha voz lhe chama,
E sentes teus seios esculpidos por minhas mãos,
Pois no escuro do quarto, nem eles sublimam o vazio,
Dessa minha ausência, em ondas incessantes
Da falta da paz, que só pertence aos loucos e amantes;

Do que tens medo, mulher?
Se ao se deparar comigo,
Todos os seus receios mundanos,
Se fundem aos meus olhares profanos,
E desfazem a razão e o perigo,
Que é me amar tanto o quanto eu te amo!


Horacio Vieira

(publicado em 17/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 0196-07


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Entre o sono e os sonhos.



Entre o sono e os sonhos.



No silêncio da noite, ao fechar dos olhos,
No primeiro passo do sono,
No prelúdio dos sonhos,
Eu desejo te encontrar;

Na madrugada que se inicia,
No prefácio dos sonhos,
Na dimensão do sono,
Abro meus olhos na pretensão de lhe enxergar;

Em meio a constante madrugada,
No reino etéreo do sono,
Escrevo entre os sonhos,
Os versos que irei declamar;

Sob o feitiço da ansiedade,
Meus olhos cansados, peregrinos do sonho,
A esmo na terra do sono,
Ainda teimam em te buscar,

Ao amanhecer, no despertar dos olhos,
No primeiro passo dos sentidos,
No início de mais um dia,
Minhas mãos, o teu corpo, vão procurar,

Mas sei, que talvez sem lembrar,
O teu perfume é uma confissão no ar;
Pois na desventura do sono, por entre os sonhos,
Eu lhe encontrei, e uma vez mais, consegui lhe amar!



Horacio Vieira

(publicado em 16/10/2007 – São Paul/BN)
           Ctt : doc.. 0185-07


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Uma estrela qualquer



Uma estrela qualquer



Em uma noite qualquer,
Sob o céu estrelado,
Um menino deitado, espantado viu
Que no céu estrelado, uma estrela sumiu...
E na inocência então pensou:

“Essa estrela foi dormir!”

E de manhã, quando despertou,
Perguntou se aquela estrela voltaria a surgir.
E sempre lhe vinha a mesma pergunta:

“A estrela que estava lá, aonde ela foi parar?”

Ele brincou de bola, brincou de esconde,
De pega-pega, livre correu;
Brincou de roda, virou Visconde,
Mas um pensamento não se perdeu:

“A estrela que estava lá, aonde ela foi parar?”

Os momentos da vida foram passando,
E de criança, o menino foi se enamorando,
E com os olhos de garoto, ele foi observando,
Que como um pião, o mundo ia girando!
E o tempo, que não para jamais,
Reverenciava em sua memória, o que já não via mais.

E em seus sonhos, os dedos de criança,
Nas mãos de um homem, vasculhavam o céu;
A tornar essa oculta estrela, a esperança,
Descrita na poesia e rascunhada no papel;

Os anos, desenhados em segundos, passaram,
E na máscara do homem, um menino levava a expressão,
De um velho, com uma pergunta criança, em seu coração:

“A estrela que estava lá, aonde ela foi parar?”

E em uma noite qualquer, de um dia comum,
Os velhos olhos de menino, cansados se fecharam!
E em um lugar distante, nesse mesmo instante,
sob o céu estrelado, um menino deitado,
Espantado viu, uma estrela brilhante,
Que no céu surgiu;
E uma pergunta,
No olhar desse menino, então se fez:

“Como foi ali parar essa estrela, que não estava lá?”

E um anjo, ao pensamento lhe sussurou: 
                                          
                                          "Essa estrela, despertou!”



Horacio Vieira

(publicado em 09/10/2007 – São Paul/BN)
              Ctt : doc.. 0132-07


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Poeminha Singelo



Poeminha Singelo


Vi na Lua refletida,
A luz do meu caminho,
A iluminar a minha vida,
Na solidão, que é um espinho,

Essa luz que vinha dela,
Era branca como um véu,
Ao olhá-la da janela,
Ela roubava o meu céu,

Das estrelas que piscavam,
Nem eu mesmo, acreditei,
Uma ciranda iluminada,
E então, eu me enamorei!

Nesta lua que brilhava,
Era meu o rosto da paixão,
E os meus olhos, enfim abriram,
A estrada do coração;

Vem na minha alma brilhar,
Vem a minha vida guiar,
A brilhar, feito o canto na melodia,
E guiar o amor, nessa singela poesia...


Horacio Vieira
(publicado em 02/10/2007 – São Paul/BN)
            Ctt : doc.. 1053-07


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Resistir



Resistir


Quando a crueldade vence a verdade,
E ela se faz mais leve que a sinceridade,
É chegado o tempo de se despedir,
É preciso dizer adeus a tristeza,
Crer na certeza,
Ir embora e recomeçar!
É preciso encontrar a força necessária,
Para se reerguer contra a injustiça,
Ser mais forte que as intrigas,
Derrotar toda mentira,
E recomeçar!

Nesse momento de ingratidão,
Quem sofre é o amor que nos mantém,
Quem perde é a esperança de ser feliz,
Quem chora é a alegria por ter sido ilusão!

Ando tão só...
Tão cansado!
Mas como estar cansado de ser o que sou?
Por que me cansar de fazer sorrir,
De tratar bem ao outro,
De deixar na alma um sorriso de satisfação?

Preciso dormir,
Para quem sabe poder sonhar,
Sonhar comigo, me encontrar e resistir;
Que mal fiz eu em acolher cada amigo,
Como se eles fossem a pétala de uma flor rara,
E não deixar que caíssem ao chão,
Antes que recebessem o carinho de minhas mãos?

Jamais pensei, que fosse tão pesado,
A amargura por ser honesto,
Jamais imaginei,
Que a neblina das manhãs pudessem ser mais densas,
Que os raios do sol que sempre vi!
Como é dolorido o julgamento do que não se faz,
Como é amargo o sabor do beijo que nunca dei,
Como é escuro, o caminho de quem peca por não errar...

Ando tão só...
Tão cansado...
Preciso dormir, para quem sabe acordar,
Sonhar comigo, me encontrar e decidir,
Se ao despertar, ainda terei forças para resistir...


Horacio Vieira