quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Luar de Inverno


Luar de Inverno


A noite chega fria em um imenso vazio,
Minhas mãos buscam o teu corpo,
Mas o teu corpo, da minha vida sumiu.
Meus braços te procuram como loucos,
Porém, se retraem no escuro do que existiu.
Abro os olhos e na penumbra que me ladeia,
Presumo atingir o limiar do infinito,
E invadir o dormitório das estrelas.
E eu as vi dormir.
Fui mais longe do que se pode ir,
Na tentativa de perseguir o rastro,
Desse astro louco, que aquece esse teu corpo,
Que ilumina – escondido - o teu peito,
E que irradia o calor úmido,
Dos trópicos abaixo da linha da cintura,
Na latitude e longitude exatas,
O ponto onde se fixa a minha loucura.
Que falta você faz!
E nessas frias noites de luar,
Empresto da madrugada seu segundo plano,
Deixo as estrelas sem seu fundo escuro,
E uso esse véu sereno de um azul moreno,
Para cobrir meus olhos e não enxergar,
Que por uma noite a mais neste inverno,
Não será teu o corpo, a me esquentar...

Horacio Vieira

sábado, 6 de agosto de 2011

Um sorriso no olhar


Um sorriso no olhar


O primeiro sorriso, eu vi no seu olhar,
Um olhar que no sorriso era um mundo,
No segundo sorriso, o desejo era de amar,
E viver amando a cada segundo;

No terceiro sorriso eu já nem sabia,
Se era de verdade a mulher que me encantava,
E a esse encantamento, me entregaria,
Desejando a realidade dessa mulher adorada;

No quarto sorriso, eu tive a certeza,
Que ela existia e que era dela a minha felicidade,
Foi honesta ao se expor, e essa é sua beleza,
Jamais se escondeu em mentiras e falsidades;

No quinto sorriso, não suportei,
Peguei em sua mão, seu rosto acariciei,
De seus lábios me aproximei,
E um beijo em seu sorriso, lhe dei!

Horacio Vieira

Poema dedicado a Alessandra,
A mulher que me faz amar,
No sorriso do seu olhar...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Da Janela



Em cada verso o universo se revela,
Salta, pula e se expande nas estrelas,
Mas, somente o olhar da moça na janela,
É capaz de o ver contido na luz da lua cheia.


“Inebriante!” - Diria a mulher de desejos 
                                                           apaixonados,
“Encantador!” - Sussurraria a menina romântica,
                                  crente ainda na existência do 
                                                      verdadeiro amor.


Mas, da janela a moça ao poeta declara:

“Em cada verso eu o recrio,
Para que assim, tenha a nítida sensação,
De que tu és outro com o mesmo coração.
Pode uma alma dividir-se?
Quem é o poeta de quem espero,
Alegre e ansiosa os versos diários,
Cujas palavras brincam em meus sonhos,
No leito de minha cama?
Ah, poeta que me excita a alma,
Diante de teus poemas, nua me sinto,
E assim, perigosa e deliciosamente nua,
Sou eu, que em cada verso a ti me revelo!”


Eu, na quietude da inspiração reflito,
Olhando no horizonte o espaço infinito,
Imaginando como pode uma carícia,
Estar contida nas letras de um sentimento.
Talvez, se regressar no tempo,
E remexer na esquecida saudade de um tormento,
Quem sabe, encontre a resposta aos pensamentos,
Que tanto me instigam a alma,
Essa condutora ilustre do meu corpo,
Ávida espectadora dos momentos,
A acalantar todos os meus lamentos.

Sinto que a memória maquiada em saudades,
Em beijos esquecidos, manteve a beleza,
Delineando nos anseios da mulher amada - a paixão,
Nos sussurros da menina romântica - a esperança,
E nos versos deste poeta a certeza,
Que nos desejos de uma mulher,
Com a cabeça recostada a flutuar na ilusão,
A vida se redescobre com a mesma delicadeza,
Dos versos nos poemas de um amor qualquer.

Se a esse poeta um dia for concedido,
O poder de repartir-se em dois,
Que então, eu me divida, metade no olhar,
E a outra metade no abraço do querer
Do sincero amor, no desejo da esperança,
De ofertar à mulher menina,
A exaltação de um universo,
Incoercível em versar o amor,
Em noites nas quais, de uma janela,
Em um suspiro, ela me domina!


Horacio Vieira