segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Poetas




Poetas


Os poetas não tem domínio fixo,
Poetas se deitam entre as estrelas,
E despertam entre mulheres.
Poetas são incompreendidos nas palavras,
Pois na ternura são atingidos,
Pelas insinuações de uma posse indevida,
Por outra posse, que atrevida,
Tenta lhe ferir a alma!

Mulheres inteligentes desfrutam das rimas,
Que vertem dos dedos de um poeta dolente,
Que chegam pelas veias de um coração ardente,
E entram em erupção ao toque do papel;
Mulheres que amam os poetas,
São como aves que voam pelo céu,
Fazem da liberdade da inspiração de seu poeta,
O infindo azul do céu que lhe adorna o olhar.

Poetas, revolucionários, do amor,
Traçam em tortas linhas escritas,
Os mapas da invasão dos territórios invadidos,
Pela desilusão de outros amores perdidos.
Poetas, contestadores da razão,
São garotos desbravadores da emoção,
São adolescentes que desafiam reinos inteiros,
Tecidos entre trapos dos orgulhos feridos;

Poetas amam as mulheres mais do que a si,
Mulheres puras,
Mulheres impuras,
Mulheres de armadilhas,
Mulheres de aventuras,
Mulheres intensas, repletas de doçura,
Mulheres que se aproximam na ternura,
Mulheres que lhe deixam amarguras;

Poetas tem traçado o seu destino,
Rara é a mulher que acolhe o poeta,
Na liberdade da inspiração que o faz poeta,
Na inocência de um menino;
Pois, ao empinar seus versos, entre nuvens insinuantes,
Ele irá fazer de cada nuvem, uma amante;
E todas as amantes sempre sonham acordadas,
Em ser a mulher, pelo poeta, amada;

Mal sabem as mulheres, pelos poetas amadas,
Que delas são as letras nas rimas contidas;
Tola a mulher, que transforma o amor,
De um poeta, em uma bala perdida.
Ah, os poetas perscrutam na eternidade,
Os desejos do corpo da mulher,
Eles vagam por entre a realidade e a impossibilidade,
Burlam a insensatez, se entregam à insanidade;

Poetas inúteis, poetas vagabundos,
Poetas sublimam a dor de qualquer amor,
Apenas para poder suspirar entre os seios da terra;
Poetas mal escritos, poetas moribundos,
Que agonizam entre as coxas das galáxias,
Sorrindo do ciúme de todos os mundos.
Que melhor lugar para um poeta,
Desfrutar ainda em vida, seu último segundo!

Horacio Vieira.
publicado em 30/06/2008 – 03:09/São Paul/BN)
Ctt. doc. 20135203/08-F
(reescrito e republicado em 28/02/2011)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Amor por Amizade



Amor por Amizade


Hoje, eu troquei um amor,
Troquei-o por uma amizade!
Não foi uma troca em vão;
Quem, afinal, ousaria borrar,
No rascunho das circunstâncias,
As escritas tortuosas do destino?

Pois bem, hoje eu troquei um amor,
Troquei-o por uma amizade!
Quem me dera se toda amizade,
Que venha a constatar ao fim da vida,
Traga contido o valor desse amor;

Enquanto os Deuses da amizade questionam: Por quê?

Porque será deles que irei cobrar,
E que não achem que é pouco não!
Poetas vivem da paixão, do torpor,
Do ardor do coração sempre na busca,
Das insanidades diplomadas da inspiração,
Do corpo ardente da mulher desejada,
Púlpito eterno das suas melhores declamações,
Enredo de suas melhores criações!

E os Deuses do amor refletem: Será que se enganou?

E ainda assim, na convicta resposta do meu ser;
Eu mesmo, na redundância do meu absurdo,
Resolvi permutar um amor, por uma amizade!

Mas, no improviso de minha aceitação,
E antes que cavalgue condenado pelo deserto,
Na condição de um solitário poeta-beduíno,
Absolvo-me ao refletir, ensandecido, que nada perdi;
Pois a palavra “amizade” é substantivo,
E o melhor de tudo: Substantivo feminino!
Assim, perco um amor,
Ganho uma amizade,
E mantenho a mulher em meu destino.

...Touché!...

E na comutação desse erro mínimo,
Preservo a minha consciência poética,
Nessa conveniente defesa estética!

Horacio Vieira.
publicado em 15/05/2008 – 02:55/São Paul/BN)
Ctt. doc. 20129726/08-F
(reescrito e republicado em 26/02/2011)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Conspiração



Conspiração


Chega ao olhar, pronta para atacar,
Tenta ferir na ausência, mas falha;
Nos sonhos vive tentando apunhalar,
Sorri ao afiar nas mágoas, a lâmina da navalha;

Não aceita o silêncio que lhe chega,
Entorna a intriga na taça do desprezo,
Faz do ódio uma chama acesa,
E luze no olhar a maldade a lhe inspirar;

E ao não contentamento do que faz,
Aos desejos, as traições se insinuam,
Lança a retórica tarrafa no mar da confiança,

E a recolhe na dialética soberba e pujança.
Pobres inocentes agonizando na condenação,
Da inveja alheia a exaltar, triunfante, a conspiração!

Horacio Vieira
publicado em 26/06/2008 – 17:03/São Paul/BN)
Ctt. doc. 20128591/08-F
(reescrito e republicado em 21/02/2011)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

País de Ronaldos



País de Ronaldos


O verdadeiro torcedor não tem camisa,
Ele tem coração!
Ele torce pelo gol decisivo, aquele que não avisa;
Ele chora pela esperança de ser campeão;
O verdadeiro torcedor é antes de tudo esportista,
E se arriscar, ele ainda chora de emoção,
Ao ver uma jogada adversária que o deixa mudo!
Alegria e esperança é a combinação,
É a fórmula do esportista que torce por quem joga;
E quem joga é que semeia o esportista do futuro,
É o jogador driblando o cansaço do brasileiro;
É o povo encarnado na torcida,
É a torcida incorporada no jogador,
Chutando para dentro das traves da tristeza,
O gol consumado no grito de redenção,
De uma alegria que é só nossa!
Sou São Paulino no coração,
Mas, só de pensar em não ver mais,
O futebol do Ronaldo,
Já dá vontade de viver a vida ao inverso,
E fazer de ontem o amanhã;
Sou São Paulino de coração,
Mas, minha alma é brasileira e grita bem alto:
Que orgulho nascer no país onde nascem Ronaldos!

Horacio Vieira.
(publicado em 14/02/2011)
crtt. 528-A/BN/SP

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Poema do Reencontro

“Aos que encontraram um amor,
Aos que esperam um amor,
Aos que buscam um amor,
Porque sabem amar!”

Poema do Reencontro

Paralelos destinos, perplexos e obscuros,
Indecisos momentos, inertes pensamentos;
A verdade dúbia, na mente de quem ama,
É uma voz latente, repleta de sentimentos,
Que agonizam em um amor errante;

Amor desconhecido, amor querido,
Amor perdido, amor distante;
Sonham os amantes com seus semblantes,
Despertam seus semblantes, sem seus amores,
E vagam pelo tempo entre seus dissabores;

Tela branca, virgem esperança,
Onde os amantes rabiscam as lembranças,
De um momento, um instante de outras vidas;
Colhem a tinta luminosa da luz do dia,
E pincelam gotas brancas no céu da noite;

Criam camas reluzentes e pontilhadas,
E entregam os amantes, seus corações;
Corpos, a se amarem na madrugada,
Desejos que sublimam as ilusões,
E a eternidade a sorrir nas constelações;

Cada gemido é o som do talho na estrela,
Esculpindo no rastro cadente,
Os desejos contidos e ardentes,
Nos lençóis das galáxias silentes;

Despertem, estrelas dormentes!
Para que guiem os amantes perdidos,
Através da escuridão fria do amor ausente,
Que faz da solidão um abismo escondido,

Que o tempo, a distância e o destino,
Façam do olhar de um segundo, o caminho,
Do reencontro na união dos amantes,
E não permitam que por mais uma vida,
Esse amor continue errante...

Horacio Vieira
(publicado em 08/06/2008 – 17:03/São Paul/BN)
Ctt. doc. 20120172/08-F
(reescrito e republicado em 06/02/2011)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Alma e Coração



Alma e Coração



Em minha alma pacífica,
Existe um coração batuqueiro,
Que compassa minha alma rítmica;
Ah, esse meu coração bandoleiro,
Que toca minha alma sensível,
Que retorce meu coração flexível,
Que faz a alma flutuar envergonhada,
Pelas asas do coração, sempre em revoada;
Enquanto minha alma canta aos anjos,
Meu coração cutuca os demônios;
Minha alma se perfuma de esperança,
Meu coração, manhoso, não se cansa;
Se minha alma contemporiza,
Meu coração se inflama anarquista;
Minha alma admira as estrelas,
Meu coração, em um beijo, lhes rouba a centelha;
Minha alma suaviza,
Meu coração dramatiza;
Minha alma chora amando,
Meu coração amando, sorri!
Minha alma se acha pequena,
Meu coração abre seus braços de colosso;
Minha alma esquenta os lençóis do meu corpo,
Meu coração se faz de travesseiro, em meu peito;
Minha alma se deita na cama nua,
Meu coração se aconchega e sussurra,
Minha alma responde nos lábios,
Meu coração a abraça e lhe corteja;
Minha alma brilha intensamente,
Meu coração lhe ama ardentemente,
O universo enlouquece na razão,
E descobre o amor na contradição,
A alimentar a simbiótica paixão,
Entre o meu coração, amante de minha alma,
E a minha alma, amante do meu coração...

Horacio Vieira
(publicado em 04/06/2008 – 02:02/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2011952/08-F
(reescrito e republicado em 05/02/2011)