domingo, 19 de dezembro de 2010

Uma Chuva Qualquer



Uma Chuva Qualquer


Minhas lágrimas são gêmeas,
Percorrendo caminhos diferentes,
Vertem um pouco de minha alma,
Ambas nascem do mesmo ventre;

Minhas lágrimas, tão iguais,
Transparentes e salgadas,
São marés de fragilidade,
Ondas de emoções represadas;

Essas lágrimas, semelhantes,
Irrigam os campos da sensibilidade,
Em rios de desejos, inebriantes,
Fecundam a esperança em meu peito;

Lágrimas de águas límpidas,
Riachos do meu olhar,
Imperfeitos duetos da entonação,
Porém, perfeitas na criação;

Nascente de inspiração intensa,
Dos devaneios do meu coração,
A transmutar-se em lágrimas,
A sublimar-se em águas;

A recriar-se na atrevida sensação,
De ser a gota de uma chuva qualquer,
Mascarado beijo, molhado, a esconder,
No rosto, a saudade do corpo, da amada mulher!

Horacio Vieira
(publicado em 16/05/2008 – 09:20/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2009173/08-B
(reescrito e reeditado em 19/12/2010)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Soneto de um instante



Soneto de um instante


Os sentimentos de um homem a aflorar,
Em um denso instante de amor;
Com pétalas de véus brancos a acariciar,
Cobriu todo o mar com uma única flor;

E no êxtase, sublime, de poder,
Os olhos compartilham com o mar
A lágrima da alma, a mais sábia do querer,
Para seduzir a lua, que vem se aconchegar;

E no peito das ondas, uma chama a iluminar,
Demarca a fonte de uma luz, trazendo a paz,
A exaltar os carinhos, feitos nesse mar;

E ao encontrar, explícita, a felicidade,
Do céu dos anseios voam anjos satisfeitos,
Cúmplices ocultos desses instantes de amar.

Horacio Vieira
(publicado em 07/05/2008 – 13:35/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2008791/08-B
(reescrito e reeditado em 18/12/2010)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010



Meu Amor Meu


Tenho em mim um amor,
Um amor que é só meu;
Ele sublima qualquer dor,
Pois resiste em ser amor;

Um amor sem temor,
Em ser o que é;
Ele sorri em silêncio,
Pois ele sabe o que quer;

Ele não é teu - é meu!
A ti, esse amor já se ofereceu,
Mas no desprezo, esmoreceu;

Esse amor que é tão delicado,
Vive na ousadia de amar sempre mais,
Do que jamais, por você, será amado!

Horacio Vieira
(publicado em 06/05/2008 – 14:54/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2008462/08-B
(reescrito e reeditado em 17/12/2010)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Amanhecer



Amanhecer


As portas estão se fechando,
Nossas almas se afastando,
Por Deus, como eu não queria te esquecer!
Mas, como te esquecer?
Se todos os dias, ao amanhecer,
O universo vem lhe entregar,
Suavemente ao meu olhar,
No brilho de um Sol a refletir
O nascente em meu peito,
E a recriar a semelhança, no calor da luz,
Do toque de suas mãos a acariciar-me;

Tento em um instante me recompor,
Mas, me perco na ordem dos sentimentos;
Meus pensamentos, que são muitos,
Se fundem na emoção, e em você é único;
E no cúmulo dessa insensatez,
Penso em querer que você encontre alguém,
Que lhe faça sorrir como eu sempre quis;
E da incoerência dos desejos que me vem,
O meu desejo maior é que seja feliz!
Eu criei você da síntese de todas as dimensões
Que me rodeiam e que me inspiram;

Tornei-me o criador a viver pela criação,
Entre recordações de um paraíso perdido,
Absorto pela esperança em meu coração;
E o passado, é uma distância medida,
Nos passos da saudade que lhe traz para mim;
A minha vontade é a tua felicidade,
E quanto a mim, amada mulher,
Restará tão somente,
Que em um, incerto, amanhecer,
Eu simplesmente deixe, ternamente,
De sentir a luz do teu corpo, a me envolver.

Horacio Vieira
(publicado em 05/05/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2008185/08-B
(reescrito e reeditado em 15/12/2010)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Amor Intenso



Amor Intenso


Semelhante a todas as estrelas,
Que brilham no céu de toda noite;
Sob o fundo negro que as margeia,
Na forma extensa de uma luz farta,
Que enche os olhos de quem as vê,
Assim, eu lhe vejo ao fechar dos olhos;
Na negritude das pálpebras cerradas,
É de tua face que vem um brilho extenso,
A preencher o universo das lembranças;
E rabisca a vastidão em que me perdi,
Desde a primeira vez em que te vi!
Confundo esses traços luminosos,
E me arrisco nos afrescos dos sorrisos
Que os teus lábios, molhados, emolduram;
Quantos artistas seriam precisos
Para alcançar a perfeição do teu rosto,
Que vive rascunhado em minha alma,
A delinear os atalhos ao meu coração?
Já tentei fazer dos beijos de outros lábios,
Telas brancas a redesenhar essa paixão;
São teus meus desejos anarquistas,
E são meus, teus instantes impetuosos;
Eu lhe dei a minha essência ao te admirar,
E você me conteve ao me amar;
No final do meu tempo,
No extinguir da minha vida,
Que meu último olhar
Reflita o suspiro de minha alma,
Ao sentir a emoção da inspiração,
Ao descobrir que na pintura das estrelas,
Demarcando o caminho dos reencontros
Surgirá o teu rosto, em um brilho extenso;
Eu farei de você a minha eternidade,
E você, fará de mim teu infinito, nesse amor intenso!

Horacio Vieira
(publicado em 04/05/2008 – 06:24 - São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2007473/08-B
(reescrito e reeditado em 14/12/2010)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dependente do amor



Dependente do amor



Não há o que falar das dores,
Das perdas que tive na vida.
Desejo contar das alegrias dos amores,
Dos sorrisos da mulher querida.
Prefiro alimentar essa capacidade,
De sempre e indubitavelmente amar!
Quero crer na compatibilidade,
Da emoção nos instantes de razão;
Sentir a possibilidade de me apaixonar,
Novamente, repetidamente e sempre!
Quero o colo feminino me atiçando,
Quero as pernas ladeando os meus quadris;
Quero o olhar da mulher a me instigar,
A incendiar os meus receios,
E das cinzas desses delírios febris,
Sentir o êxtase da cura e renascer,
No gemido mudo de todo orgasmo agudo;
Sou do amor, um crente contumaz.
Um pirata a singrar os mares da solidão,
A pilhar o navio e deixar a tristeza incapaz
De tornar indiferente toda e qualquer paixão;
Sou sim, do amor dependente,
Um adolescente a querer sempre mais,
E não lamentarei se caso for abandonado
Pois saberei assim, que jamais fui amado,
Mas tenho certeza, que serei sempre lembrado,
Pelas mulheres que se deitaram ao meu lado,
E que foram intensamente desejadas.
Talvez, entre os amores tantos que virão,
E na esperança contida nessa busca obstinada,
Eu encontre um único a acalentar todas as dores,
Dos amores passados, marcados em meu coração!

Horacio Vieira
(publicado em 03/05/2008 – 06:25 - São Paul/BN)
Ctt : doc.. 200502/08-B
(reescrito e reeditado em 12/12/2010)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Serpente Marota



Serpente Marota


Que menina marota,
Sob o linho suave da pele de mulher,
Encontra-se oculta uma alma de garota.
Com seu sorriso travesso,
Confunde os sentidos,
De um convite ao avesso,
Aos desejos enrustidos.

Menina de manhas,
A sacudir o vestido;
Mulher de artimanhas,
A atrair o inimigo,
Que ao se deparar,
Com esse inocente olhar, se rende,
Aos encantos dessa bela serpente;

Quem dera, pudesse eu somente,
Ter apreciado, mais amiúde, essa maçã;
E se pecado fosse, seria um pecado indecente,
Desses, que deixam um sorriso na manhã,
Um suor no pescoço - ao lembrar no almoço -
Do apetite que a saudade trará no final da tarde,
Ao tentar o meu corpo, a amar à vontade;

O homem que nasce poeta é um pecador, eternamente,
A vasculhar e rabiscar os anseios alheios, ternamente;
Quem sabe então, em um olhar desses “de repente!”,
Aconchega-se um poeta, mansamente, entre as rimas,
E aquebrantando os encantos e as correntes,
Consiga libertar dessa irreverente menina,
A mulher ardente, que vive fantasiada de serpente!

Horacio Vieira
(publicado em 25/04/2008 – 09:06 - São Paul/BN)
Ctt : doc.. 200493/08-B
(reescrito e reeditado em 09/12/2010)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Somente Mulher




Somente Mulher



São momentos divinos os instantes de amor,
Por onde os pensamentos peregrinos,
Dispersos entre o tempo e a dor,
Reencontram a razão do destino,
Nos intensos carinhos de uma mulher;

Mas, não de uma mulher qualquer!

Existe a necessidade premente,
De que seja a mulher extrema,
Aquela do suspiro de amor verdadeiro,
Aquela que faz do beijo o paradeiro
Onde habita o desejo derradeiro;

É o querer da mulher em ser amada!

E então, assim ela se faz cobiçada,
E nos atiça pela madrugada
Com o olhar de quem busca a estrada,
Das inocentes gargalhadas,
No laço de um dengo que nos arrebata;

São tantos olhares em um único olhar!

São tantas estrelas, para um único céu,
Que da mescla desvairada dos brilhos ardentes,
É que de repente, essa mulher extrema,
Faz de si a estrela pequena,
A reluzir no céu das noites dos sonhos, intensa!

É essencial que seja amante e voraz!

Que consiga conter um homem em seus braços,
E que faça desaparecer qualquer traço,
De amores outros, na penumbra do passado;
E que essa mulher consiga conquistar,
Na indolência de se deixar dominar;

Que venha mulher mais do que tudo!

Que chegue humilde feito o murmúrio
Da primeira declaração de amor,
Aquela que deixou o universo mudo,
Ao saber que o todo não é tudo,
Na ousadia da entrega total;

Que sempre renasça mulher no primeiro toque!

E que o roçar de sua pele faça ecoar,
Os gemidos da fusão de todos os anseios,
Contidos em seu peito na fúria de amar;
Que essa mulher não se perca em amarguras,
Mas que ela seja a conclusão de toda a loucura;

Que seja sempre mulher, brincando de menina;

Que afinal, seja ela essa mulher que alucina,
Que seja um delírio distante, que se aproxima,
Que venha na visão de um anjo, que ilumina,
Os passos do amado homem,
Que em sua direção, sorrindo, caminha!

Horacio Vieira
(publicado em 23/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 200185/08-B
(reescrito e reeditado em 05/12/2010)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Menino Valente



Menino Valente


Uma criança que é menino,
Um menino na imaginação,
Que brinca com seus sonhos,
No tabuleiro da inspiração;

Um menino, um garoto,
Um garoto na ilusão,
Que brinca com seus sonhos,
Na ânsia da paixão;

Um garoto, um adolescente,
O adolescente da contestação,
A fazer da paixão a razão incoerente;

Eis, que do adolescente veio o moço de repente,
E na primeira desilusão, na lágrima vertente,
O moço fez-se homem, na dor de um amor ausente!

Horacio Vieira
(publicado em 22/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 193754/08
(reescrito e reeditado em 04/12/2010)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Soneto do Desejo Infindo



Soneto do Desejo Infindo


Seu corpo vem recostar ao meu,
Sua pele é o sinal da eternidade;
Meus braços atendem ao cansaço seu,
E lhe acolhem com alva suavidade;

Minhas mãos, trêmulas, mas inquietas,
Percorrem o universo nesse corpo lindo;
Meus olhos são janelas abertas,
A conjecturar a razão desse desejo infindo;

Permaneça, aqui, sempre em meu peito,
Não se distancie de mim jamais,
Nada, nunca, será tão perfeito,

Quanto esses momentos ternos de paz;
Permita que seja o único a lhe amar,
E me negue, de seus lábios me afastar!

Horacio Vieira
(publicado em 21/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 124795/08
(reescrito e reeditado em 02/12/2010)

Silêncio



Silêncio


Hoje eu quero o silêncio,
O silêncio da saudade incontestável,
O silêncio da conquista inesperada,
O silêncio da afirmação perplexa,
O silêncio de um olhar longínquo,

O silêncio do desejo insaciável,
O silêncio da posse comedida,
O silêncio da contemplação,
O silêncio da consternação,
O silêncio da contradição,
O silêncio da expectativa,
O silêncio da serenidade,
O silêncio da inspiração,
O silêncio da concepção,
O silêncio da percepção,
O silêncio da satisfação,
O silencio da contração,
O silêncio da conclusão,
O silêncio da ansiedade,
O silêncio da sensação,
O silêncio da angústia,
O silêncio da espreita,
O silêncio da criação,
O silêncio do suspiro,
O silêncio da morte,
O silêncio do fim,
O silêncio,
...!

Horacio Vieira


(publicado em 20/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 01975/08
(reescrito e reeditado em 01/12/2010)