domingo, 17 de outubro de 2010
O jardim e o menino
O jardim e o menino
Havia um jardim, na minha rua,
E tão menino, do imaturo olhar impreciso,
Flores germinavam da ternura,
Das inocentes sementes, dos meus sorrisos;
Eu olhava esse jardim, tão menino,
É o adorno de uma saudade que me enlaça,
E da minha rua, eu dizia que o destino,
Havia desenhado um arco-íris, naquela casa;
Lembro que sempre em frente - lá eu parava,
Sei da intuição que atiçava,
O olhar do homem, no menino que sonhava,
Era a magia da vida, que me enfeitiçava;
E com as mãos cerradas no portão,
Eu buscava a razão entre as pétalas das flores,
Pensando nas tantas cores da paixão,
Que se revela amor, nas canções dos sonhadores;
Todas as manhãs eram assim,
Despertava contente, e já partia,
Para as flores perfeitas, feitas para mim,
E à noite, no perfume das cores, adormecia;
A cada ano, em cada estação,
Uma nova flor, com uma nova cor surgia,
E eu roubava do jardim, a flor que meu coração,
Adolescente, à namorada oferecia;
Mas o tempo em minha face desenhou,
Tantos rascunhos de amores - e nenhum ficou!
Caminhos diferentes a vida me mostrou,
Senti distante em mim, o menino e o jardim;
E na magia dos desejos adormecidos,
Minha alma, fez da saudade um jardim dos instantes,
Em que cada uma das flores transpirava os odores,
Da pele da saudade, de todas as minhas amantes;
E assim, eu percebi que das cores dos instantes,
Das diferentes flores, de matizes e amores,
Fiz da minha vida, um jardim semelhante,
Aonde a paixão, floresce constante;
E o amor - esse intenso desatino,
Incondicional, ele se fez errante sem querer,
Mas a saudade, sempre irá me colher, menino,
No corpo da mulher, que em minha cama florescer;
E na certeza de que jamais amei em vão,
O aroma da alegria é o sorriso de satisfação,
Na semente do menino em minha alma refeito,
A florir de pétalas, o olhar do meu coração!
Horacio Vieira
(publicado em 09/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 01975/08
(reescrito e reeditado em 17/10/2010)
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Olhar de um Anjo
Olhar de um Anjo
O olhar de um anjo,
É um olhar sereno,
Rabiscando o infinito,
Em um olhar pequeno;
É um olhar que procura,
Nos corações ressentidos,
Encontrar a cura,
Para os sentimentos perdidos;
Um anjo com um olhar assim,
Faz das esperanças, respostas de paz,
E traz no olhar o brilho do perdão sem fim;
E nesse bálsamo de luz, que nos alcança,
Desvendamos do amor, sublime e inocente,
O anjo escondido no olhar, de toda criança...
Horacio Vieira
(publicado em 07/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 02865/08
(reescrito e reeditado em 15/10/2010)
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Soneto da transformação.
Soneto da transformação.
Quero a redenção, silenciosa, inconsciente,
A salvação, calada, que transforma o homem;
Quero o reencontro da paixão adolescente,
E não importa se for um desejo incoerente;
Que meus demônios se enfrentem com ardor,
Na arena do olhar de toda a confirmação;
E que pelo fio da adaga, do mais sincero amor,
Sobreviva em mim, os beijos doces dessa ilusão;
São tantas e brandas as esperanças,
Que rodeiam o coração de um homem,
Que cada lágrima, é uma gota abatida,
Na face envelhecida, na busca pela inspiração;
É nessa fonte, onde renasce minha alma, enternecida,
Que meus suspiros provam do amor, pela vida.
Horacio Vieira
(publicado em 05/04/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 05473/08
(reescrito e reeditado em 13/10/2010)
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