quarta-feira, 29 de abril de 2009

Amor escondido

Amor escondido

Rasga a paz o som de um raio,
O zumbido de uma abelha feroz,
Lembranças estilhaçando o vazio,
Pensamentos em alta voz;
Uma pele do tom do entardecer,
Um céu aonde o vôo é cego,
E a saudade retarda o anoitecer,
De um coração poente que abraça a noite,
Amante fria, impiedosa em meu peito a se aquecer!

No som de um raio, minha paz em perigo,
Uma abelha atroz brincando no paraíso,
O rastro de todo o mel em seu zumbido,
Colhido dos lábios em um beijo furtivo...

O sussurro do zumbido dessa abelha,
São pingos de lágrimas escorrendo pela telha,
Retirou do meu peito o sabor adocicado da vida,
E fecundou em minha alma o gosto da saudade,
De uma felicidade que julguei perdida,
Renascida no zumbido de um raio,
A paz quebrada no som feroz e destemido,
De uma abelha que nada mais quer,
Do que o mel de um amor que trago escondido...

Horacio Vieira.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Cecília

Cecília


Sorrisos marotos e um jeito de menina,
Menina encrenqueira na forma de mulher,
Mulher feliz em sua essência de anjo,
Anjo que amo com suas asas largas,
Asas que criaram sombras que me esconderam,
Asas que acolheram tantas peraltices,
Asas que foram muralhas e jamais cederam,
Asas que me abraçaram e me protegeram;

Lembro dela ainda menina,
No uniforme da escola,
A saia vinho e a blusa branca de Rainha,
Meia soquete, chiclete de bola,
O olhar moleque e encrenqueiro,
De quem tinha quebrado a pia do banheiro,
Cabelos negros, compridos e lindos,
Te vi menina e te aprendi mulher,
Mulher dos segredos e confidências,
Mulher que me foi mãe no carinho que vertia,
De seus olhares na mais suave alegria;

Eu era a criança mais privilegiada do mundo,
Eu era o amuleto e ela a sorte,
Eu era o esboço e ela o retrato,
O retrato da inocência mais valente,
A valentia em uma força de recomeços,
Ela sem querer me mostrou uma das faces do amor,
A face exposta da ferida aberta daqueles que partiram,
E os que partiram, foram afortunados,
Pois foram amados pelo anjo mais doce que conheci,
Um anjo de asas largas, de sombras e encantos,
Um anjo mulher que Deus enviou menina,
Para guiar minha vida nas lembranças de seus sorrisos,
Levo comigo ainda na pele o toque de seus abraços,
Levarei sempre no olhar a busca por seus carinhos,
E não haverá distância que nos separe,
Pois a saudade não nos deixará sozinhos!


De seu sobrinho,
Horacio Vieira.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Na luz de tua pele

Na luz de tua pele

Do tom de tua pele surgiu a eterna luz,
Branca e límpida a orientar as carícias,
De minhas mãos em seu corpo envolvente,
Por onde bailam meus dedos delicadamente,

Frenéticos lampejos de arrepios no olhar,
Revelam os ocultos atalhos dos sentidos;
E no tom da luz que essa pele faz brilhar,
Rendo-me aos mistérios na volúpia dos perigos,

Por todo o universo se preciso for,
Nele estarei a te seguir sem cansaço,
Na tua luz toda a dor se desfaz e eu me refaço,

A vida reluz teus desejos e vontades,
É na pele que cintila o teu corpo que eu me enlaço,
Crio o infinito e me acho em tua eternidade!

Horacio Vieira

sábado, 4 de abril de 2009

Falsidade

Falsidade


Liberte a tua alma da minha,
Deixe que eu sinta a liberdade novamente,
A verdade de existir sem você em mim,
Permito que parta da minha vida,
Para que a vida não parta de mim.
Vá e não olhe para trás,
Não faça das lágrimas rastros no chão,
E muito menos, me estendas as mãos;
Sua partida será o aborto desejado,
De um amor vítima de um estupro,
Pela violência da vaidade que lhe cai tão bem.
Portanto, antes do amanhecer,
Antes do sol aparecer,
Antes do meu corpo sentir um novo dia,
Desapareça da frente dos meus passos,
Solte os nós que te prendem à minha sombra,
Alce vôo ou rasteje...
Pouco importa saber qual natureza lhe compõe,
Apenas se afaste de mim!
E se isso lhe confortar,
Que seu futuro seja poético,
Tanto quanto Dante em seu inferno épico,
E se no infortúnio, ao atravessá-lo não chorar...
Quem sabe um anjo, em um ato de compaixão,
Lhe pergunte o mesmo que escreveu Dante:
“Se não choras, do que costumas chorar?”

Liberte tua alma da minha,
E quem sabe esse anjo lhe recorde como é,
O pranto sincero de quando ama uma mulher....

Horacio Vieira