quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Escuridão em Mim
Escuridão em Mim
Ao fechar os olhos, me desnudo,
Liberto o tato na escuridão;
Minha voz, rebate no infinito, mudo,
Nas escuras fendas da incompreensão;
Me aflige a solidão, ao fechar do olhar,
É esse o instante da procura,
Em tudo que em mim, existe para ocultar,
No rascunho do veludo escuro da loucura;
Dentro dos labirintos das culpas,
A incompatível razão forma o obscuro ser;
Em mim, em meio ao negro que se avulta,
Aquebrantando-se vãos os receios em viver;
Cerradas as pálpebras, minha nudez é descortinada,
O escuro acalma minha consciência oprimida,
Na ferida do tempo, na verdade amordaçada,
No amargo da justiça corroída;
Percebo, no escuro dos meus olhos, a desventura,
Que, desnudo permaneço mudo no impacto obscuro,
Pois, mais cego sou na luz que me afigura,
Do que nesse negro sepulcro;
A escuridão rompe o lacre e liberta a ousadia,
Sinto mais coragem na totalidade do que sou,
Do que antes viesse a ser na visão que me iludia,
E o que sou, é o que o escuro em mim resgatou;
O tempo, nesse leito escuro, é amante da reflexão,
Abro os olhos e a verdade me beija, renascida,
Reencontro-me em cada batida do meu coração,
E uma fagulha de calma, incendeia a minha vida!
Horacio Vieira
(publicado em 03/06/2008 – 03:22/São Paul/BN)
Ctt : doc.. 2011037/08-B
(reescrito e republicado em 19/01/2011)
Assinar:
Postagens (Atom)

