quinta-feira, 22 de julho de 2010
Perdoa-te
Perdoa-te
Por detrás da cortina do teatro
No palco das ilusões desmedidas,
O perdão, lacaio, do senhor dos sonhos,
Te detém, pérfida e desprotegida,
Fantasiada de amante e amiga;
Nada em teus gestos, em tua face é real,
A mentira é a sua verdade natural;
Até a gélida beleza que aparenta,
Que se afigura, a sua frente, no espelho distorcida,
Corrói a calma, pois é fruto de fúria e tormenta;
É pura amargura o sabor de um vento,
Que tenta aliviar a cicatriz da desventura,
Que o veneno de tua imagem insinua;
Sorte de meus lábios que não te sentiram,
Assim, não haverão de contaminar outros lábios;
É, agora eu sei,
Você é o embuste que amei,
Nem a saudade existe,
Nem a lembrança resiste,
Aos momentos nos quais sofri;
Me culpo por, de amor próprio, estar desprovido,
Nos instantes em que te desejei cegamente;
Por me deixar largado,
Entre as sarjetas nas ruas das madrugadas,
Sujeito ao escárnio, de minha consciência dilacerada;
E eu, culpado, me condeno a caminhar,
Com os grilhões encarnados em minha pele,
Que já não transpira, chora,
Ao ver o meu corpo que implora,
Pelo perdão, lacaio, do senhor dos sonhos...
Horacio Vieira
(publicado em 28/03/2008 – São Paul/BN)
Ctt : doc.. 01792/B-08
(reescrito e reeditado em 22/07/2010)
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