quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
A inspiração da criação
A inspiração da criação
Deitado, em minha cama,
Refletindo em silêncio,
No escuro do meu quarto,
Fechei meus olhos e fiquei pensando,
Que Deus, que criou o universo,
O fez, em um momento de inspiração!
Ele decidiu como seriam a eternidade,
As galáxias, as nebulosas,
As estrelas, os planetas,
As constelações e os cometas.
Decidiu como seria a Terra,
Como seria a sua história,
Por quantas destruições resistiria,
E de quantos recomeços, ela precisaria;
Determinou quantas civilizações, existiriam,
E quantas, deixariam de existir;
Fixou os pontos cardeais,
Para que não nos perdêssemos,
E assim, do positivo e do negativo,
Ele nos mostrou, que o errado,
É sempre o inverso do certo;
Deu-nos a fala, e com a fala a mensagem,
E a mensagem criou asas,
E então, ele criou os anjos,
Que para alguns povos, eram deuses,
E para outros, eram Santos.
Criou o espírito, deu-lhe forças e energias,
E deu-lhe o nome de alma,
E com ela, a sensação da consciência,
Com a consciência, veio a percepção do corpo,
E com o corpo, a concepção da vida!
E Deus, então, foi preenchendo o vazio;
Vieram as luzes,os sons e as cores,
Os cheiros, os perfumes e odores,
O que antes, era frio, se tornou quente,
E desse calor, vieram os sabores,
Os amantes e seus amores;
E o amargo denunciou o doce,
E o belo, castigou o feio;
E na vaidade dos dissabores,
Eis que surgem a emoção, e a razão!
(ambos invejosos, um do outro!)
E da disputa entre ambos,
Surgiu a ansiedade, a brincar com o tempo,
E no tempo do mundo, veio a pressa,
A fazer do eterno, um efêmero segundo;
Então, Deus, dos diferentes criou os opostos,
Dos cansados - os dispostos,
Dos melhores - os piores,
E decidiu o que deveria evoluir,
E também, o que não iria prosseguir;
Criou as leis para determinar,
Como as coisas devem ser,
E criou coisas, que não seguem lei alguma;
E assim, ele nos deu a religião, para crer,
E ao crer, provamos do ato da fé;
E da fé veio a dúvida, que gerou a ciência,
Que tenta explicar, que o que nos move,
Não é a vivência, e sim a experiência,
E o que nos fez ser, bípedes, tal qual somos,
Não é a experiência, e sim a vivência!
E entre todos os “sins”,
E em meio a todos os “nãos”,
Deitado, em meu quarto escuro,
Me veio uma indagação:
“O que Deus fazia antes da inspiração da criação?”,
E então, me veio do nada, a idéia mais correta:
“Ele rascunhava, em um único verso, a cura,
para a tediosa solidão, de todos os poetas!”
Horacio Vieira
Ctt : B.N. 0391-01-2010
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