sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Despedida



Despedida

Qual a despedida melhor que posso dar,
Senão o adeus escrito, acenando em letras,
As letras, nesse adeus, sou eu despedaçado,
Sou eu estilhaçado por inteiro,
Se distanciando em cinco letras,
Junto pela última vez em seu olhar...

Adeus!

Assim eu me despeço e parto pequeno,
O semblante de uma sombra que fui,
Agora não mais permanece acariciando tuas costas,
Agachado com as mãos no chão,
Sigo o caminho escuro, tateando o mundo,
Recolhendo entre os pedregulhos de mim mesmo,
As gotas das lágrimas,
Na qual minha alma se diluiu.

Adeus!

Então, foi-se de mim o que em mim viveu,
E se hoje é através do vento que toca minha face
Que sinto o beijo do universo que me acolhe,
Amanhã será o universo do meu corpo,
Que beijará o vento que um dia me desprezou,
Você sai de mim como uma inverdade,
E leva consigo todos os meus atos covardes,

Adeus!

Se ainda resta no poço obscuro de tua consciência,
Um resquício da noção de compaixão,
Deixa-me ir em paz...
A despedida é única e sem volta dessa alma que implora,
Para que a liberte de tuas artimanhas imorais.

Adeus!

Junto pela última vez ao seu olhar,
Parto resumido em cinco letras.
Estilhaçado, meu coração não para de sangrar,
E nessas letras um amor surge esfacelado,
Nas palavras as letras acenam a partida...

Qual despedida melhor poderia dar, senão...

Adeus!
Horacio Vieira.